Quanto vale a Vale [VALE3] hoje? Mineradora perdeu R$ 71,5 milhões em valor de mercado

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Desde o primeiro pregão deste ano, a Vale [VALE3] acumula perdas de mais de 6%. Além de ter começado o ano com o pé esquerdo, ela foi a empresa do Ibovespa que mais perdeu valor de mercado em 2023, caindo cerca de R$ 71,5 milhões. A variação se torna ainda mais expressiva ao observar que a Ambev [ABEV3], ocupante do segundo lugar do ranking de desvalorização, perdeu em torno de R$ 12,4 milhões no mesmo espaço-tempo. 

Variação de valor de mercado em 1 ano em milhares das cinco empresas com maiores perdas. [Fonte: Economatica]
De acordo com Carlos Daltozo, head de Equities da Eleven Financial, a depreciação pode ser atribuída a dois fatores: o preço do minério e a produção. Ele explicou que o recuo da commodity, consequente do menor crescimento da economia chinesa, diminui o desempenho do setor, que torna mais difícil o cumprimento das metas de produção estipuladas pela Vale. 

“Nos últimos anos, isso estava afetando também o preço da ação, porque com o preço mais baixo do minério e uma produção abaixo do esperado, a receita, obviamente, vem menor do que o mercado estima”, afirmou. 

Max Bohm, analista fundamentalista, ressalta que Ebitda, receita e resultados do segundo e terceiro trimestre vieram abaixo das expectativas e ajudaram na má performance do papel. “Apesar de ter ficado apenas em boato, ruídos de que Guido Mantega poderia ser o novo CEO da Vale acabaram pesando também”, acrescentou. 

Apesar disso, o analista acredita que o papel possa se recuperar em 2024, pois espera a divulgação de um resultado melhor no 4T23. Além disso, o minério de ferro entre US$ 130 e US$ 140 beneficiaria a companhia. Ademais, ele destacou que a empresa está barata, negociando a 4 vezes o Ev/Ebitda para 2024, com desconto em relação à BHP e Rio Tinto, que são os pares internacionais da Vale. 

Ainda em 2023, a empresa caiu significativamente no ranking de maiores dividend yield do Ibovespa, indo do 1º ao 8º lugar. Entretanto, seguiu entre as maiores pagadoras de dividendos do ano. 

Para o analista da Levante João Abdouni, a empresa deve continuar entre o Top 10 de pagadoras de dividendos em 2024, devolvendo entre 8% e 10%, além de existir espaço para valorização dos papéis.

Ele frisa que Vale tem sido uma das melhores empresas para investimentos em ações no Brasil, superando por muito tanto o Ibovespa quanto o CDI. “Nossa expectativa é que isso continue ocorrendo nos próximos anos”, adicionou.

Carlos Daltozo também vê VALE3 como bom investimento e avalia que a queda do primeiro lugar no ranking de dividend yield tem maior relação com o crescimento das outras empresas do que com Vale em si, pois a companhia segue como forte geradora de caixa. 

O head de equities, entretanto, avisa sobre a possível mudança de gestão, que ainda está em discussão e pode causar um embate político que atrapalha o ativo. 

“Mas olhando para o fundamento, em termos operacionais, a gente tem recomendação de compra. É uma empresa de excelente qualidade. A gente sempre diz ‘na dúvida, Vale’”, disse.

Por outro lado, Leonardo Piovesan, CNPI e analista fundamentalista da Quantzed, declarou que não tem visão positiva para VALE3 neste ano, assim como para o setor de metais no geral. Ele acredita que o ativo não deve “outperformar” o mercado, reafirmando que o minério de ferro já não tem mais espaço para valorização devido à economia da China, que “anda fraca e sem sinais de recuperação, mesmo com as medidas que o governo de lá tem tomado”, argumentou.

Contudo, o analista também projetou que Vale continuará pagando bons dividendos, ultrapassando os 10% mencionados por Abdouni. Ele também destaca que a companhia provavelmente irá pagar payout de 100% – isto é, distribuir 100% dos lucros –, além de fazer recompras, que também conta como retorno para o acionista. 

“Isso é positivo, mas aqui vai um ponto de atenção: se o minério de ferro cair, a geração de caixa da empresa e lucro vão cair, e o dividend yield pode descer”, alertou. 

Análise Técnica 

No curto prazo, a última pernada de alta de VALE3 começou em 11 de dezembro e perdeu a força em 4 de janeiro, segundo o analista técnico João Tonello. 

Gráfio diário de VALE3 em 12 de janeiro de 2024. [Fonte: João Tonello]
Ele diz que somente agora o ativo voltou para a região de R$ 71,84 e não pode, “de jeito nenhum”, retornar a R$ 69. Caso isso aconteça, o papel volta para as mínimas de setembro, julho e agosto. 

“É necessário que a China acelere a demanda para novas compras de VALE3. Enquanto ela não acontece, não temos muito o que fazer, a não ser ficar olhando o ativo se movimentar”, concluiu. 

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