A proximidade do recorde histórico de 130 mil pontos se acentua, à medida que também se aproxima o período conhecido como “Santa Claus rally”.
O último mês do ano começa em uma sexta-feira, coincidência emblemática para celebrar a saída do melhor mês do mercado brasileiro desde novembro de 2020. Com 12,5% de alta, o Ibovespa abriu dezembro com 127 mil pontos, não vistos desde julho de 2021.
Não surpreenderia se o índice fechasse 2023 aos 130 mil pontos, atingido pela primeira vez há dois anos. Considerando os fatores que desencadearam a alta do Ibovespa em novembro, inicialmente a tendência é de continuidade da valorização dos ativos nacionais.
“Como a política dos bancos centrais hoje está muito dependente de dados, traçar um rumo muito concreto para a política monetária, e até mesmo para um futuro próximo, é algo perigoso”, explica. Um salto expressivo do petróleo, por exemplo, provavelmente geraria estresse na curva de juros e, consequentemente, movimento corretivo para as bolsas.
Victor se resguarda de projeções mais concretas em face da apontada relação entre os BCs e indicadores macroeconômicos. Ainda assim, dado o cenário inflacionário global mais tranquilo, Ele não vê espaço para fortes retrações nos mercados, conquanto os índices de preços e cotações de commodities mantenham-se em desaceleração.
“Minha expectativa é a seguinte: se os dados macroeconômicos continuarem favoráveis e os mercados estiverem estáveis – […] ou seja, começando a lateralizar –, eu vejo mais upside [potencial de alta] aqui para o Brasil e a continuação do movimento de alta com alvo até 130 mil pontos.”
Os Estados Unidos reportaram dados melhores que o esperado em novembro, da inflação ao mercado de trabalho. De acordo com Apolo Duarte, planejador financeiro CFP®, os números levaram à mudança de tom de alguns membros do Fed nas últimas semanas.
A consequência foi uma queda na taxa de juros de longo prazo nos EUA, de modo que o mercado por lá já começou a precificar um corte de juros para o início de 2024, acrescenta. “Isso trouxe um apetite a risco muito maior em escala global.”
A mão que balança o berço
De acordo com Max Bohm, estrategista de ações da Nomos, 90% da alta do Ibovespa no mês passado foi reflexo do fechamento dos juros futuros dos EUA. O alívio na curva liberou o investidor estrangeiro para buscar os mercados emergentes, entre os quais o Brasil se destaca.
Os retornos dos chamados yields recuaram da máxima histórica de 5% para 4,3% ante a mudança de tom no comunicado do Fed posterior à última reunião. Assim, após três meses de saída do capital estrangeiro da B3, os gringos fizeram o maior aporte mensal em três anos.
Max e Apolo apostam na continuidade da valorização do Ibovespa neste fim de ano. “A gente pode ter alguma realização em algum momento de dezembro, mas acho que vamos ter sim um ‘ralizinho’ de final de ano, principalmente tendo a Vale como protagonista”, destaca o estrategista da Nomos.
A Vale [VALE3] acumula mais de 9% de queda em 2023. Em novembro, foram 7% de alta, acompanhando o impulso do minério de ferro – o qual também tende a se manter. “Teve um alívio de compressão em relação à China, por conta de ela ter melhorado as condições de crescimento”, pontuou Apolo.
O quadro fiscal do Brasil, entretanto, pode suscitar uma realização de lucros no Ibovespa, dizem ambos os especialistas.
Mar vazio tem ondas mais fortes
A perspectiva de mais alta do Ibovespa em dezembro guarda também a promessa de menor volatilidade. É o rali do Papai Noel – Santa Claus rally, no original de Wall Street –, apelido do costumeiro salto das bolsas, nos EUA e Brasil, nos últimos dias do ano, batendo à porta.
“Símbolo antiquíssimo do mercado”, na definição de Victor Benndorf, o evento comprovadamente acontece todos os anos, atrelado aos fundos de investimento. “Os fundos geralmente tentam puxar, se é possível fazer isso, aquela respirada no desempenho”, de modo a melhorar o registro da performance anual.
Enquanto os fundos aproveitam o fim de ano para melhorar o retrato, muitos traders deixam o mercado de lado para curtir a época de festas. O resultado é uma grande quebra na liquidez. Victor Benndorf recomenda mais cuidado nas operações durante o período.
Quem quiser seguir com o day ou swing trade, entretanto, não deve mudar de estratégia diante do mercado mais parado. “A estratégia não está atrelada ao período anual, mas sim ao que já temos recomendado observar nos mercados”, pontua Victor.
Enquanto não há movimento corretivo pontual, pivôs de alta que possibilitem melhores controles de risco, o especialista reitera a recomendação de sido maior seletividade para as operações de curto prazo.