Momentos extremos, medidas extremas

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Estamos vivendo agora um sincronismo entre as políticas monetárias dos bancos centrais ao redor do mundo, fenômeno quase nunca visto em ciclos anteriores. A pandemia de Covid-19 acabou sincronizando a fase do ciclo na qual se encontram as economias da maior parte do mundo, primeiro com uma queda generalizada da atividade em função dos lockdowns. Agora, com o retorno pós-vacina, vivemos um problema generalizado de alta inflação decorrente dos estímulos fiscais gigantescos empregados no suporte às pessoas durante a pandemia. Com pouquíssimas exceções (i.e. China), os BCs têm subido juros para conter a alta da inflação. Nesse aspecto, alguns foram na frente, nomeadamente países em desenvolvimento, e têm sido seguido pelos países desenvolvidos.

O caso americano pode ser considerado interessante. O Fed por um bom tempo (durante boa parte do 2º semestre de 2021 e início de 2022) errou em suas previsões, ao afirmar que a inflação era transitória, e demorou para agir. Porém, uma vez corrigido o diagnóstico, tem agido com a maior velocidade vista nas últimas décadas num ciclo de alta.Line chart comparing the speed of interest rate hikes over cycles since 1988. The 2022 cycle is the fastest with the effective federal funds rate rising 2.36 p.p. in six months

O Brasil saiu na frente e, desde março de 2021, subiu suas taxas para fazer frente ao fenômeno inflacionário. Muitos outros países seguiram esse caminho e atuaram precocemente. Teremos uma vantagem na velocidade de normalização da taxa de inflação, bem como, das demais condições macroeconômicas. Pode-se dizer que “fizemos nossa lição de casa” e estamos na frente nesse ciclo.

Essa alta “precoce” protegeu nosso câmbio BRLUSD (e de vários desses outros países) de desvalorizar na hora que a principal economia global sobe suas taxas de juros. Vemos agora a força do dólar americano contra a maioria das moedas. As cotações das divisas de países desenvolvidos derreteram nos últimos meses contra o dólar (i.e. euro, libra esterlina, iene japonês). Já as de emergentes têm segurado bem e evitado a desvalorização (i.e. várias moedas de países latinos, do leste europeu, entre outras).

Outra forma de ver o momento no qual vivemos é a velocidade e magnitude do ajuste. Enquanto os EUA vivem o aperto mais rápido dos últimos anos, nós também vivemos o aperto mais rápido desde a entrada do Lula em seu primeiro mandato (2002). Não só isso, mas fizemos o maior ajuste de nosso histórico nessas últimas duas décadas (+11,75% de alta entre março de 2021 e agosto de 22).

 

Os dois ciclos em amarelo foram considerados um só na linha imediata a baixo (“um” ciclo de alta em “dois pedaços”). [Gráfico: BRA BS/Banco Central do Brasil]
E o que fazer num momento de mudanças tectônicas nas economias? Aproveitar as altas taxas de juros que temos no atual momento, pois elas certamente não durarão. Os pré-fixados entre 3-10 anos potencialmente já tiveram seu melhor momento (taxas têm fechado nos últimos 2 meses). Em segundo lugar, considerar que com o início da baixa na SELIC, esperado na média pelos agentes de mercado entre o 2º e 3º trimestres de 2023, teremos algumas classes de ativos que se beneficiarão da queda de juros. A mais óbvia são fundos de investimentos imobiliários (FIIs) e outros ativos com fluxos de caixa garantidos por contratos de médio a longo prazos, como investimento em dívida de infraestrutura (fundos de infra de dívida). Talvez, num terceiro momento, com a estabilização dos mercados globais, e a queda nas precificações de ativos reais de forma generalizada nesse ano, seja o momento de começar a voltar para o risco.

Precisa de ajuda para fazer essas coisas? Estamos à sua disposição através de seu assessor financeiro aqui na BRA BS/.

Tenha um bom final de 2022. Que venha o Hexa!

 

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