Payroll: entenda como se beneficiar da volatilidade do índice

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Todo o mercado está aguardando ansiosamente o payroll de julho dos Estados Unidos, que será divulgado amanhã (05) às 9h. Também chamado de non-farm payroll (folha de pagamento não-agrícola, em tradução livre), é o principal indicador de empregos da economia americana e mede a variação de todas as pessoas empregadas no país durante o último mês, excluindo os empregos agrícolas.

“Ele é sem dúvida alguma o indicador mais importante do mercado de trabalho americano, porque ele dá uma noção pra gente se as empresas estão contratando mais, se a demanda por trabalhador está aquecida ou se ela está diminuindo, como que está esse ritmo de contratação no mercado de empregos americano…”, comenta Marco Ferrini, analista de macroeconomia da Benndorf Research.

No mês passado, a criação de 372 mil vagas de trabalho no país superou as expectativas dos investidores, enquanto a taxa de desemprego permaneceu em 3,6%.

Apesar da queda do PIB, o Federal Reserve está se apoiando no discurso de um mercado de trabalho forte para justificar que a economia americana ainda não caiu em uma recessão. Logo, caso o relatório de amanhã mostre um aumento do desemprego nos EUA, o resultado poderia endossar a teoria de que a recessão técnica é, na verdade, uma recessão de fato.

Mas Marco acredita que isso não acontecerá, ao menos não a curto prazo. Ele explica que, mesmo com a desaceleração nos setores econômicos demonstradas nos PMIs, tanto no industrial como no de serviços, esses mesmos índices mostram que as empresas ainda estão em busca de trabalhadores para preencher as vagas. “Os salários estão crescendo, então as pessoas estão trocando de trabalho, estão podendo escolher vagas melhores. Há essa disputa entre empresas por trabalhadores. Além disso, algumas empresas também relataram dificuldade em encontrar trabalhadores especializados”, complementa o analista da Benndorf.

O cenário também é reforçado pelos pedidos de seguro desemprego.  O indicador saiu hoje (04) e apresentou 260 mil pedidos na semana passada.  Segundo Ferrini, é um patamar consolidado, apesar de estar abaixo de alguns meses atrás.  “Mas 260 mil ainda é um número muito bom. Eu acredito que a gente vai ver uma desaceleração no mercado de trabalho americano, que é natural com a desaceleração econômica, mas, em um curto prazo, vai seguir muito sólido”, disse Marco.

A expectativa do mercado

O consenso do mercado é de que o relatório apresentará a criação de 250 mil novos empregos em julho nos Estados Unidos, o que Marco Ferrini diz ser uma expectativa boa, “mas eu não me surpreenderia também se viesse um pouco abaixo. Qualquer coisa acima disso seria uma surpresa muito grata pros americanos”.

O payroll é um indicador muito monitorado pelo mercado acionário tanto no exterior quanto no Brasil. Como a B3 tende a seguir Wall Street, devido à dependência da economia, os resultados que o relatório causar no exterior, provavelmente, refletirão aqui.

“Qualquer número que chegue perto ou supere as estimativas eu acredito que possa ser visto com bons olhos em meio a desaceleração econômica dos Estados Unidos. Nesse cenário de dificuldade de criação de empregos e de desaceleração, mais um indicador abaixo pode fazer as bolsas virarem. Pode fazer com que as bolsas caiam realmente”, comenta Marco.

Como operar na B3 em dia de payroll

Pela importância que possui mundialmente, o relatório americano tende a mexer muito com o mercado. Assim, o day trader precisa estar atento e se preparar para operar.  De acordo com o analista da Benndorf Research, Filipe Borges, é necessário se posicionar até cinco a dez minutos antes do payroll e já conseguir tirar o risco da operação. “Porque quando a gente tem a divulgação dessa notícia, causa uma simetria de mercado, na maioria das vezes, muito boa e quando estamos na ponta certa, o pode mercado oferecer um ganho que é a única operação para bater a meta do dia, às vezes da semana”, conta.

Filipe explica que essa notícia, por ser de alto impacto, pode ter um efeito chamado elástico, ou seja, o mercado ameaça para um lado e consolida a informação para o lado seguinte. “Então, segundos antes de se posicionar, o book fica vazio, poucos players operando e não temos tantas oportunidades. Antes do trading, conseguiu se posicionar? Tira o risco e deixa, porque quando o mercado vai, você ganha muita grana, se volta você não perde nada, senão espere o mercado assimilar a notícia. Entrou o fluxo, você vai junto”, complementa o analista.

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