O IPCA-15 registrou alta de 0,31% em janeiro, ante dezembro, ficando abaixo das expectativas de 0,47% do mercado. Em relação a janeiro de 2023, o índice acumula alta de 4,47%, desacelerando dos 4,72% e também ficando aquém das projeções do mercado.
Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, sete tiveram alta, sendo que a maior variação e impacto veio do grupo Alimentação e bebidas (1,53% e 0,32 p.p.). Os outros grupos de destaque foram Saúde e cuidados pessoais (0,56% e 0,08 p.p.) e Habitação (0,33% e 0,05 p.p.). Do lado negativo, os Transportes (-1,13% e -0,24 p.p.) foram o grupo de variação mais expressiva.
No grupo Alimentação e bebidas, a alimentação no domicílio (2,04%) voltou a avançar influenciada principalmente por altas nos preços da batata-inglesa (25,95%), tomate (11,19%) e arroz (5,85%). Já a alimentação fora do domicílio (0,24%) desacelerou em relação a dezembro (0,53%), visto que tanto a refeição quanto o lanche perderam ritmo no primeiro mês de 2024.
Em Saúde e cuidados pessoais, o resultado foi influenciado em grande parte pelo avanço dos planos de saúde (0,77%) e pelos itens de higiene pessoal (0,58%). Entre os produtos se destacam o desodorante (1,57%), produto para pele (1,13%) e perfume (0,65%).
Já na Habitação, a taxa de água e esgoto (0,56%) avançou com novos reajustes tarifários em Belém, Belo Horizonte e Porto Alegre e mais do que compensou a queda da energia elétrica residencial (-0,14%), que foi influenciada por alterações na alíquota de ICMS em algumas capitais do nordeste.
Por fim, o grupo de Transportes foi influenciado pela queda acentuada nos preços das passagens aéreas (-15,24% e -0,16 p.p.) após o fim de ano. O item foi mais uma vez o de maior contribuição individual do índice do mês, mas dessa vez do lado negativo. Além disso, todos os combustíveis (-0,63%) continuaram em queda, com destaque para o etanol (-2,23%).
Como o programa do governo de baratear as passagens aéreas está com lançamento previsto para fevereiro, os preços devem continuar em queda.
O primeiro mês do ano traz um resultado bastante influenciado pelos preços das passagens aéreas, que vinham se destacando nos últimos meses de 2023 e indicavam uma retomada do turismo em meio às festas de fim de ano e as temperaturas mais quentes.
De outro lado, os impactos do El Niño sobre os alimentos continuam bastante visíveis em algumas safras mais concentradas na região sul do país, que é a principal prejudicada pelo evento climático.
De todo modo, a desaceleração do IPCA está em linha com as projeções do mercado de inflação ainda mais lenta esse ano, algo que está relacionado com as expectativas de crescimento menor do país em 2024 em função da menor contribuição do agronegócio, que deve ser impactado pelos efeitos duradouros do El Niño.
Sendo assim, mantemos um cenário favorável para novos cortes de juros de mesma magnitude nas próximas reuniões do Copom, mas o risco fiscal permanece como um ponto de atenção.
