Na contramão da recessão global, o Brasil encontra oportunidades de crescimento

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A economia brasileira melhorou, com crescimento consistente do PIB e criação de empregos. Enquanto isso, o mundo ruma para uma recessão após uma das mais intensas ondas inflacionárias da história recente. Esse reequilíbrio é considerado necessário para a normalização da oferta e da demanda e, apesar de retrações geralmente serem interpretadas como algo negativo, há oportunidades, tanto para o país, quanto para os investidores.

Para se ter uma melhor compreensão do contexto, é preciso analisar o desempenho das maiores economias do mundo e suas perspectivas. A maior de todas, os Estados Unidos, entrou em recessão técnica, e o Federal Reserve (Fed) está disposto a sacrificar o crescimento econômico em prol do controle da inflação. A China amarga números abaixo do esperado, e a Europa vive uma tempestade perfeita, com alta de preços e pressões negativas sobre setores-chave, como já abordamos por aqui.

Um sinal de arrefecimento já pode ser observado no preço das commodities. A cotação do petróleo, por exemplo, caiu mais de 30% entre junho e agosto, puxada pela redução da demanda. O passo para trás no crescimento, no entanto, ajuda a reduzir a pressão inflacionária: um bom exemplo vem dos combustíveis, que vêm ficando mais baratos em diversos países. Com isso, as autoridades monetárias podem relaxar os aumentos de juros que vêm aplicando até então.

Por isso, ainda que se espere que o Fed eleve a taxa básica de juros da economia americana para acima de 2,5% em setembro, a deflação no horizonte pode indicar que o aperto monetário seja menos intenso. Boa parte do mercado ainda concorda que o pico da inflação por lá já passou. Situação semelhante se vê no Brasil, onde o Banco Central pode ter elevado a Selic a um topo, patamar que deve ser mantido até meados do próximo ano, enquanto a curva dos preços segue para baixo.

No gigante asiático, porém, é curioso notar que a postura é oposta: o PBoC (Banco Popular da China, a autoridade monetária do país) começou a cortar os juros para estimular a economia. O “Império do Meio” também anunciou estímulos fiscais com foco no setor de infraestrutura, também com essa finalidade. Trata-se de uma pisada no acelerador depois do freio brusco causado pelas medidas de lockdown.

Por aqui, o PIB cresceu acima das expectativas no segundo trimestre, avançando 1,2% em relação ao período anterior e 3,2% em um ano, com números positivos em quase todos os componentes. Os destaques ficaram com o setor da construção civil, que registrou oito trimestres seguidos de crescimento, impulsionado pelo aumento da demanda interna e o início da normalização das cadeias globais de suprimentos. A injeção de renda na economia também fez o consumo das famílias decolar. Esses mesmos fatores devem proteger o país dos impactos da recessão mundial ao longo do segundo semestre e também em 2023.

Um bom sinal para nós é que os preços ao atacado de alimentos e bens industriais estão em campo negativo – tendência reforçada pelo Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), cuja prévia de setembro caiu 0,8%, a segunda deflação seguida. O recuo pode indicar que esse rumo se estenda parcialmente aos preços ao consumidor. Inflação menor este ano pode beneficiar os indicadores do ano que vem, pois haverá menos pressão sobre reajustes de bens administrados, como energia elétrica, água e esgoto, medicamentos e planos de saúde, por exemplo.

Nesse cenário, a diversificação dos investimentos se torna ainda mais necessária. Aplicações de renda fixa que acompanham a inflação seguem relevantes, mas é importante montar uma carteira que também inclua títulos pré e pós fixados, atrelados a outros indicadores e com diferentes prazos. Assim, o dinheiro aplicado se torna mais resiliente aos diversos cenários futuros possíveis.

Já na renda variável, como a situação demanda cautela, o ideal é aplicar em segmentos tidos como mais seguros, como os relacionados a commodities e que apresentam um histórico sólido de crescimento. Mesmo havendo queda no preço dos produtos minerais, as commodities agrícolas, por exemplo, não seguem a mesma tendência. Além disso, vale destacar que a volatilidade acentuada desses tempos cria oportunidades, sobretudo para investidores com foco no longo prazo.

Nos próximos meses, haverá mais clareza quanto aos rumos da economia em 2023, algo fundamental para se traçar estratégias de investimento. Caso a inflação siga persistente, ativos como as commodities tendem a se beneficiar, bem como o Brasil, por ser um grande produtor. Se a recessão for aguda, pode haver uma migração de capitais para mercados mais seguros, como os países desenvolvidos. Torçamos, então, para que a desaceleração seja moderada e suficiente para frear os preços, algo que atrairia mais investidores para o país e pavimentaria o caminho para uma próxima fase da retomada.

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