Receitas de clubes de futebol da Série A crescem 1% em três anos e somam R$ 6,6 bilhões

Receitas de clubes de futebol da Série A crescem 1% em três anos e somam R$ 6,6 bilhões


As receitas totais dos times de futebol da Série A do Campeonato Brasileiro fecharam a temporada de 2021 em R$ 6,6 bilhões, crescimento de 1% em relação a 2019, último ano antes da pandemia.

O dado está no Relatório Convocados XP: Finanças, História e Mercado do Futebol Brasileiro, divulgado nesta terça-feira (14) pela XP e pela consultoria Convocados, especializada na cobertura da indústria do futebol.

A quase estabilidade nas receitas é explicada por uma série de fatores, como a pouca receita com bilheteria e também pela diminuição no número de sócios torcedores. Outro destaque também é a venda de atletas, que vem caindo ano após ano.

“O mercado de negociação de atletas está mudando. A Europa demanda cada vez menos. Os clubes que dependem deste tipo de receita para fechar suas contas correm risco grande de ficar pelo caminho”, destaca César Grafietti, sócio da Convocados e colunista do InfoMoney.

Dentro desses R$ 6,6 bilhões, a maior fonte de receitas vem dos Direitos de Transmissão (R$ 3,47 bilhões), que estão associados às premiações da Copa do Brasil e Libertadores de 2020, pagas em 2021, além do acúmulo de dois Mundiais de Clubes da Fifa e da premiação do Campeonato Brasileiro.

Flamengo (R$ 1 bilhão) e Palmeiras (R$ 911 milhões) obitiveram quase 30% das receitas dos clubes brasileiros nesse período. O clube carioca registrou crescimento importante de publicidade e o paulista teve forte impacto nas receitas por conta da performance em campo, com duas conquistas da Libertadores e o título da Copa do Brasil de 2020.

Sob a ótica das receitas recorrentes – que excluem as negociações de atletas – a principal divisão do futebol brasileiro arrecadou R$ 5,8 bilhões, crescimento de 8,7% sobre 2019.

O valor, apesar de ser positivo por indicar crescimento, também é um alerta aos clubes: as receitas com negociação de atletas estão mudando e cada vez menos serão a tábua de salvação para quem estiver em dificuldade.

“O ano de 2021 no futebol brasileiro foi marcado pela confirmação de que a pirâmide competitiva mudou. A ideia de que temos 12 clubes grandes e prontos a competir pelo título ficou para trás. Números e desempenho não deixam dúvidas. No ano passado, tivemos Botafogo, Cruzeiro e Vasco disputando a Série B. Ao final da temporada, vimos apenas um deles retornar, mas também a queda de Bahia, Grêmio e Sport Recife. Méritos dos que permaneceram e alerta de que não basta mais a história. É fundamental ser eficiente”, afirma Grafietti.

Com menos dinheiro, diminuíram também os investimentos: em 2021, eles foram 17% menores do que em 2019, e 13% menores que 2020. Houve também uma redução no investimento em formação de elenco profissional e um aumento nos investimentos em categorias de base.

Ao final de 2021, 672 clubes disputaram alguma divisão profissional no Brasil, crescimento de 17% sobre 2020 e 5% sobre 2019. Com a possibilidade da Sociedade Anônima do Futebol (SAF), a tendência indicada pelo relatório é a chegada aos gramados de novos clubes, sem dívidas e com visão de negócios.

“Apesar de recente, esperamos que a Lei da SAFs melhore o panorama geral consideravelmente já num curto espaço de tempo, com mais clubes aderindo ao modelo de negócios com investidores privados. Não tenho dúvida de que teremos clubes ainda mais fortes, com maior capacidade de investimento e torcedores cada vez mais engajados com seus times”, diz Guilherme Ávila, sócio e responsável por Esportes no Banco de Investimento da XP.

  • As receitas totais da Série A somaram R$ 6,6 bilhões em 2021;
  • Somente com salários, os custos foram de R$ 3,2 bilhões na Série A em 2021;
  • As dívidas dos clubes da Série A fecharam 2021 em R$ 8,9 bilhões;
  • As receitas totais da Série B somaram R$ 900 milhões em 2021;
  • As maiores dívidas líquidas são do Atlético-MG (R$ 1,3 bilhão), Corinthians (R$ 963 milhões), Cruzeiro (R$ 723 milhões), Vasco (R$ 710 milhões) e São Paulo (R$ 632 milhões);
  • 75% das pessoas têm no futebol seu esporte predileto; o Brasileirão é a competição favorita;
  • Em 2021, o país teve 672 times disputando alguma competição profissional, alta de 17%;
  • As maiores torcidas do país em 2022 são do Flamengo (24%), Corinthians (18%), São Paulo (11,5%), Palmeiras (9,8%), Grêmio (4,7%) e Vasco (4,1%);
  • Cruzeiro e Flamengo têm as torcidas mais jovens; Santos e Fluminense têm as torcidas mais velhas;
  • As competições mais amadas são o Campeonato Brasileiro (60%), a Libertadores (58%), a Copa do Brasil (57%) e a Copa do Mundo (54%).

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