Quem lucrou e quem teve prejuízo: veja o desempenho das varejistas no 2T23

Varejistas naturalmente trabalham com margens apertadas. [Foto: Pixabay]

Finda a temporada de balanços do segundo trimestre de 2023, fica apenas a esperança de dias melhores no que tange ao varejo brasileiro. Os resultados das empresas do setor foram generalizadamente ruins, classifica a Eleven Financial.

Os juros elevados e uma maior alavancagem financeira das companhias pressionaram as varejistas entre abril e junho. “No geral, vimos uma temporada de resultados no varejo marcada por um cenário de consumo restritivo”, escreveu o analista Niels Tahara em relatório nesta quinta-feira (17). 

Despesas financeiras mais elevadas pressionaram o lucro líquido, principalmente para as empresas mais alavancadas.  

Apenas cinco entre as 17 varejistas analisadas pela Eleven reportaram lucro no 2T23. [Fonte: Reprodução]
Dessa forma, entre as 17 empresas do setor sob cobertura da Eleven apenas Track and Field [TFCO3], C&A [CEAB3], Vulcabras [VULC3], Vivara [VIVA3] e Grupo Mateus [GMAT3] apresentaram crescimento anual do lucro líquido. 

Em contrapartida, sete reportaram prejuízo: Grupo SBF [SBFG3], Carrefour Brasil [CRFB3], Grupo Pão de Açúcar [PCAR3], Zamp [ZAMP3], Lojas Quero-Quero [LJQQ3], Via [VIIA3] e Magazine Luiza [MGLU3]. 

No grupo total das empresas analisadas, o baixo crescimento impactou na alavancagem operacional, prossegue o analista. 

Varejo alimentar

Varejo alimentar ficou pressionado no segmento vendas de mesmas lojas. [Foto: Reprodução]
O crescimento das companhias de varejo alimentar – compreendidas pelos já mencionados Carrefour Brasil, Grupo Mateus e Grupo Pão de Açúcar, assim como pelo Assaí [ASAI3] – ficou pressionado na métrica de mesmas lojas. O Carrefour, único ativo do segmento com recomendação neutra pela Eleven (os demais têm recomendação de compra), teve ainda o benefício das integrações com o Grupo BIG e das conversões das lojas Extra.

Já para o Grupo Mateus, a continuidade da expansão orgânica impulsionou as receitas e as vendas de mesmas lojas, que veio em 10,4%. A companhia “foi o grande destaque do segmento, dado o momento desafiador para o setor”.

Vestuário, Calçados e Jóias. 

Além do já descrito cenário macroeconômico desafiador para o consumo discricionário, o varejo de moda decepcionou no segundo trimestre deste ano por comparação. 

Clima quente prejuicou venda das coleções de inverno no 2T23. [Foto: Reprodução]
Como bolsa de material sintético para quem já experimentou acessórios de couro, difícil engolir os números do 2T23 quando já se viu os do 2T22. Para completar, os ares da moda literalmente não circularam: o clima mais quente impactou negativamente as coleções de inverno. 

Niels Tahara destaca o desempenho positivo das empresas voltadas para o público de renda mais alta – Arezzo [ARZZ3], Vivara e Track and Field –, ressaltando também a boa surpresa com a C&A. A fast-fashion “continuou o movimento de melhora de rentabilidade, refletindo as iniciativas da gestão”.

Já o Grupo SBF foi o destaque negativo do segmento, em meio ao persistente desafio para rentabilizar as operações, com a necessidade de normalização dos estoques pressionando as margens. A dona da Centauro é o único ativo do nicho de moda com recomendação neutra da Eleven – os demais papéis têm recomendação de compra. 

E-commerce

As vendas brutas da Via e Magazine Luiza ficaram estáveis no segundo trimestre, “ainda sofrendo com a maior exposição aos produtos de linha branca”. O cenário restritivo de crédito também pesou, apesar de uma melhora no ambiente competitivo após o caso Americanas. 

Como ponto positivo, a Eleven destaca uma melhora da margem bruta do Magalu, beneficiada pela margem de serviços e mesmo ante o impacto de um aumento de impostos. 

Demais varejistas

Fora da caixinha dos nichos listados acima, a Eleven destaca a Petz [PETZ3], cuja rentabilidade ficou ainda pressionada por aquisições, uma competição mais agressiva no segmento e a menor contribuição de itens discricionários. 

Já para a Zamp, os resultados foram impactados por uma pior dinâmica de fluxo no trimestre e competição mais agressiva, a despeito da melhora na margem bruta com o arrefecimento dos custos – dado a queda no preço de commodities. 

Por fim, ainda bastante impactada pelo cenário macro, a Lojas Quero-Quero manteve a tendência de resultados fracos dos trimestres anteriores.

Nivelados por baixo

O desempenho fraco do setor inclusive consta como um dos propulsores da sequência de quedas do Ibovespa agora em agosto, conforme dito ao TradeNews nesta semana.

A expectativa da Eleven para os próximos trimestres é de recuperação gradual dos resultados, dado o ciclo de queda na taxa de juros e, por consequência, a expectativa de um cenário macroeconômico mais favorável. 

Como legado, os balanços do segundo trimestre deixam para os próximos períodos uma base de comparação mais fraca, finaliza Niels Tahara.

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