Acúmulo de desvios no Mar Vermelho encarece custos de importação

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Os custos médios de transporte de contêineres quase dobraram desde o final de novembro

Os importadores ocidentais estão relatando um aumento elevado nas taxas de transporte marítimo, e atrasos de semanas nas rotas, à medida que os transportadores desviam os navios do Mar Vermelho para evitar os ataques dos rebeldes houthis.

Algumas empresas que transportam mercadorias na rota comercial crucial estão começando a se irritar com o aumento dos preços e com as taxas extras que as transportadoras marítimas estão impondo devido ao custo mais alto de encaminhar navios porta-contêineres em viagens mais longas ao redor do Chifre da África após os ataques de drones e mísseis dos rebeldes Houthi no Iêmen. 

Os custos médios mundiais para transportar contêineres de 12 metros de comprimento quase dobraram desde o final de novembro, de acordo com a Drewry Shipping Consultants, com sede em Londres. 

Os aumentos também aceleraram nas últimas duas semanas nas rotas que tradicionalmente usam o Suez. O preço para transportar contêineres com commodities entre a China e Roterdã, na Holanda, atingiu US$ 3.577 na última semana, um aumento de 115% em relação à semana anterior.

“O que todos os embarcadores estão tentando descobrir é se as propostas atuais estão de acordo com os custos adicionais da transportadora e não são simplesmente um movimento para compensar as taxas mais baixas em outras rotas ou aumentar as taxas em geral”, explicou Colin Yankee, diretor da cadeia de suprimentos da Tractor Supply, varejista sediada em Brentwood, Tennessee.

Desde novembro, os rebeldes houthis realizaram cerca de duas dúzias de ataques contra navios comerciais que passam pelo Mar Vermelho, que dá acesso ao Suez e às rotas comerciais para a Europa Ocidental e os EUA.

O grupo lançou sua maior barragem, até agora, de mísseis e drones na rota crucial de navegação do Mar Vermelho na noite de terça-feira (09). Os ataques, incluindo 18 drones, dois mísseis de cruzeiro e um míssil balístico, não causaram danos ou ferimentos, disse o Comando Central dos EUA, que supervisiona as operações militares dos EUA no Oriente Médio.

A empresa britânica de consultoria de segurança Ambrey divulgou que nove navios mercantes foram forçados a ajustar o curso para longe da costa do Iêmen após serem barrados do território controlado pelos Houthi.

O Suez é usado por cerca de um terço da carga global de contêineres e cerca de 30% do frete destinado aos portos da Costa Leste dos EUA, de acordo com a Everstream Analytics, uma empresa de gerenciamento de riscos da cadeia de suprimentos.

Os rebeldes disseram que seus ataques são uma resposta aos combates entre Israel e o Hamas em Gaza. Os ataques desencadearam avisos de uma coalizão naval liderada pelos EUA e respostas militares dos EUA e de outros países. Operadores de navios, incluindo a A.P. Moller-Maersk e a Hapag-Lloyd, disseram que suas embarcações continuariam evitando a região. 

Os executivos do setor de transporte marítimo estimam que os 10 maiores operadores de navios de carga desviaram cerca de US$ 200 bilhões em carga do Mar Vermelho desde o início de dezembro.

“Não colocaremos nossas tripulações e navios em perigo em nenhuma circunstância”, declarou Nils Haupt, porta-voz da Hapag-Lloyd da Alemanha.

Os novos aumentos de custos estão renovando as tensões entre os importadores e as transportadoras marítimas depois que as taxas de transporte dispararam durante a pandemia, quando a demanda por frete superou a oferta de navios e ajudou a gerar lucros recordes para as transportadoras. Os aumentos recentes ainda deixam os preços muito abaixo dos níveis da época da pandemia. 

“Há um certo elemento de desconfiança, dado o ponto de partida”, explicou Goetz Alebrand, diretor de frete marítimo da DHL Global Forwarding Americas.

Os custos mais altos estão atingindo até mesmo os importadores que negociam taxas de contrato de longo prazo, dizem os especialistas do setor, porque as operadoras estão impondo sobretaxas que variam de centenas de dólares a mais de US$ 1.000 por caixa para cobrir os custos crescentes resultantes dos desvios do Mar Vermelho. 

Os problemas de alguns embarcadores estão sendo agravados por restrições no Canal do Panamá, onde uma seca está limitando o número de embarcações que podem transitar pela hidrovia. 

A mudança para rotas de navegação mais longas ao redor da África está aumentando os custos de combustível e seguro e reduzindo a disponibilidade de contêineres, disse Lars Jensen, executivo-chefe da empresa de consultoria Vespucci Maritime, sediada na Dinamarca. Mas Jensen disse que os aumentos das tarifas estão “substancialmente acima” do que é necessário para cobrir os custos extras.

“O que temos agora, do ponto de vista das transportadoras, é uma bênção disfarçada”, frisou Jensen.

Os executivos do setor de transporte marítimo dizem que os preços mais altos e as sobretaxas são o resultado dos custos mais altos para operar navios em viagens mais longas e da capacidade reduzida, considerando que os navios ficam no mar por mais tempo.

No geral, as travessias de contêineres do Mar Vermelho caíram cerca de 20% em dezembro em comparação com novembro, de acordo com corretores de Cingapura e Londres. 

“Os serviços continuarão a ter que ser executados com atraso e com tempos de trânsito mais longos no curto prazo”, afirmou Jonathan Roach, analista de transporte de contêineres da Braemar, uma empresa de consultoria de transporte com sede em Londres. “Como consequência, as taxas de frete em geral permanecerão elevadas e voláteis.”

Nathan Strang, diretor de frete marítimo da Flexport, empresa de agenciamento de cargas sediada em São Francisco, Califórnia, disse que um cliente que traz cargas para o Porto de Nova Orleans viu o tempo de importação dobrar para 60 dias depois que as remessas da empresa foram redirecionadas.

“Como você informa ao seu cliente final quando as coisas chegarão e quando ele poderá colocá-las nas prateleiras?”, questionou.

(Com The Wall Street Journal; Título original:Importers Face Surging Shipping Costs, Delays as Red Sea Diversions Pile Up)

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