O Governo Federal vai tributar em 9,2% as exportações de petróleo bruto por quatro meses. A medida é uma das anunciadas na última terça-feira (28) pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, no contexto da reoneração dos impostos federais sobre gasolina e etanol, confirmada no dia anterior.
O novo imposto prejudica as petrolíferas listadas na B3, “notadamente as privadas e independentes”, comentou a Benndorf Research em relatório.
Victor Benndorf, sócio-fundador e analista chefe da casa, recomenda redução da exposição a todas as companhias do setor no curto prazo.
Ele vê problemas operacionais para PRIO [PRIO3], 3R Petroleum [RRRP3] e PetroReconcavo [RECV3] diante da tributação: “não temos mais uma preferida”.
Até então, prossegue o analista, a PRIO era o melhor investimento, e seria a mais interessante para retomar exposição quando a cotação alcançar o alvo técnico da Benndorf.
Para as demais companhias privadas, o cenário carrega mais incerteza. Caso a taxação das exportações se prolongue para além de quatro meses, a oferta de petróleo dentro do Brasil tende a aumentar, acrescenta Júlio Borba, analista fundamentalista da mesma casa.
O caso, então, resume-se à lei mais básica da economia: oferta e demanda. Com o potencial aumento da oferta interna de petróleo, as petroleiras terão que vender a commodity a um preço menor que o negociado antes.
Os fundamentos das petrolíferas, segundo Júlio, não mudam se a oneração permanecer apenas por quatro meses. O impacto seria irrisório, “coisa de cair R$ 1 por ação”.
A Petrobras [PETR3, PETR4] não deve sofrer impactos significativos, dado que boa parte da produção da estatal já destina-se ao mercado interno.
O Congresso deve votar a permanência do tributo ao final do prazo estabelecido. O imposto sobre a exportação de óleo cru visa cobrir a parte da arrecadação não coberta pela reoneração dos combustíveis — a qual retornou apenas parcialmente em relação ao nível de tributação do ano passado.

Em relatórios, a Benndorf ponderou as possíveis implicações da taxação – temporária ou permanente – no Ebitda e preço-alvo das petroleiras privadas, cujos ativos demandam todos cautela em operações day ou swing trade, mas, até então, permanecem atrativos no longo prazo:
PRIO [PRIO3]
Recomendação fundamentalista:
Compra
Preço-alvo:
R$ 40 (cenário pessimista)
Recomendação técnica:
Neutra
Suporte principal:
R$ 30
A mais afetada pelo novo imposto entre seus pares, dado que toda a produção da PRIO era exportada – e boa parte do produzido no quarto trimestre de 2022 foi estocado para ser vendido posteriormente a preços mais atrativos.
“Em um cenário pessimista, no qual a companhia opte por continuar exportando 100% da produção, o efeito seria de 4% sobre o Ebitda de 2023” – se o imposto durar apenas quatro meses, “e 12% no Ebitda de cada exercício anual futuro no caso de continuidade da taxação”.
Em tal cenário, o preço-alvo de PRIO3 diminuiria de R$ 45,00 para R$ 40,00. Ainda assim, a ação teria um upside interessante para a Benndorf, justificando a manutenção da recomendação de “compra” para o papel.
O impacto no operacional da PRIO seria menor se a venda para o mercado interno fosse feita ainda com preços de referência próximos ao Brent.
Para o curto prazo, a casa de análise reduziu a recomendação técnica dos ativos de “atrativa” para “neutra”, com base na perda da linha de tendência de alta (LTA) observada nos últimos meses e em uma retração de 100% do último rali nos gráficos semanais.
“Projetamos dois suportes relevantes para a estratégia do papel, o primeiro nos R$ 33,00 e o principal nos R$ 30,00 reais. Para os comprados, a perda de momentum e sinais de exaustão demandam redução de exposição imediata, com stop total na perda dos R$ 30,00 reais. Para novas compras, recomendamos aguardar por um claro ponto de inflexão acima desses dois pontos indicados.”
3R Petroleum [RRRP3]
Recomendação fundamentalista:
Compra
Preço-alvo:
R$ 73 (cenário pessimista)
Recomendação técnica:
Neutra
Suporte principal:
R$ 27
A 3R não exporta sua produção atualmente, mas tinha planos de exportar caso encontrasse valores mais atrativos no mercado internacional. “Além disso, é difícil estimar o quanto os fundamentos da empresa poderiam sofrer em um cenário de sobreoferta de petróleo no mercado interno.”
Em um cenário hipotético de desconto extra de 5% no preço de venda praticado internamente ante a cotação internacional, a Benndorf projeta um impacto de 2,6% sobre o Ebitda 2023 e 7,8% no Ebitda de cada exercício anual futuro no caso de continuidade da taxação.
“Estimando o cenário mais negativo, nosso preço-alvo por ação da 3R cairia de R$ 80,00 para R$ 73,00”, ainda um upside interessante para os analistas da casa. Para longo prazo, portanto, permanece a recomendação de “compra”.
O maior risco para a 3R, de acordo com Júlio Borba, está mais relacionado à aquisição do Polo Potiguar que ao imposto sobre exportações. A Petrobras informou na última quarta-feira (1º) o recebimento de um pedido do Ministério de Minas e Energia (MME) pela suspensão das alienações de ativos por 90 dias.
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) havia confirmado a venda do campo de extração pela Petrobras para a 3R em março de 2022. O processo está se estendendo demais, prossegue Júlio, “tem várias evidências que levam a gente a crer que realmente isso tem grande chance de não acontecer”.
No cenário técnico, RRRP3 deve testar dois suportes relevantes em breve, em R$ 31,00 e R$ 27,00, “com a defesa dessa região abrindo uma nova oportunidade de entrada”.
A Benndorf aponta a necessidade de redução de exposição na região dos R$ 44,00.
PetroReconcavo [RECV3]
Recomendação fundamentalista:
Compra
Preço-alvo:
R$ 35 (cenário pessimista)
Recomendação técnica:
Neutra
Suporte principal:
R$ 27,30
Assim como a 3R, a PetroReconcavo não exporta petróleo atualmente. Em um cenário de defasagem de 5% do preço do petróleo no mercado interno em relação ao barril do Brent por quatro meses, o efeito seria de 2,4% sobre o Ebitda 2023 e 7,2% no Ebitda de cada exercício anual futuro no caso de permanência do imposto.
“Lembrando que tal cenário é hipotético, e as consequências podem ser sentidas de maneira mais leve pela companhia.” Dado o contexto, o preço-alvo por ação da PetroReconcavo cairia de R$ 38,00 para R$ 35,00 – a recomendação de “compra” permanece.
No gráfico, a movimentação atual confirmou o downgrade técnico recente da Benndorf, cuja recomendação para RRRP3 é “neutra” no longo prazo. Os topos simétricos no canal de alta deram uma pauta, pontuaram os analistas.
“A empresa está testando o suporte principal na região dos R$ 27,30 e precisa defender esse ponto para evitar uma reversão negativa de longo prazo.” Para os comprados, a recomendação é baixa exposição e stop total na perda dos R$ 27,30.
“Para novas compras, recomendamos aguardar por uma clara defesa dos R$ 27,30 e posteriormente um rompimento de máximas.”