Ubiratan Medeiros, 45 anos, é trader há um ano. Advogado, parou de exercer a profissão há sete, quando perdeu um filho e, em seguida, descobriu que a mãe estava com Alzheimer.
Apesar da notícia devastadora, Ubiratan já sabia o caminho dali por diante. “Eu sempre prometi que nunca colocaria minha mãe em um asilo.” O filho, portanto, abandonou tudo para cuidar de quem sempre cuidou dele.
Foram sete anos entre a descoberta da doença e a morte da familiar querida, em outubro de 2022. Nesse período, Ubiratan ocupou-se integralmente aos cuidados com a mãe.
Ele recorda vividamente os efeitos do Alzheimer, o qual descreve como uma doença muito cruel. “A pessoa volta a ser criança”, resumiu.
Cansado, mas não arrependido, Ubiratan sente falta da mãe, mas conserva uma consciência de missão cumprida. “Eu sempre prometi para ela que jamais a abandonaria, e ela só saiu daqui direto para o hospital onde faleceu.”
Entre a prioridade e a urgência
Trabalhar, ganhar dinheiro, construir patrimônio. Tais conceitos da educação financeira viram secundários quando se percebe que o maior investimento possível é na vida de quem se ama.
Apesar de inicialmente tentar manter-se atuante no Direito, o dinheiro que entrava era insuficiente para sustentar os dois e, nos últimos anos da jornada, Ubiratan já não conseguiu mais conciliar a advocacia com o tempo que o estado de saúde da mãe exigia.
A urgência para encontrar uma nova fonte de renda batia à porta.
“Cuidei da minha mãe até o fim e, nesse período, eu descobri as opções.” Aos 45 de idade e recomeçando praticamente do zero, Ubiratan conhecia a bolsa de valores só de ouvir falar até então, mas viu ali sua oportunidade de recomeçar.
O recomeço
“Eu comecei a estudar, estudar, estudar e comecei a operar por uma necessidade. Eu precisava fazer aquilo para ganhar a vida ou senão eu estava perdido.”
Ubiratan opera opções desde o início, e já começou na bolsa enxergando o trading como profissão. Ainda assim, não ficou isento dos erros comuns a traders iniciantes. Ele já fazia certo gerenciamento de risco, mas jamais colocava ordem de stop nas operações.
A prática durou até o primeiro grande tombo.
“Muito embora conseguisse fazer um bom gerenciamento de risco trabalhando em cima do vencimento das opções, comecei, desde então, a sempre trabalhar com stop loss.”
“No meu caso, foi assim que identifiquei a melhor forma para conseguir um efetivo controle de risco.” Todavia, o trader menciona o controle emocional como uma dificuldade ainda persistente.
É comum as opções oscilarem entre positivas e negativas durante as operações, e Ubiratan assume que por vezes realiza lucros de forma precoce, de modo que costumeiramente os lucros sejam insuficientes para cobrir os prejuízos.
Mesmo assim, ele tem visto melhoras na taxa de acerto dos trades. “Aprendi com o tempo que não adianta trabalhar com muitas operações ao mesmo tempo, posto que as chances de insucesso também aumentam.”
Ele começou a fazer operações mais pontuais, “e acredito ser esse o motivo do aumento da taxa de acerto”. Saber identificar o lucro com antecedência ajuda nesse sentido, acrescenta.
Também no mérito da gestão de risco, “antes de entrar numa operação, já sei o quanto estou disposto a perder”, contou ao TradeNews.
Apesar de todo o sucesso, Ubiratan diz que trocaria tudo para ter a mãe de volta – essa, relata, ele gostaria de jamais ter perdido.