Ibovespa recua, pressionado por aversão ao risco global e com indefinição com PEC no radar

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O Ibovespa fechou em queda nesta sexta-feira (16), acompanhando o pessimismo verificado nos mercados internacionais. Investidores acreditam, baseados nos discursos considerados mais agressivos (hawkish) tanto de dirigentes do Fed quanto do Banco Central Europeu (BCE), que uma recessão global é iminente, apesar dos dados mais fracos de inflação registrados nas regiões. As negociações da PEC da Transição e o adiamento da votação da alteração na Lei das Estatais também estiveram no radar do mercado.

De acordo com Bruno Takeo, da Ouro Preto Investimentos, o impasse com a PEC surtiu pouco efeito na queda de hoje e, caso influenciasse, teria impacto contrário. “Se fosse pelo atraso na votação e na postergação na mudança da Lei das Estatais, o Ibovespa poderia até subir”.

Portanto, o principal condicionante foi, de fato, o pessimismo externo. Apesar de certo recuo percebido na inflação, índices de atividade econômica têm decepcionado, o que indica uma maior probabilidade de recessão em 2023.

O dólar fechou em queda, acompanhando o otimismo com questões fiscais motivado pelo entrave na tramitação da PEC da Transição na Câmara dos Deputados e pelo adiamento da votação das alterações na Lei das Estatais. Ambos os fatores reduzem a percepção de risco relacionado a maiores gastos fora do teto e à interferência do novo governo nas companhias estatais.

No exterior, dirigentes do Fed seguem dando sinais de que o ritmo do aperto monetário diminuirá, mas as taxas podem atingir patamares acima dos anteriormente previstos, o que deve fortalecer ainda mais a moeda americana ante seus principais pares.

📊 Ibovespa 102.855,70 pontos (-0,85%)
💰 Volume R$ 39,2 bilhões
💵 Dólar R$ 5,2941 (-0,41%)

A maior alta do dia ficou com a Cemig [CMIG4], que avançou 2,91%. Para o analista da Mirae Asset, Pedro Galdi, o papel é beneficiado por uma “troca de posições” entre setores, típica de vencimentos de opções, ao mesmo tempo que desfavorece Taesa [TAEE11], que fechou em queda de 1,97%.

A Marfrig [MRFG3] fechou em alta de 1,31%, após atingir avanço de quase 5% ao longo da manhã. Investidores mostram otimismo com o montante de R$ 600 milhões em dividendos intercalares anunciado pela companhia.

O setor bancário, de peso muito relevante no índice, teve desempenho majoritariamente positivo. Banco do Brasil [BBAS3], que apresentou fortes quedas nos últimos dias, avançou 2,03%, enquanto Itaú [ITUB4] e Santander [SANB11] avançaram 1,11% e 1,40%.

Os papéis ON [PETR3] e PN [PETR4] da Petrobras fecharam em altas de 0,28% e 0,05%, apesar do recuo da commodity de referência no mercado internacional. Entre os pares do setor, 3R Petroleum [RRRP3] caiu 0,06% e PetroRio [PRIO3], 1,17%.

Na ponta negativa, o principal destaque foi o setor de varejistas, que liderou as perdas do índice hoje, pressionado pelo avanço dos juros futuros. Os comentários considerados mais agressivos (hawkish) por dirigentes do Fed e do Banco Central Europeu (BCE) impulsionam os yields dos Treasuries americanos, que impulsionam também os juros domésticos.

A maior queda do dia foi de Magazine Luiza [MGLU3], com 8,85%, acompanhada por Americanas [AMER3] e Via [VIIA3], que tiveram recuos de 7,89% e 5,45%, respectivamente.

As construtoras também foram pressionadas pelo mesmo motivo. Além disso, a Cyrela [CYRE3], que teve recuo de 4,42%, teve a recomendação para seus papéis rebaixada de “overweight” (equivalente a compra) para “equalweight” (correspondente a neutra) pelo Morgan Stanley.

A MRV [MRVE3], que teve o preço-alvo para seus papéis rebaixado de R$ 16,00 para R$ 13,00 pelo banco, teve queda de 4,22%.

A Vale [VALE3], de grande peso de negociação no índice, fechou em queda de 1,71%. O panorama de possível recessão global segue gerando preocupações relacionadas ao crescimento e, consequentemente, à demanda pelo minério.

No restante do setor, Usiminas [USIM5] caiu 2,39%, enquanto Gerdau [GGBR4] e CSN [CSNA3] recuaram 0,23% e 0,83%, respectivamente.

As companhias aéreas e de turismo seguem pressionadas pela greve de pilotos e comissários com início programado para a segunda-feira (19). CVC [CVCB3] recuou 7,58% e foi a terceira maior queda do dia, enquanto Azul [AZUL4] e Gol [GOLL4] tiveram quedas de menor magnitude, de 4,16% e 5,40%.

A Braskem [BRKM5] teve mais uma queda expressiva, de 5,96%, ainda em meio a uma visão negativa para o futuro da empresa. A perspectiva de desaceleração econômica preocupa, por conta da situação financeira delicada e pela possibilidade de que a tão esperada venda da companhia não ocorra.

⬆️ Maiores altas do índice

🟢 CMIG4 +2,91%
🟢 DXCO3 +2,62%
🟢 BBAS3 +2,03%

⬇️ Maiores baixas do índice

🔴 MGLU3 -8,85%
🔴 AMER3 -7,89%
🔴 CVCB3 -7,58%

(Com Agência Estado e BDM Online)

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