Mercado imobiliário da China mergulhou em grave depressão, diz gigante do setor de imóveis

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Uma das maiores incorporadoras da China, a Country Garden, afirmou que o mercado imobiliário do país mergulhou em uma grave depressão, usando algumas das palavras mais fortes até agora para descrever a crise que já dura um ano e a dor financeira que ela gerou.

A Country Garden reportou nesta terça-feira (30) uma queda de 96% no lucro do primeiro semestre, após vender um terço a menos de casas do que em 2021. Nos primeiros seis meses de 2022, a empresa obteve o equivalente a US$ 89 milhões de lucro, contra US$ 2,2 bilhões no mesmo período do ano passado.

A incorporadora imobiliária, que durante anos foi classificada como a maior da China por vendas contratadas, tem sede em Guangdong. Segundo eles, o mercado tem lutado contra expectativas enfraquecidas, demanda lenta e declínios nos preços dos imóveis.

“Tudo isso exerce uma pressão crescente sobre todos os participantes do mercado imobiliário, que escorregou rapidamente em uma grave depressão”, disse a empresa. Eles ainda acrescentaram que o ressurgimento do Covid-19 em cidades da China também desacelerou a atividade de construção e pesou no desempenho.

A empresa há muito é considerada uma das incorporadoras financeiramente mais fortes da China, mas, como muitos de seus pares, tem se esforçado para superar uma crise de confiança que levou os compradores de imóveis e investidores a se afastarem do mercado imobiliário chinês.

Suas ações e os preços dos títulos em dólar despencaram este ano, apesar das repetidas tentativas da Country Garden de convencer o mercado de que pode resistir à crise. Recentemente, a empresa esteve entre um grupo de desenvolvedores escolhidos pelo governo para vender títulos domésticos segurados sob um novo programa piloto.

Mais de 30 empresas imobiliárias chinesas, incluindo China Evergrande e Sunac China, já deram calote em suas dívidas internacionais. Muitos desenvolvedores privados emitiram alertas de lucro este mês – alguns estimam uma redução de mais de 90% no lucro líquido, outros têm expectativa de registrar perdas.

A Midea Real Estate, outra incorporadora chinesa, relatou na semana passada uma queda de 29% no lucro líquido e afirmou que a desaceleração imobiliária no primeiro semestre ocorreu em meio a “mudanças profundas nunca vistas no último século” e à persistente pandemia de Covid.

“O mercado imobiliário está passando por um processo cruel e drástico de reorganização”, complementou. Ainda acrescentou que iria “avançar de maneira difícil”.

A deflação da bolha imobiliária da China também se espalhou para outros setores, incluindo os bancos privados e as maiores gestoras de ativos estatais, especializadas em administrar carteiras de empréstimos problemáticos e dívidas em dificuldades.

A China Cinda, maior administradora de inadimplência do país, divulgou ontem lucro de US$ 653 milhões no 1T22, queda de 33%, em parte porque registrou maiores perdas devido à redução do valor recuperável em seus ativos.

A empresa comunicou que o governo chinês está “enfrentando um ambiente de desenvolvimento cada vez mais complexo, sombrio e incerto”, ao implementar medidas de controle da pandemia e tentar estabilizar a economia.

A concorrente da Cinda, a China Huarong, reportou um prejuízo líquido de US$ 2,7 bilhões no primeiro semestre, prejudicada em parte pela desaceleração do setor imobiliário. A empresa, que pertence parcialmente ao Ministério das Finanças da China, descreveu as condições econômicas do país como “extremamente complexas e difíceis”.

O braço financeiro internacional da Huarong previu separadamente que, no segundo semestre, a China enfrentará vários desafios, incluindo pressão sobre investimentos, gastos do consumidor e comércio de exportação.

Entretanto, a Country Garden divulgou uma nota otimista para o futuro nesta terça (30), em que diz que a economia da China é resiliente, permanece posicionada para o crescimento de longo prazo e a urbanização do país ainda está em andamento. “O setor imobiliário sempre existirá”, acrescentou a empresa.

O presidente da empresa, Mo Bin, pediu desculpas aos investidores pela queda acentuada no lucro durante uma teleconferência de resultados. Mo disse que a empresa continuará ajustando suas estratégias e se concentrará em manter um equilíbrio entre seu fluxo de caixa, ativos, dívidas e lucros. O mercado imobiliário chinês voltará a um estágio de desenvolvimento saudável em junho de 2023, previu.

 

 

(Com Dow Jones Newswire)

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