PIB do Brasil surpreende o mercado e chega a 2,6% no acumulado dos últimos 4 trimestres

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No ano passado, o consenso de mercado era que o crescimento deste ano seria próximo de zero. Na ocasião, o ministro da Economia, Paulo Guedes, chegou a dizer que o mercado passaria o ano todo revisando suas projeções para cima, o que de fato aconteceu. Ontem, tivemos mais uma divulgação do PIB, e o número foi bem maior que o esperado, chegando a 2,6% no acumulado dos últimos 4 trimestres.

Mas será que temos motivos para comemorar?

Diante desse cenário, o que esperar para 2023?

Novamente o mercado, ou pelo menos aquela parte dele mais ligada às redações do que à economia real, considera que o excelente resultado do PIB este ano não deve se repetir em 2023, e fundamenta essa opinião no fato de não termos para o próximo ano a garantia da manutenção de alguns incentivos que ajudaram o PIB em 2022. Entendo a preocupação, mas é bom lembrarmos que, no ano passado, também não tínhamos nada concreto nesse sentido além das palavras do ministro Paulo Guedes e, mesmo assim, estamos tendo um bom resultado.

Mas esse ano é diferente! Agora, além dos discursos em tom de campanha do ministro, temos alguns dados que são pouco divulgados pela mídia e que podem fazer bastante diferença no ano que vem, beneficiando o investidor mais atento.

Marco do saneamento

Segundo a Associação e Sindicato Nacional das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto, serão necessários R$ 301 bilhões em investimentos entre 2023 e 2026 para que se cumpram as metas de universalização do saneamento no Brasil. Desse montante, já temos contratados quase R$ 80 bilhões líquidos e certos, investimentos que vão acontecer independentemente de quem seja o próximo presidente, e, por ser um setor que precisa de muita mão de obra, o impacto na geração de empregos pode ser uma surpresa positiva no futuro.

Reforma administrativa

Embora o atual governo tenha falhado ao não aprovar junto ao Congresso um projeto de lei que reformasse de fato a administração central e enxugasse os gastos públicos, principalmente com o funcionalismo, temos percebido um governo menos esbanjador. As contratações de novos servidores foram reduzidas ao menor nível dos últimos 20 anos, serviços públicos foram digitalizados, gerando grande economia de recursos, e inacreditavelmente as estatais agora dão lucro, em vez dos prejuízos bilionários de antigamente. Tudo isso somado nos mostrou em dados concretos que, mesmo bancando Auxílio Emergencial, o governo conseguiu reduzir a relação Dívida x PIB e ter superávit fiscal pela primeira vez em 11 anos por 9 meses consecutivos em 2022.

Investimentos estrangeiros

O IFC, braço do Banco Mundial que destina recursos para países em desenvolvimento, divulgou recentemente um aumento de 27,5% nos repasses para o Brasil. Pela primeira vez superamos a China como segundo maior receptor de recursos da entidade, chegando a R$ 22 bilhões.

Já o IFF, Institute of International Finance, destaca que o Brasil tem tido o melhor desempenho entre todos os países emergentes no pós-Covid. O que, somado aos dados de equilíbrio fiscal, reforça nossas expectativas de novos aportes de capital em nossa economia no próximo ano, mesmo com o provável aumento da taxa de juros nos Estados Unidos, isso porque o destino desse novo capital não seria o mercado financeiro, mas sim o setor produtivo.

Fechamento da curva de juros.

Os juros altos naturalmente desaceleram a atividade econômica e prejudicam o bom desempenho do PIB. Porém, apesar de a Selic ter saído do patamar dos 2% a.a. para mais de 13%, o desempenho da nossa economia surpreendeu. Para o próximo ano, com a inflação sob controle e os gastos do governo em ordem, tudo indica que os juros poderão começar a cair, o que naturalmente favorece o crescimento econômico. Em outras palavras, se crescemos mais do que a maioria dos países do G7 com os juros altos, temos um potencial de crescimento ainda maior com a Selic em níveis mais baixos.

Otimismo do investidor.

Por mais animadores que sejam os dados, os investimentos só são de fato realizados se o empresário, que é o verdadeiro motor do país e quem está na economia real no dia a dia, tiver confiança no cenário, e para fechar esse artigo, trago um gráfico revelador.

Para os menos familiarizados, este é o ICEI, Índice de Confiança do Empresário Industrial, divulgado pela CNI, Confederação Nacional da Indústria, e que mostra claramente os momentos em que o empresariado esteve ou não confiante e o nível dessa confiança. Estamos no azul desde o fim da pandemia e com um dos maiores níveis de confiança dos últimos 10 anos.

Se estou pessimista ou otimista? Respondo com um ditado da sabedoria popular: “o pessimista reclama do vento, o otimista espera que ele mude, o realista ajusta as velas”!

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