Indústria de Games: investindo além do óbvio

[Fonte: Freepik]

Os bons investimentos podem ser encontrados nos lugares mais incomuns. Enquanto alguns operadores de mercado preferem se manter no mundo real e investir em setores mais sólidos, como a mineração e o petrolífero, outros optam por se arriscar em um mundo cada vez mais virtual e se lançam sobre a indústria dos games.

Para Renato Nobile, analista da Buena Vista Capital, falar de games é discutir sobre um setor multifacetado, oferecendo oportunidades em diversos segmentos. Além das empresas que estão diretamente ligadas aos jogos – como Sony e Roblox –, também existem as companhias de chips – tal qual a Nvidia – e as de nuvem – como a Microsoft. 

“E também tem o mobile que cresce demais. [Além disso], você tem como exemplo também a Unity, que é uma empresa de gráficos e de imagem”, explicou. 

O universo dos games pode oferecer uma variedade de investimentos, apontam analistas. [Fonte: Freepik]
Apesar da variedade se apresentar como ponto positivo, o diretor de investimentos da Nomos, Beto Saadia, aponta que isso pode trazer uma certa indecisão na hora de aplicar o capital. Por isso, o especialista indica que os ETFs podem ser boas alternativas.

 “O ETF é uma boa oportunidade porque […] você tem já uma carteira diversificada, de diversos tipos de empresas dentro do setor de games”, sinalizou.

Para o analista da Terra Investimentos, Luis Novaes, as melhores oportunidades do setor estão fora do país. No entanto, caso o investidor opte por não querer expandir para o mercado internacional, o analista diz que os BDRs e os ETFs podem ser boas alternativas.

“Eu diria que o melhor a se fazer quando eu falo de oportunidade de investimento seria uma mescla”, afirma Nobile. O analista sugere comprar ativos relacionados à mídia, usando a Microsoft como exemplo, além de empresas mais novas e inovadoras, como a Roblox.

Blockchain e Metaverso

“Eu acho que o setor de games é justamente o setor que mais vai capturar os benefícios desses dois temas”, declarou Saadia.

Segundo o especialista, o blockchain possibilitará a tokenização dentro do mundo dos games, citando a compra de investimentos dentro do jogo ou a partir do desbloqueio de novas conquistas. Em relação ao metaverso, ele explica que os estúdios de jogos possuem grande expertise em desenvolver esses novos ambientes.

“Quem mais tem a capacidade de criar esses universos são os desenvolvedores de games que já fazem isso há mais de décadas.”

O blockchain e o metaverso podem oferecer novas oportunidades para o mundo dos games. [Fonte: Freepik]
Na visão de Nobile, o blockchain e o metaverso devem ter grande impacto no setor. O especialista voltou a citar o Roblox – pontuando shows de artistas que ocorreram na plataforma.

Além disso, ele também apontou que os NFTs podem transformar a maneira de se interagir nos jogos virtuais. “Hoje, um grande problema, por exemplo, é que você vai jogar um FIFA e tudo que você comprou dentro do jogo, você não pode usar em outro jogo”, citou.

“E a NFT de games ela vai permitir que você monetize isso através de vários jogos.”

Show do cantor Lil Nas X que aconteceu dentro do universo de Roblox. [Fonte: Roblox]

E o GTA?

Qualquer aficionado por jogos virtuais sabe que um dos lançamentos mais aguardados para o próximo ano é o GTA – sigla para Grand Theft Auto – VI. O último jogo da franquia foi lançado a mais de 10 anos atrás, o que acumulou uma grande expectativa para os fãs.

Idealizado pela Rockstar Games, subsidiária da Take-Two Interactive, o jogo pode ir muito além do que só uma diversão. Para Nobile, a expectativa para o lançamento do GTA VI pode trazer uma boa oportunidade de investimento a longo prazo na Take-Two Interactive – TTWO na bolsa americana e de BDR T1TW34.

“Ela é uma empresa que vai além do GTA”, explicou. A Take-Two, além da Rockstar Games – que tem outros sucessos como Red Dead Redemption e Bully –, também é dona da Zynga, produtora de jogos famosos para o mobile.

“Então é uma ação interessante quando a gente olha o longo prazo.”

O GTA VI é um dos jogos mais aguardados por fãs dos últimos anos. [Fonte: Rockstar Games]
Por outro lado, Saadia sinaliza que o mercado financeiro pode ser um pouco mais cético em relação à companhia, por conta da grande expectativa depositada no próximo lançamento. O especialista cita o risco de se aplicar em uma companhia com base em um lançamento de muito investimento, mas que pode ser um fracasso. 

JOGO11

Mesmo com a grande diversidade de investimentos que o mundo dos games oferece, existe apenas um ETF na bolsa brasileira voltado à essa indústria, o JOGO11. Cauê Mançanares, CEO e co-fundador da Investo – gestora responsável pelo ETF – explica que o fundo é direcionado para as pessoas que gostariam de ser expostas à indústria dos games de uma forma simplificada.

O JOGO11 replica o ESPO (VanEck Video Gaming & E-sports Index) da gestora VanEck e possui empresas ligadas de diversas formas aos jogos virtuais. 

O ETF JOGO11 é um fundo de índice listado na B3 que replica no Brasil o já conhecido ETF ESPO (VanEck Video Gaming & E-sports Index) da gestora VanEck. 

Principais empresas que compõem o JOGO11. [Fonte: Investo]
“É um segmento que tem gerado muita atenção e tem crescido muito nos últimos anos”, afirmou Mançanares ao expor sua visão sobre o setor. “Você  fica impressionado com as estatísticas quando olha. São dezenas de milhões de pessoas em cada jogo online ao mesmo tempo.”

De acordo com o especialista, a ideia de criar o ETF surgiu a partir da necessidade de se trazer a exposição ao setor de games para o investidor brasileiro e a escolha do ESPO se deu por conta da variedade de empresas que ele oferece.

Apesar do sucesso da indústria nos últimos anos, o JOGO11 negocia, atualmente, abaixo do seu preço de lançamento. O ETF foi divulgado em 2021, quando o mercado relacionado à tecnologia e jogos virtuais estava aquecido. Desde então, o ETF ainda não recuperou o vigor de antes.

Desempenho do JOGO11 desde seu lançamento. [Fonte: TradeNews/Economatica]
“Você tinha uma demanda reprimida ali e é natural que, ao longo do tempo, haja uma correção de mercado”, justificou Mançanares. O especialista também citou que a renda variável está tendo uma retomada nos últimos meses e que lançou o ETF pensando no longo prazo.

“A gente tem convicção que o segmento é muito forte.”

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