A compra da fatia majoritária do Americas Trading Group (ATG) pelo Mubadala Capital é a responsável pelo recuo de quase 3% nas ações da B3 [B3AS3] nesta semana, de acordo com Niels Tahara, head de análise fundamentalista da Benndorf Research.
Com a aquisição, o Mubadala Investment Company, um dos maiores fundos do mundo, do qual a Mubadala Capital é subsidiária, ampliou seus investimentos em infraestrutura financeira no país. A aquisição gerou especulações para um possível reinício do projeto de abrir uma concorrente da B3, isto é, uma nova bolsa no Brasil.
A ATG é uma empresa de negociação de ativos financeiros, que vem tentando se tornar concorrente da B3 há algum tempo. “A criação de uma nova bolsa é possível, mas entendemos que ainda é difícil”, afirma Tahara.
O monopólio da B3 no ramo permite diversas vantagens, como estrutura e expertise sólida e eficiência, que criam barreiras e dificultam a entrada de novas companhias no setor, segundo o analista. Niels ainda aponta o tamanho do mercado de capitais no país como um obstáculo para a ATG.
Segundo ele, a pequenez do mercado gera preocupações quanto à viabilidade de duas bolsas no país. “Entendemos que o processo de criação de uma nova bolsa, caso aconteça, deva levar tempo.”
Mais uma bolsa?
Caso as especulações se confirmem, “o impacto dependerá do tamanho do investimento e do interesse de grandes investidores”, diz Niels. O analista lembra que, em 2022, a CVM autorizou a negociação de block trade no mercado de balcão, o que na prática também facilitaria a concorrência para a B3.
A fintech SL Tools surgiu como a principal candidata, aguardando a licença para operar no mercado de balcão organizado, mas pouco aconteceu.
Para o analista fundamentalista, as medidas são muito incipientes e, caso realmente surja uma concorrente, o impacto será neutro para a B3 a princípio.
B3SA3
Apesar de gostar da empresa, que, segundo Niels, é uma boa geradora de caixa, a recomendação é neutra para o ativo, principalmente devido à “pouca margem de segurança no preço atual”, quando considerado o cenário macroeconômico mais adverso para o mercado de renda variável, que ainda é a principal fonte de resultados da B3, ainda que ela venha diversificando suas operações nos últimos anos.