Por que as exchanges da América Latina estão apostando em produtos de rendimento


A América Latina, uma região caracterizada por alta inflação e economias instáveis, está agora entre os mercados de criptomoedas com as maiores taxas de rendimento.

As exchanges regionais de criptomoedas oferecem taxas anuais de até 15% para usuários que desejam gerar juros em seus investimentos em criptomoedas. Isso está bem acima dos números fornecidos por empresas globais em mercados desenvolvidos, que costumam chegar a até 9% ao ano.

A busca de novos clientes, o reinvestimento de fundos arrecadados e o crescente interesse dos usuários latino-americanos em criptomoedas são algumas das razões para as taxas de rendimento agressivas das corretoras regionais, disseram várias empresas ao CoinDesk.

Em abril, a principal exchange de criptomoedas da América Latina, a Bitso, lançou um recurso de rendimento de lucros com taxas de 15% nas stablecoins USD Coin (USDC), Pax Dollar (USDP) e Binance USD (BUSD), e até 6% no Bitcoin (BTC). O serviço está disponível para os 4 milhões de usuários da empresa nos quatro países onde atua – México, Brasil, Argentina e Colômbia.

“A América Latina é uma das regiões com maior adoção de criptomoedas. Esse entusiasmo se reflete nas taxas de rendimento das exchanges”, disse o chefe de política da Bitso, Julián Colombo, ao CoinDesk.

Para obter taxas de até 15% em stablecoins, a Bitso usa diferentes protocolos de finanças descentralizadas (DeFi), incluindo liquidez, mineração e staking pools, falou Colombo, sem divulgar detalhes.

A Lemon, exchange argentina que atingiu mais de 1 milhão de usuários em maio, oferece juros de até 13% na stablecoin Dai (DAI) e 12% na USDC. “Em países latino-americanos como a Argentina, as pessoas usam o dólar americano como uma das moedas em que armazenam valor. É por isso que eles encontram stablecoins como alternativas muito atraentes”, disse Santiago Di Paolo, líder comunitário e de pesquisa da Lemon, ao CoinDesk.

As taxas de rendimento de criptomoedas na América Latina são mais altas do que as das principais exchanges dos Estados Unidos, como Hodlnaut, Crypto.com , Gemini, Coinbase ou Celsius, que oferecem juros anuais de 5% a 9,45% em stablecoins, de acordo com suas páginas.

Em outubro de 2020, a Buenbit, uma exchange sediada na Argentina com operações no Peru e no México, tornou-se uma das primeiras empresas latino-americanas a começar a oferecer juros com moedas estáveis. A plataforma fornece a seus 700.000 usuários taxas anuais de até 8,25% em DAI usando protocolos DeFi como o Compound, falou Agustín Liserra, diretor financeiro da Buenbit, ao CoinDesk.

“Decidimos dar aos usuários praticamente todos os retornos que o DeFi oferece, para integrar o maior número possível de pessoas no mundo das criptomoedas – e, ao mesmo tempo, ser um produto competitivo e atraente para usuários que já estavam interagindo com o ecossistema de criptomoedas”, disse Liserra.

A Belo, uma exchange argentina com mais de 170.000 usuários, oferece retornos anuais de 8,5% em DAI e USDC, 5,25% em BTC e 4% em Ethereum (ETH). “Nossa base de usuários se diversifica, especialmente nos mercados em alta. Não apenas pessoas do mundo das criptomoedas estão se juntando, mas de diferentes origens”, disse Manuel Beaudroit, CEO da Belo.

Mudanças após o colapso do ecossistema Terra

Até agora, a implosão do ecossistema Terra e a baixa do mercado de criptomoedas afetaram os rendimentos das exchanges latino-americanas.

A Buenbit e a Lemon costumavam oferecer até 18% de retorno anual aos usuários que apostavam TerraUSD (UST) por meio da Anchor. Agora, as duas empresas renomearam o antigo UST para USTC em seus aplicativos, mas a venda, o trade e o armazenamento permanecem suspensos.

Ambas as exchanges listaram o novo token LUNA e começaram a enviá-lo para aqueles que já haviam investido no Luna Classic (LUNC) e no UST Classic, disseram ao CoinDesk.

“Depois que a Terra caiu, a confiança no ecossistema de criptomoedas, em geral, foi um pouco corroída”, disse Liserra.

Di Paolo, da Lemon, disse que o colapso da Terra “desencadeou um cenário em que os usuários estão mais atentos ao estudo de cada projeto antes de investir seu dinheiro e estão cientes de seu progresso”.

O desastre da Terra não apenas afetou as exchanges que listaram a stablecoin UST, mas também gerou desconfiança entre os usuários em todo o ecossistema de criptomoedas da América Latina, disse ele.

A Bitso, que não listou a stablecoin em desgraça, recebeu perguntas de seus vários usuários, disse Colombo. O mesmo aconteceu com a Belo, que também não disponibilizou a UST em sua plataforma.

“Pelo modo como os mercados de criptomoedas costumam se comportar, em alguns meses, se subir, ninguém vai se lembrar disso”, disse Beaudroit, CEO da Belo.

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