Leda Braga: quem é a “engenheira de lucros” brasileira

Leda Braga: quem é a “engenheira de lucros” brasileira

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Nome completo:Leda Maria Passos Faria Braga
Data de nascimento:Abril de 1966
Local de nascimento:Rio de Janeiro, RJ
Formação:Engenharia Mecânica
Profissão:CEO da Systematica Investments
Negócio:A Systematica tem cerca de US$ 13 bilhões em ativos sob gestão

Leda Braga é uma engenheira e executiva brasileira. Ela é fundadora, acionista majoritária e CEO da Systematica Investments, gestora de fundos de investimentos com sede na ilha de Jersey, no Reino Unido. Mulher mais influente do mercado de fundos de hedge no mundo, sua empresa tem cerca de US$ 13 bilhões em ativos sob gestão.

Os fundos da companhia são geridos de forma “quantitativa” ou “sistemática”. Isto quer dizer que as decisões de compra e venda de ativos são determinadas por algoritmos executados por computadores, e não por pessoas.

Em entrevista ao podcast Outliers, do InfoMoney, Leda Braga explicou como a prática funciona. Assim como no modelo “discricionário de gestão”, em que as decisões são tomadas por humanos, a Systematica tem uma equipe de pesquisa que analisa os mais diversos dados do mercado.

“Todos esses dados são usados para produzir boas decisões de investimentos. Nós, no lado quantitativo, tendemos a fazer esta ação via algoritmos”, disse Leda. “Em outras palavras: ao invés de sentar, olhar os dados e decidir que vou comprar ações de determinada companhia – porque ela tem bons fundamentos e perspectivas -, eu olho todo o universo de ações possíveis e acessíveis, e deixo um algoritmo resolver se os números são atraentes ou não”, afirmou.

Ou seja, os profissionais analisam os dados, as estatísticas e desenvolvem os modelos matemáticos que depois serão codificados e implementados por uma equipe de tecnologia. O funcionamento dos algoritmos e as transações são monitoradas diariamente por um terceiro grupo.

“Nossa interação [no processo] é via pesquisa e análise numérica, não temos opinião direta em mercados, os algoritmos é que fazem este trabalho”, disse a gestora. Via de regra, segundo ela, intervenções dos gestores nas operações ocorrem para reduzir a exposição ao risco em situações não previstas quando da elaboração do algoritmo.

Uma das características da gestão quantitativa é a escala. “A gente tende a ter mais posições. E é compreensível. O ser humano, em média, mantém na cabeça seis, oito temas de investimento. A máquina pode monitorar quantas você quiser”, afirmou ela em palestra na conferência Expert XP em 2020, acrescentando que os fundos da Systematica reúnem de 100 a 300 ativos.

Uma consequência dessa escala é a redução de custos, meta que sempre está na mira da gestora. “Os clientes querem eficiência, minimizar taxas, custos de transação, ficam satisfeitos em ter uma economia de escala. Eles querem ser parte de um fundo maior com custos mais diluídos”, disse no podcast Outliers. “O ‘approach’ quantitativo é, em essência, uma abordagem de escala, porque codifica o processo de decisão”, afirmou.

De fato, o fundo Systematica BlueTrend, disponível na plataforma da XP, tem taxa de administração de 0,6% ao ano, mais baixa do que fundos tradicionais de gestão ativa.

Outra característica é a eliminação da emoção no processo, evitando a tomada de decisões sob influência do pânico. “Não tenho permissão para cortar posições só porque estou com medo”, disse Leda Braga. A ideia é confiar no algoritmo e na estratégia que ele representa, resistindo à tentação de intervir em momentos de crise. “Deixar emoções participarem demais do processo de investimento não é uma coisa positiva”, afirmou.

Quem é Leda Braga

Leda Maria Passos Faria Braga nasceu em abril de 1966, no Rio de Janeiro. Estudou no Colégio Santo Inácio, na capital fluminense, onde concluiu o ensino médio em 1982. Desde a infância, ela demonstrava grande aptidão para a matemática.

Em 1982, foi premiada na Olimpíada Brasileira de Matemática e, em 1983, tornou-se a primeira menina a integrar uma delegação brasileira na Olimpíada Internacional de Matemática, que ocorreu em Paris.

Leda Braga cursou Engenharia Mecânica na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e fez mestrado na mesma instituição. O tema de sua dissertação foi “Análise de Tensões de Natureza Térmica sob Comportamento Viscoelástico”.

Em 1988, ela iniciou o doutorado em “Mecânica da Fratura” no Imperial College de Londres. Leda terminou o programa em 1990, passando a dar aulas na instituição, além de liderar projetos de pesquisa. Em 1993, porém, decidiu dar uma guinada na carreira, trocando a academia pelo mercado financeiro. Foi trabalhar no banco J.P. Morgan, onde seus conhecimentos de matemática se mostraram muito úteis.

No banco, Leda Braga trabalhou sete anos como analista quantitativa na equipe de pesquisa de derivativos. Depois, a engenheira atuou como executiva na Cygnifi Derivatives Services, responsável pela área de “valuation”. No jargão do mercado financeiro, “valuation” (“valoração”, em tradução direta) diz respeito ao trabalho de estimar o valor real de algum ativo. A Cygnifi era uma empresa desmembrada do J.P. Morgan.

No J.P. Morgan, Leda Braga conheceu o futuro bilionário Michael Platt, que também trabalhava no banco. Em 2000, Platt fundou a gestora BlueCrest e, em 2001, a brasileira foi trabalhar com ele, tornando-se presidente e chefe da área de negociações sistemáticas da companhia. Em 2004, ela lançou o BlueTrend, fundo que hoje está sob gestão da Systematica.

Carreira e crises que Leda Braga já enfrentou

Ela lembra dois momentos em sua carreira em que o controle emocional se mostrou crucial. O primeiro aconteceu na crise de 2008, desencadeada pelo estouro da bolha das hipotecas subprime nos Estados Unidos. Naquele ano, o fundo BlueTrend teve retorno de 44%, ao passo que seu indicador de referência, o índice global de ações MSCI World, recuou 38,7%.

“Tivemos a capacidade de limitar as emoções, ou minimizar o impacto das emoções”, disse. Antes de qualquer intervenção, sua equipe se reuniu para avaliar as razões para eventuais cortes de risco e identificar as hipóteses usadas no desenvolvimento do algoritmo que estavam falhando. “Ter que justificar matematicamente porquê eu vou cortar o risco, quais são os motivos, é uma atitude muito saudável no processo de investimento”, afirmou.

O segundo momento ocorreu em 2013. Mas, desta vez, o fundo caiu 11,5%, ao passo que o MSCI World avançou 28,9%. Leda relatou que Ben Bernanke, então presidente do Federal Reserve (banco central norte-americano), disse que os EUA iam começar a retirar estímulos econômicos implementados durante a crise financeira, indicando que o período de juros baixos estava terminando.

“O mercado entrou em pânico e houve uma enorme movimentação de ações e de taxas de juros ao mesmo tempo”, disse, ressaltando que esses dois segmentos são “muito correlacionados” e, geralmente, seguem direções opostas em momentos de turbulência. Na época, porém, ocorreu uma “quebra do comportamento usual” e ambos tiveram perdas, assim como o fundo.

Ainda assim, de acordo com a gestora, a manutenção de posições em conformidade com o algoritmo permitiu ao fundo recuperar os ganhos em 2014. “Outros, que cortaram posições, não conseguiram refazer os ganhos”, afirmou.

O caso levou a gestora a “fortalecer os algoritmos” para lidar com situações excepcionais, “quase singulares”, como a mudança da correlação usual entre dois segmentos, a exemplo de ações e juros.

“Foram duas lições: introduzir nos algoritmos a consideração de períodos em que a correlação entre setores se torna singular; e a habilidade de ficar no risco, de analisar por que o processo adotou aquelas soluções, e de defender o processo”, disse Leda.

Em 2021, de acordo com a Bloomberg, o fundo BlueTrend, com US$ 3,6 bilhões em ativos, avançou 2%. Já o fundo Systematic Alternative Markets (SAM), com US$ 5,8 bilhões, teve ganhos de 29%.

Por seu sucesso, Leda é conhecida como “queen of the quants”, ou “rainha dos fundos quantitativos”. Ela afirma, no entanto, que o título a deixa nervosa, pois diz que não construiu nada sozinha. A executiva destaca com frequência os esforços e o profissionalismo de sua equipe.

Em pouco tempo, a Systematica tornou-se uma das maiores gestoras do segmento. “Eu acho que a estratégia quantitativa é o futuro”, prevê Leda.

Voo solo

A Systematica foi criada em 2015, depois que Platt decidiu transformar a BlueCrest numa gestora de seu próprio patrimônio, além de sócios e funcionários, fechada para clientes. Leda levou o BlueTrend para a nova empresa e também outro fundo, o BlueMatrix.

De acordo com Leda, a companhia trabalha com seis grandes fundos e três estratégias principais: a Alpha, mais refinada, em que está o BlueTrend; a Escaláveis, de extrema escala, em que não há limite no tamanho dos fundos e a taxa de administração é mais baixa; e a de Soluções Customizadas. A segunda reúne versões mais baratas da primeira, e a última oferece combinações das outras duas.

Na Alpha, dois fundos são “seguidores de tendências” (“trends”): o BlueTrend e o SAM. O primeiro segue tendências macro e negocia majoritariamente ativos nos mercados futuros, como taxas de juros, índices de ações, moedas, crédito, commodities e outros. O peso de cada setor é semelhante, e a divisão é global.

O segundo é voltado para mercados considerados alternativos ou especializados, como determinadas commodities ou o setor de energia de certo país, taxas de juros de nações emergentes, títulos de crédito e outros. São ativos, em geral, menos líquidos e, portanto, de negociação mais difícil.

Celebridade

Leda cita o magnata Warren Buffett, da Berkshire Hathaway, como uma de suas inspirações. Ela avalia que o norte-americano é “o primeiro investidor sistemático do mundo”. Embora não deixe suas decisões a cargo de computadores, ele “claramente tem uma estratégia sistemática”, segundo a brasileira. “Ele só não se preocupou em desenvolver um algoritmo, em codificar sua abordagem”, afirmou.

Em 2016, Leda figurou entre os 50 gestores de fundos de hedge que mais ganharam, na 44a posição, com US$ 60 milhões em 2015, de acordo com a revista norte-americana Fortune. Isso ocorreu após pouco mais de um ano de operação da Systematica como empresa independente.

Em 2019, 2020 e 2021, a brasileira foi considerada uma das 100 mulheres mais influentes das finanças europeias. Ela e a Systematica já ganharam uma série de prêmios de organizações e publicações do mercado financeiro.

Em janeiro de 2022, Leda e a empresa norte-americana Affiliated Managers Group (AMG) compraram a fatia da Systematica que ainda pertencia à BlueCrest, de Michael Platt. Segundo a Bloomberg, desde 2015, quando se tornou independente, os ativos geridos pela Systematica aumentaram em 50%.

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