Os meandros da inflação e a dor de cabeça para o Copom

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O IPCA é só a ponta do iceberg na análise de inflação pelo Banco Central. E é por isso que, mesmo que o principal índice de preços do país mostre abrandamento, a autarquia segue reticente quanto a novos cortes de juros. 

Tal se dá porque a pressão inflacionária não se mede apenas pelos preços correntes. As expectativas de inflação também têm forte peso, dado seu impacto direto na inflação futura.

Variação do Copom de março de 2021, início do ciclo de aperto monetário, a junho de 2024. [Fonte: IBGE]
“O que está na mesa da reunião do Copom é uma inflação corrente cada vez melhor, porém uma expectativa de inflação cada vez pior”, diz Beto Saadia, diretor de investimentos da Nomos, em referência à decisão desta quarta-feira (19).

É difícil explicar a dinâmica das projeções. “Inflação é um dos temas menos entendidos da economia”, admite Beto, e o impacto da expectativa na inflação corrente “é um mistério ainda maior”. 

Isso porque a inflação futura não depende apenas dos movimentos de mercado registrados no Boletim Focus, um compilado semanal de estimativas, e na curva de juros, registro dos contratos negociados no mercado, mas também das reações e preferências das famílias e empresários ao cenário econômico. 

Há um elemento crucial no mapeamento das projeções. A partir da subtração do rendimento de um título de renda fixa prefixada – cujos rendimentos são fixos ao longo do tempo – pelo rendimento de um título atrelado à inflação obtém-se a chamada inflação implícita. Esta, por sua vez, sobe a cada semana. 

Inflação implícita. Registro em 17 de junho de 2024. [Fonte: XP Investimentos]
O problema é que, como uma profecia auto-realizável, é pela expectativa de inflação que as pessoas ajustam o comportamento, de modo a acelerar o processo de subida dos preços. Trabalhadores exigem salários maiores para manter o poder de compra, empresas aumentam preços antecipando o maior custo dos salários e contratos são reajustados conforme a expectativa da inflação futura.  

Em resumo, “a inflação aumenta porque todos esperam que ela aumente”, concluiu Beto.

 

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