Recentemente, o mercado pôde testemunhar um salto de 108.335,07 pontos do Ibovespa em 31 de maio para um pico de 120.420,75 pontos em 21 de junho.
Entretanto, o estrategista de investimentos da Nomos, Max Bohm, e o diretor de investimentos da empresa, Beto Saadia, indicaram que essa alta não foi acompanhada de dois fatores bem importantes: aumento no fluxo de capital e melhora nos múltiplos das empresas que compõem a bolsa.
Por que o Ibovespa subiu tanto?
Do ponto de vista fundamentalista, Max explica que essa alta decorre em muito do fechamento na curva dos juros futuros, com a melhora no ambiente fiscal a partir da aprovação do arcabouço no Congresso e também com o controle maior da inflação.
Isso acabou reduzindo a taxa de desconto no valuation de diversas empresas, diminuindo também o risco, o que já atrai diversos investidores a comprarem mais ativos.
Já na análise técnica, Victor Benndorf, sócio-fundador e analista chefe da casa de research que leva seu sobrenome, indica que, antes deste último rali, o Ibovespa já vinha em pullback e tendência de alta no curto prazo.
Houve um descanso do índice na região dos 108 mil pontos, que o analista caracterizou como um antigo e bem testado suporte, antes de retomar a tendência de alta.
E agora?
No momento, o índice sofre com uma resistência relevante, testada pela terceira vez desde 2022, disse Benndorf.
“Muito da queda de juros já está embutida também nesse preço. Ou seja, o rali atual (já) precificou boa parte da queda de juros futuros e aproveita a resistência para reavaliar o cenário”, explicou.
Tanto ele quanto Max classificam o momento atual do Ibovespa como bem interessante.
O analista técnico é mais cauteloso e alerta aos investidores para que monitorem se o descanso atual do índice não pode dar lugar a um movimento corretivo mais forte.
“Por enquanto, não vemos gatilhos para um fluxo vendedor agudo, No lado comprador, um sólido rompimento dos 120 mil (pontos) deve dar sequência ao pullback com próximo alvo nos 130 (mil pontos)”, afirmou Benndorf.
Já Max acredita que a queda da Selic deve trazer um reflexo positivo para o índice.
Em olhar mais a longo prazo, ele disse que os investidores devem se posicionar em bolsa, porque o Ibovespa pode subir de 10% a 15% nos próximos meses. Ele também chama atenção às small caps.
“O Ibovespa pode ter um upside mais restrito, mas as small caps ainda estão muito deprimidas, estão muito pra trás e podem ainda subir 30%, 40%, 50% nos próximos meses”, declarou.
Por que um fluxo tão baixo?
Como mencionado no início, o fluxo de capital durante esse rali não foi tão alto quanto o esperado.
Max explica que grande parte desse dinheiro vem dos investidores internacionais, os quais ainda esperam um sinal mais forte, por parte do governo, de que o Brasil é um país seguro para aportarem seus investimentos.
Entretanto, o fluxo de capital pequeno não é só por parte dos gringos.
Max aponta que o institucional brasileiro segue com a parcela de ações menor do que a média histórica, mas acredita que, aos poucos, serão aportados mais recursos.
Além disso, a pessoa física também não vem investindo tanto na bolsa, com uma predileção maior à renda fixa, segundo o especialista, já que o cenário segue sendo de juros altos.
“A partir do momento que cair a taxa Selic, acredito que os investidores (que são) pessoas físicas começam a portar em fundos de ações e, consequentemente, esses fundos de ações vão comprar ações trazendo fluxo para a bolsa.”
Tem múltiplos melhores no horizonte?
A queda da Selic também deve auxiliar os resultados das empresas, de acordo com Max. Com o corte nos juros, deve haver uma redução nas despesas financeiras e, por consequência, um crescimento do lucro das companhias, disse Max.
Isso, de acordo com ele, deve levar a uma queda nos múltiplos de grande parte das empresas ou, pelo menos, devem permanecer estáveis.
Todavia, Max explica que essa melhora não deve ocorrer tanto nos resultados do segundo trimestre, mas sim nos mais adiante, como o terceiro e o quarto, quando for mais concreta a resposta do Banco Central em relação aos juros.