Finda a temporada de balanços do segundo trimestre de 2023, fica apenas a esperança de dias melhores no que tange ao varejo brasileiro. Os resultados das empresas do setor foram generalizadamente ruins, classifica a Eleven Financial.
Os juros elevados e uma maior alavancagem financeira das companhias pressionaram as varejistas entre abril e junho. “No geral, vimos uma temporada de resultados no varejo marcada por um cenário de consumo restritivo”, escreveu o analista Niels Tahara em relatório nesta quinta-feira (17).
Despesas financeiras mais elevadas pressionaram o lucro líquido, principalmente para as empresas mais alavancadas.
Em contrapartida, sete reportaram prejuízo: Grupo SBF [SBFG3], Carrefour Brasil [CRFB3], Grupo Pão de Açúcar [PCAR3], Zamp [ZAMP3], Lojas Quero-Quero [LJQQ3], Via [VIIA3] e Magazine Luiza [MGLU3].
No grupo total das empresas analisadas, o baixo crescimento impactou na alavancagem operacional, prossegue o analista.
Varejo alimentar
Já para o Grupo Mateus, a continuidade da expansão orgânica impulsionou as receitas e as vendas de mesmas lojas, que veio em 10,4%. A companhia “foi o grande destaque do segmento, dado o momento desafiador para o setor”.
Vestuário, Calçados e Jóias.
Além do já descrito cenário macroeconômico desafiador para o consumo discricionário, o varejo de moda decepcionou no segundo trimestre deste ano por comparação.
Niels Tahara destaca o desempenho positivo das empresas voltadas para o público de renda mais alta – Arezzo [ARZZ3], Vivara e Track and Field –, ressaltando também a boa surpresa com a C&A. A fast-fashion “continuou o movimento de melhora de rentabilidade, refletindo as iniciativas da gestão”.
Já o Grupo SBF foi o destaque negativo do segmento, em meio ao persistente desafio para rentabilizar as operações, com a necessidade de normalização dos estoques pressionando as margens. A dona da Centauro é o único ativo do nicho de moda com recomendação neutra da Eleven – os demais papéis têm recomendação de compra.
E-commerce
As vendas brutas da Via e Magazine Luiza ficaram estáveis no segundo trimestre, “ainda sofrendo com a maior exposição aos produtos de linha branca”. O cenário restritivo de crédito também pesou, apesar de uma melhora no ambiente competitivo após o caso Americanas.
Como ponto positivo, a Eleven destaca uma melhora da margem bruta do Magalu, beneficiada pela margem de serviços e mesmo ante o impacto de um aumento de impostos.
Demais varejistas
Fora da caixinha dos nichos listados acima, a Eleven destaca a Petz [PETZ3], cuja rentabilidade ficou ainda pressionada por aquisições, uma competição mais agressiva no segmento e a menor contribuição de itens discricionários.
Já para a Zamp, os resultados foram impactados por uma pior dinâmica de fluxo no trimestre e competição mais agressiva, a despeito da melhora na margem bruta com o arrefecimento dos custos – dado a queda no preço de commodities.
Por fim, ainda bastante impactada pelo cenário macro, a Lojas Quero-Quero manteve a tendência de resultados fracos dos trimestres anteriores.
Nivelados por baixo
O desempenho fraco do setor inclusive consta como um dos propulsores da sequência de quedas do Ibovespa agora em agosto, conforme dito ao TradeNews nesta semana.
A expectativa da Eleven para os próximos trimestres é de recuperação gradual dos resultados, dado o ciclo de queda na taxa de juros e, por consequência, a expectativa de um cenário macroeconômico mais favorável.
Como legado, os balanços do segundo trimestre deixam para os próximos períodos uma base de comparação mais fraca, finaliza Niels Tahara.