Méliuz [CASH3] vem lutando há meses para superar a cotação em R$ 2, mas acumula seguidas falhas. A companhia possui um plano de crescimento agressivo, porém sem rentabilidade nas operações, afirma Niels Tahara, head de análise fundamentalista da Benndorf Research. “Apesar de ter entregado grande crescimento, [a empresa] começou a reportar seguidos prejuízos operacionais e líquidos”, alerta o analista.
A piora do cenário macroeconômico também pesa na ação, pois dificulta a manutenção do crescimento da Méliuz, em linha com o fim da grande liquidez nos mercados. O analista ainda aponta para os prejuízos causados nas operações internacionais da empresa, devido à guerra entre Ucrânia e Rússia no Leste europeu.
Para alcançar êxito no desafio de ultrapassar o preço por ação de R$ 2, a Méliuz “precisa começar a demonstrar que pode ser rentável, integrando as aquisições realizadas e desenvolvendo os negócios”, afirma o especialista da Benndorf. Mas a tarefa será extremamente árdua, por conta da grande exposição ao setor de e-commerce, que vem sofrendo bastante, além do ambiente macroeconômico agressivo, que vem penalizando as operações.
Niels ainda aponta a compra do Bankly como outro obstáculo em meio à corrida em busca da valorização. Segundo o analista, o mercado de bancos digitais é desafiador pela concorrência crescente.
Projeções 2023
Em 2022, CASH3 acumulou quase 60% de queda. O ano mudou, mas o sinal do ativo deve se manter, diz o analista.
“As perspectivas ainda são bastante ruins, as taxas de juros elevadas também não ajudam o valuation da ação, uma vez que empresas com a geração de caixa mais distante no futuro acabam sendo as mais prejudicadas, em termos de valuation, com o custo de capital mais elevado”, explica.
A empresa não é uma boa opção de investimento, de acordo com as análises da Benndorf. Segundo a casa de research, para os que querem ter exposição ao e-commerce, é melhor optar por Mercado Livre [MELI3], “empresa com a melhor operação do setor no país.”
Day Trade
As ações da Méliuz seguem em tendência de baixa tanto no médio quanto no longo prazo e, para os que operam day trade, a situação não é diferente. “No curto prazo, está consolidada, ou seja, sem direção e sem oferecer muitas oportunidades”, afirma Filipe Borges, analista técnico da Benndorf Research.