Liz Truss reitera apoio a cortes de impostos; IGP-M tem nova deflação

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As bolsas da Europa registram queda nesta quinta-feira (29), após a primeira-ministra do Reino Unido, Liz Truss, defender um plano de cortes de impostos que abalou os mercados financeiros. Os futuros de Nova York também operam em baixa, sugerindo que Wall Street retomará o tom negativo recente depois de uma breve recuperação ontem, quando uma intervenção do Banco da Inglaterra (BoE) trouxe algum alívio aos mercados financeiros. Temores de recessão em meio à tendência global de aperto monetário seguem comprometendo o apetite por risco. 

Ao longo do dia, investidores vão acompanhar dados econômicos dos Estados Unidos, incluindo a leitura final do PIB do segundo trimestre, e comentários de dirigentes do Federal Reserve (Fed). Além disso, a China divulga os índices oficiais de gerentes de compras (PMI) composto, industrial e de serviços.

De volta às praças europeias, Truss rejeitou críticas e um apelo público do Fundo Monetário Internacional (FMI) para suspender seu plano de cortes de impostos hoje mais cedo. Falando à rádio BBC, a premiê disse estar disposta a tomar “decisões difíceis” para ajudar na recuperação da economia britânica.

Na última terça-feira, o FMI comentou sobre os novos planos financeiros do Reino Unido, alertando que “pacotes fiscais grandes e não direcionados” provavelmente aumentariam a desigualdade na Grã-Bretanha e poderiam minar a política monetária. O comentário veio em resposta a uma pergunta da Reuters depois que a libra atingiu uma baixa histórica em meio a crescentes preocupações do mercado. 

Mas Luis de Guindos, vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), acredita que políticas fiscais não devem provocar inflação, segundo discurso durante evento promovido pelo BC da Lituânia e pelo Banco de Compensações Internacionais.

Ele defendeu que medidas fiscais sejam temporárias e direcionadas às famílias e empresas mais afetadas por períodos de inflação alta.

Enquanto isso, os indicadores econômicos continuam decepcionando na Europa. O índice de sentimento econômico da Zona do Euro, que mede a confiança de setores corporativos e dos consumidores, caiu de 97,3 pontos em agosto para 93,7 pontos em setembro, atingindo o menor patamar desde novembro de 2020, em meio à inflação recorde e a perspectivas de recessão no bloco. 

O resultado ficou bem aquém da expectativa de analistas consultados pelo The Wall Street Journal, que previam queda do indicador a 96 pontos. Além disso, a leitura de agosto foi revisada para baixo, de 97,6 originalmente.

Ainda na Europa, o integrante do Conselho do BC da Europa, Fabio Panetta, defendeu há pouco que a cooperação entre os setores público e privado é fundamento para a criação de uma moeda digital emitida por banco central (CBDC, na sigla em inglês).

“Isso garantirá que o dinheiro público seja disponibilizado em formato digital e que soluções inovadoras de pagamento de varejo pan-europeias possam surgir”, afirmou, em discurso no Parlamento Europeu.

O dirigente informou que o BCE já decidiu um conjunto preliminar de características do desenho de um euro digital. Apesar dos avanços, Panetta esclareceu que o banco ainda não tomou uma decisão sobre o eventual progresso para a fase de execução do projeto, o que deve acontecer só em outubro do ano que vem. De acordo com ele, também não há definição sobre se a CBDC será, de fato, emitida.

As bolsas da Ásia fecharam sem direção única, com algumas praças impulsionadas pelos ganhos de ontem em NY. As bolsas da China e Hong Kong, no entanto, registraram queda. 

Por aqui, a agenda do dia traz o Relatório Trimestral de Inflação (RTI) do Banco Central, com posterior coletiva com o presidente da instituição, Roberto Campos Neto, e do diretor de política econômica, Diogo Guillen. Há também a leitura de setembro do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M). 

O IGP-M teve deflação de 0,95% em setembro, após queda de 0,70% em agosto. Em 12 meses, o índice acelerou a 8,35% em setembro. O resultado veio acima do esperado pelo Projeções Broadcast, que previa deflação de 0,89%.

Em relação ao petróleo, impulsionada pela compra de campos maduros da Petrobras, a produção de pequenas e médias petroleiras passou de 3 mil para 150 mil barris por dia (bpd) em cinco anos. Essa expansão vai acelerar no curto prazo, quando campos já negociados mudarem de mãos e suas operações forem recauchutadas, aponta a Associação Brasileira de Produtores Independentes de Petróleo e Gás (Abpip), que reúne 39 empresas.

Em que pese a justa euforia do setor, executivos reunidos pela entidade no Rio de Janeiro, por ocasião da Rio, Oil & Gas, afirmam que o avanço da produção independente no Brasil será mais agressivo e sustentado quanto menor for a burocracia estatal e mais ajustado forem os royalties a sua realidade financeira.

No front político, o dia é de debate. Candidatos a presidente da República se enfrentam no último debate presidencial antes das eleições do domingo (02). Promovido pela Globo, o embate acontece na sede da emissora no Rio de Janeiro e será transmitido a partir das 22h30.

Desempenho dos principais índices às 7h55:

🇺🇸 S&P Futures -0,91%

🇩🇪 DAX -1,17%

🇺🇸 Nasdaq -1,25%

🇬🇧 FTSE -0,81%

🇫🇷 CAC -1,16%

🛢 Petróleo Brent +0,45%

🛢 Petróleo WTI +0,52%

💵 Índice Dólar +0,52%

🇺🇸 S&P VIX +4,61%

🇧🇷 EWZ -3,00%

💰 Bitcoin +2,37%

💲 Ethereum +2,71%

 

(Com Agência Estado)

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