O BC vai estourar a meta da inflação em 2021: o que acontece nesses casos?

O BC vai estourar a meta da inflação em 2021: o que acontece nesses casos?


Não é para se empolgar não, mas o IPCA, o índice oficial da inflação no Brasil, veio abaixo do esperado para o mês de novembro. O resultado pode trazer um alívio no curto prazo, já que quebrou o círculo vicioso de surpreender sempre para cima, gerando uma expectativa ainda maior no aumento de preços.

Curiosamente, um dos itens que ajudou a reduzir o IPCA foi o…perfume. O item de cuidados pessoais teve uma queda de 10,66% no mês, o que, sozinho, tirou 0,06 ponto percentual da inflação de novembro. Essa queda poderia ser explicada pelos descontos da Black Friday ou pela redução de consumo de itens considerados supérfluos.

Lembra que pedimos para não se empolgar? Pois é. Ainda não há motivos para comemorar: por mais que o IPCA tenha surpreendido para baixo, a projeção para este ano – e para o ano que vem – continua acima da meta do Banco Central.

Esta não é uma prerrogativa do Brasil. Segundo uma pesquisa informal da Bloomberg com gestores de fundos, a mudança apressada da política monetária de bancos centrais pelo mundo, ansiosos para domar a inflação, é, simplesmente, o maior risco para as bolsas globais em 2022.

Por aqui, a meta da inflação é definida pelo Conselho Monetário Nacional, formado pelo Ministro da Economia, o presidente do Banco Central e o Secretário Especial de Fazenda. Para 2021, o objetivo era que a inflação ficasse em 3,75%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo (entre 2,25% e 5,25%, portanto). Perfumarias à parte, estamos com a inflação acima de dois dígitos. Sinal que ultrapassar a meta nem sempre é positivo, viu chefe?

Ok. Mas o que acontece se o BC não bater essa meta?

Quando isso acontece, o presidente do BC precisa se justificar em uma Carta Aberta ao ministro da Economia, contando os motivos para o descumprimento da meta. Assim mesmo, como se ninguém soubesse o que está acontecendo. Nessa carta, ele precisa explicar também quais medidas serão tomadas e quanto tempo levará para ajeitar o curso da inflação.

Não é a primeira vez que isso acontece. Já aconteceu em 2002, 2003, 2004, 2016 e 2018 e as cartas dos antigos presidentes do BC explicando suas razões para ultrapassar a meta, estão disponíveis no site do BC.

Mas há um outro efeito disso: o descumprimento da meta da inflação indica que os preços estão aumentando acima de um nível considerado razoável e piora a percepção de risco do Brasil, frente aos investidores internos e externos. E tudo isso, como já se sabe, pode levar um efeito dominó na economia. Aguardemos cenas dos próximos capítulos.

 


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