Telefônica Brasil [VIVT3] – companhia mais tradicional – e GetNinjas [NINJ3] – mais nova e recente na Bolsa de Valores –, anunciaram a aprovação para realizarem redução de capital nas últimas semanas. Ou seja, as duas companhias procuram devolver aos acionistas porções significativas de seu capital social – valor estabelecido por sócios e acionistas para a empresa no momento da abertura da sociedade e que é alterado a cada redução ou aumento de capital.
Já o GetNinjas, que realizou sua oferta inicial de ações (IPO) em maio de 2021, informou que seu Conselho de Administração aprovou a devolução de R$ 223,5 milhões aos acionistas, correspondendo a R$ 4,40 por ação, em reunião feita no dia 20 do mês passado.
Apesar dos aumentos de capital estarem bem mais populares entre as empresas brasileiras neste ano – ainda que nem sempre sejam um sucesso –, as reduções também ganharam seu espaço.
Quanto mais, melhor?
Leonardo Piovesan, CNPI e analista fundamentalista da Quantzed, lista dois principais motivos para que uma empresa reduza seu capital. Um dos cenários seria no momento em que o capital social é considerado excessivo frente ao necessário para tocar o negócio, algumas vezes, inclusive, ultrapassando o limite estabelecido pelo estatuto social da companhia.
Outra razão seria a empresa estar com prejuízo líquido acumulado. “Ela usa esse excesso de capital social que ela tem […] para reduzir esse saldo de prejuízo acumulado”, indicou. Dessa forma, a companhia pode diminuir suas dívidas sem mexer no patrimônio líquido.
Contrapondo o último argumento de Leonardo, o estrategista de ações da Nomos, Max Bohm, acredita que a redução de capital se liga ao fato de uma empresa não necessitar de capital inerte para se reforçar financeiramente.
O mar está para redução?
Para Leonardo, o momento atual não é exatamente o melhor para uma redução de capital, ainda que duas empresas tenham realizado o movimento recentemente. O especialista frisou que cenários de economia mais sólida costumam levar a mais redistribuições do capital social recolhido por uma companhia, uma vez que o lucro das empresas costuma ser mais forte.
“O que não é o cenário de agora”, esclarece.
O analista também acrescenta que, fora desse cenário, situações esporádicas podem resultar em uma redução de capital, como ele afirma ser o caso do GetNinjas e da Telefônica.
E para o investidor?
É claro que, no curto prazo, a redistribuição do capital social aos acionistas é benéfica aos investidores de uma empresa, já que, além de garantir proventos, o movimento também leva ao impulsionamento do ativo na bolsa.
A ação do GetNinjas, por exemplo, subiu mais de 3% na semana em que anunciou a redução. Já a da Telefônica avançou 1,13%. Entretanto, esta decisão também pode ser benéfica no longo prazo, mostrando que a empresa “está saudável”, disse Leonardo.
Em outra hipótese, caso a redução seja feita para aliviar parcial ou completamente o prejuízo de uma companhia, o especialista sinaliza que isso pode levar a uma frequência maior no pagamento de dividendos aos acionistas.