Quanto tempo o Ibovespa demora para se recuperar de crises? (Parte 2)

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Em meu primeiro texto sobre o momento do Ibovespa, falei um pouco sobre usar o histórico para tentar prever o tempo médio de recuperação dos mercados após as grandes quedas. Agora, quero ressaltar que não estamos efetivamente no momento de maior perda histórica (olhando-se o passado), e quedas maiores ainda podem acontecer.

Se não estamos entre as maiores perdas, até que ponto o Ibovespa poderia cair? Pela tabela abaixo, a queda atual do Ibovespa de seu pico anterior é aproximadamente metade das grandes quedas do passado. Ao viver um momento macroeconômico complicado, é muito difícil afirmar com precisão se aquele momento pode ser um dos grandes da história ou apenas uma “marolinha”. Dada a quantidade de riscos e incertezas que vivemos – (1) recuperação da economia global dos efeitos da pandemia do Covid-19; (2) inflação nos EUA (e em boa parte do mundo) em maiores patamares em 40 anos; (3) mercados de commodities deslocados por anos de subinvestimentos (mercado de petróleo) e guerra (petróleo e grãos); (4) China, motor do crescimento global, passando por ajustes internos importantes (crise imobiliária) que resultam em relevantes dificuldades de crescimento e (5) grande incerteza eleitoral no Brasil –, arrisco a dizer que esse é um desses grandes momentos. Se estiver certo, a pergunta relevante é: até que nível podemos cair?

Drawdown (DD) do Ibovespa (mesma tabela utilizada no texto anterior)

O Ibovespa poderia cair mais de 40%, para 63 mil pontos. Esse valor baseia-se na média dos maiores DDs aplicado ao pico recente de 130 mil pontos, em junho do ano passado. Essa estimativa é apenas um exercício matemático e não leva em consideração fatores mais importantes, como a precificação das empresas vis-a-vis suas realidades econômicas. Se avaliarmos por múltiplos – Preço/Lucro de 12 meses passados, para não precisar entrar em consideração de estimativas futuras que contém suas próprias incertezas – podemos ver que vivemos em um enorme desconto (gráfico 2 – próximo das mínimas desse indicador) nas ações brasileiras. Esse desconto permanece, mesmo avaliando o Ibovespa excluindo Petrobras e Vale, ou todo o setor de commodities. Se estamos vivendo uma das menores precificações do Ibovespa, naturalmente a queda de 40% do momento atual é completamente irrazoável. Talvez 20% (metade da estimativa anterior) de queda possa ser um cenário negativo realista à frente. Não digo provável, mas possível. Em acontecendo tal cenário, de onde poderia se materializar o risco para mais quedas à frente?

Preço-Lucro das ações Brasileiras [Fonte: oceans14.com.br ]
O mercado externo vive grandes desequilíbrios que podem mover os mercados de acionários globais. Na eventualidade de o S&P 500 (bolsa americana) cair mais à frente, até porque não está tão barato (gráfico 3) e os efeitos do combate a alta inflação devem ainda impactar a economia americana, certamente, pela relevância desse mercado, esse movimento de queda arrastaria para baixo as ações brasileiras, junto com outros mercados acionários globais. Independentemente de qualquer outro ponto, a alta correlação histórica dos mercados acionários realizaria tal queda (gráfico 4).

Portanto, quedas substanciais nas ações brasileiras (Ibovespa a 90 mil pontos ou menos) podem acontecer. E, em acontecendo, apresentarão oportunidades de entrada em ações, principalmente se o fator motivador da queda for o mercado global, e não fatores internos nossos. Vamos relembrar a canção de Jorge Ben Jor: “Olha aí meu bem, prudência e dinheiro no bolso, canja de galinha não faz mal a ninguém”. Traduzindo: prudência em termos de alocação significa diversificar a carteira.

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