Manutenção dos juros americanos pode não durar muito

O Federal Open Market Committee (FOMC) vai anunciar na próxima quarta-feira (01) o futuro da taxa de juros dos Estados Unidos. Predomina a expectativa pela manutenção da taxa-alvo, conforme projetado pelo Federal Reserve (Fed) na reunião de setembro. Dessa forma, os juros básicos devem permanecer no patamar de 5,25% a 5,50%.

Atualmente, o Fed está em um momento de pausa dos aumentos da taxa básica para avaliar os dados macroeconômicos e esperar os efeitos dos aumentos mais recentes chegarem até a economia, de acordo com Marco Ferrini, analista de macroeconomia da Benndorf Research.

“O cenário ideal para consolidar um encerramento do ciclo seria uma desaceleração da atividade econômica, do mercado de trabalho e da inflação”, explica o analista.

Segundo os recentes discursos do presidente do Fed, Jerome Powell, será feito o que for necessário para manter a inflação controlada e proporcionar um crescimento econômico sustentável, diz Cauê Mançanares, CEO da Investo.

“Por isso, o mercado interpreta que é possível que haja mais aumentos no futuro”, explica.

Apesar da economia americana ter vindo forte, com o avanço de 4,9% do PIB, bem acima do esperado, existe uma pressão muito grande nos treasuries e nos yields, que favorece a alta, segundo Renato Nobile, gestor e analista da Buena Vista Capital.

Ele também destaca a recente queda significativa do preço do petróleo, descrevendo a desvalorização da commodity como um “aliviador” de pressão inflacionária.

Nobile argumenta que é possível ver que a economia americana começa a indicar sinais de fadiga, através do endividamento do cartão de crédito e financeiro de veículos no país, o que gera um crescimento mais leve.

“A questão não é mais é aquele ‘higher for longer’, de manter a taxa mais alta. É ‘how long’, quanto tempo vão mantê-la assim”, afirma o gestor.

Efeitos secundários da taxa americana

Como os Estados Unidos são a maior economia, possuem o maior mercado e são vistos como um “porto seguro” mundial, os juros americanos atuam como um termômetro do apetite ao risco do globo, podendo ampliar ou reduzir os fluxos nos mercados, diz Marco Ferrini.

Ele explica que os juros americanos influenciam no valor do dólar, afetando o comércio internacional, o preço de títulos de dívida pública, o custo de empréstimos e o preço das commodities. 

“Além disso, os juros americanos também pressionam os juros dos outros países, contribuindo para manter as taxas básicas de outras nações elevados em tempos de alta, visando evitar fuga de capitais e o aumento da inflação, e aliviando a pressão em tempos de baixa”, acrescenta o analista.

Cauê Mançanares destaca que no Brasil a taxa Selic possui um piso mínimo que depende da taxa de juros americana, do risco Brasil, do prêmio de risco e da desvalorização cambial. 

“Reduzir a Selic a patamares abaixo desse piso provocaria uma fuga de capitais do Brasil para outros mercados”, conclui o CEO.

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