Uma queda de mais de 40% no lucro líquido anual estampa o balanço da Petrobras [PETR3;PETR4], que faturou R$ 26,7 bilhões no terceiro trimestre. O Ebitda da companhia também caiu 27% de ano para ano, ficando em R$ 66,2 bilhões.

Leitura do Balanço
Na visão da XP Investimentos, a Petrobras reportou mais um desempenho financeiro e rodada de dividendos fortes, apesar de estar um pouco abaixo das estimativas dos analistas.
A casa destaca resultados do refino, transporte e comercialização, que foram impactados positivamente pelo efeito de giro de estoques, uma vez que os preços do Brent subiram em comparação ao último trimestre.
“Continuamos vendo a Petrobras como uma tese de investimentos complexa que, por um lado, proporciona uma remuneração trimestral ao acionista na faixa de 10% a 20% anualmente e, por outro, tem uma probabilidade não tão baixa de uma intensa perda de valor, devido a vários riscos, como fusões e aquisições, Capex acima do esperado, dentre outros” argumentam.
Além disso, de acordo com a XP, os investidores agora estão se concentrando no próximo plano estratégico, a ser anunciado em 28 de novembro.
O analista da Eleven Felipe Ruppenthal relembra que apesar dos receios quanto ao petróleo perante o conflito Israel-Hamas, quando o mercado pensou que o contexto geopolítico impactaria a produção e oferta da commodity, o preço se manteve estável e, pelo menos por enquanto, não mexeu com o balanço da empresa.
Ainda assim, Ruppenthal não recomenda PETR4. Segundo o analista, mesmo com a melhora operacional recente, a companhia está direcionando seus investimentos em áreas com pouco retorno e “de viabilidade duvidosa, o que não é o melhor interesse dos acionistas minoritários”, diz.
Ademais, frisa que problemas de governança podem aparecer futuramente com direcionamento de investimentos não tão favoráveis para a companhia. Sendo assim, ele sugere 3R [RRRP3] e Prio [PRIO3].
“Ambas possuem uma grande avenida de crescimento em produção e melhora operacional com investimentos bem definidos, com retornos atrativos e não são impactadas com eventuais políticas negativas referente a preços de combustíveis no Brasil”, afirma.
Por outro lado, XP tem recomendação de compra para PETR4, mas destaca PRIO3 como top-pick no setor.
Coincidentemente, no pregão desta sexta-feira (10), PETR4 desce 0,26%, enquanto RRRP3 e PRIO3 operam em altas de 1,91% e 3,87%, respectivamente.
Análise Técnica
Ele diz que, por Petrobras ter frustrado no último resultado, a movimentação do ativo será um pouco mais pesada.
“O papel tem se segurado bem por causa do aumento de demanda na China, que acaba fazendo com que o petróleo Brent acelere e consiga ter um pouco mais de um movimento resiliente”, conclui.