A Organização dos Países Produtores de Petróleo e aliados (Opep+) anunciou na semana passada um corte de mais de 1 milhão de barris por dia (bpd). Esta redução é somada ao corte de 2 milhões de bpd anunciado pela Opep+ em outubro do ano passado.
As preocupações, então, voltaram a recair sobre o futuro do preço da commodity e em como isso afetará as principais economias do mundo.
No cenário doméstico, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, reagiu ao corte dizendo que “o Brasil não pode mais ficar refém das decisões arbitrárias da OPEP de limitar a produção de petróleo”.
Os efeitos
O analista de macroeconomia da Benndorf Research, Marco Ferrini, explica que já podem ser observados os efeitos a curto prazo do corte nos contratos futuros de petróleo Brent e WTI.
Além disso, segundo ele, “existem projeções de especialistas precificando o barril a mais de US$ 100 por volta de junho, à medida que a economia chinesa for ganhando velocidade”.
“Ademais, existem fatores que impactam tanto o curto quanto o longo prazo, como a inflação, que deve permanecer elevada por mais tempo”, prosseguiu.
Outra consequência a curto e longo prazo é a possibilidade de mais aumentos de juros e a permanência das taxas em patamares restritivos, a fim de controlar a inflação, de acordo com Marco.
“Consequentemente, no longo prazo, uma oferta mais enxuta de petróleo, a inflação persistente e os juros altos atrasarão a retomada das principais potências, prejudicando a retomada mundial”, completou.
Por aqui
Marco deixa claro que, por enquanto, ainda é difícil afirmar como o corte irá desenrolar para o cenário doméstico, principalmente após o desalinhamento entre o ministro Alexandre Silveira e a Petrobras em relação a uma possível alteração na política de preços da estatal.
“Entretanto, a consequência de uma redução da oferta de petróleo em meio à atual política de preços da Petrobras, que varia de acordo com o preço do barril e do dólar, seria um aumento dos preços nas bombas de combustíveis”, explicou.
Para o analista, isso poderia acarretar em um impacto na inflação, o que contribuiria com a manutenção dos juros num patamar alto e da postura hawkish do Banco Central.
Em relação ao mercado de ações, para o analista fundamentalista da Benndorf Research, Júlio Borba, praticamente todos os papéis de petrolíferas voltarão a ser atrativos.
Segundo ele, o único caso incerto é o da Petrobras [PETR3;PETR4], pois “dependendo dos anseios do governo em controlar a inflação, a Petrobras pode acabar subsidiando a importação de combustível para evitar desabastecimento local ou terá que vender seu petróleo para as refinarias privadas por um preço mais baixo”.
Já em relação às privadas como Prio [PRIO3], 3R Petroleum [RRRP3], PetroRecôncavo [RECV3] e Enauta [ENAT3], o cenário é melhor, uma vez que “os preços mais altos do Brent aumentam as receitas e as margens das companhias”.
Razões
De acordo com a própria organização, o motivo principal para a redução foram os temores de baixa na demanda da commodity no contexto mundial.
Segundo Marco Ferrini, este medo existe “porque o momento atual em grande parte das economias desenvolvidas é de avanço dos juros para patamares restritivos e expectativa de contração da oferta de crédito no mercado como resultado da crise bancária no ocidente, além de persistência da inflação”.
Por conta disso, o analista explica que espera-se uma perda no ritmo nas principais economias e, assim, a demanda por petróleo deverá diminuir.