Resumo de abril: “Lá e de volta outra vez”

resumo do mês bolsas de valores abril 2022

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Encerrou-se o quarto mês do ano e investidores brasileiros já se perguntam se a trajetória do mercado nacional seria um “voo de galinha” semelhante ao de 2021. Se sim, o pouso começou mais cedo que no ano passado, quando os 130 mil pontos começaram a se transformar em 104 mil apenas no final do primeiro semestre.
É cedo para uma resposta definitiva, ainda que o principal índice acionário brasileiro tenha fechado abril mais de 10% abaixo da máxima do ano – coincidentemente registrada no primeiro dia do mês, popularmente conhecido como Dia da Mentira (mensagem subliminar ou não, é desconhecido). Afinal, o benchmark da bolsa nacional segue em melhor patamar ante a pontuação mínima mensal e certamente bem acima da mínima de 2022, registrada no primeiro pregão de janeiro. 

Análises técnicas à parte, fato é que contra o Fed poucos podem, muito menos apenas um país latinoamericano. Ao menos em um primeiro momento. Por mais que Brasil, Uruguai e México tenham sido os únicos do globo com câmbio valorizado ante o dólar no ano, o aperto monetário provavelmente mais agressivo nos EUA, o surto de Covid-19 na China e os sinais de estagflação resultantes de tais fatores – associados também à guerra na Ucrânia – colocam à prova todo o progresso feito até então.

mercado nacional 

Em uma analogia preguiçosa, o Ibovespa em abril de 2022 foi a criança prodígio que se tornou um adulto nem um pouco brilhante. Pela primeira vez na marca dos 121 mil pontos desde o ano passado, o Ibovespa seguia apoiado pelas entradas milionárias de dinheiro estrangeiro, valorização das commodities e dólar no menor patamar em dois anos. O presidente do Banco Central inclusive falava sobre a pretensão de encerrar o ciclo de alta da Selic à taxa de 12,75%. 

Como diz um ditado na língua inglesa, too soon. Os ventos do exterior reviraram tudo, deixando um saldo de investimento estrangeiro negativo na comparação mensal e uma alta de quase 4% do dólar frente ao real. Por outro ângulo, enquanto os gringos recolhiam seus pertences para buscar abrigo antes da tempestade, o brasileiro dividiu bastante a atenção com os cenários corporativo e político locais.
Não sem motivo. Apesar do petróleo ter registrado a quinta alta mensal consecutiva – por essas e outras, a PetroRio e a 3R Petroleum ficaram entre as maiores altas do Ibovespa em abril –, nem só de alegrias viveu a Petrobras, que abriu o mês carente de liderança. Os indicados de Bolsonaro à presidência-executiva e à presidência do conselho administrativo da estatal, Adriano Pires e Rodolfo Landim, foram bem recebidos pelo mercado, mas desistiram de concorrer ao cargo por conflito de interesses. Em substituição, o Ministério de Minas e Energia apontou os nomes de José Mauro Coelho e Márcio Weber, também apreciados pelo mercado e, finalmente, aprovados e empossados para os respectivos cargos.
A novela da privatização da Eletrobras teve para si outro holofote. Há um dia do julgamento da segunda etapa do processo no Tribunal de Contas da União, o PT acionou a Justiça Federal contra a venda da empresa. Após rumores de que o ministro Vital do Rêgo pediria vista de 60 dias do processo, o TCU por fim remarcou o julgamento para 18 de maio. 

Em contrapartida, os setores de varejo e tecnologia foram penalizados mais uma vez, apesar do arrefecimento da inflação. O IPCA-15 e o IGP-M vieram abaixo das projeções e, no que depender da energia elétrica, a desaceleração continua. A pasta de Minas e Energia confirmou o fim da bandeira de “escassez hídrica” e a adoção da bandeira tarifária verde, que entrou em vigor no dia 16. De acordo com o Ministério, a mudança vai trazer uma redução média de 20% na conta de luz das residências, e a tarifa deve ser mantida até o fim do ano, caso as atuais condições de chuva se perpetuem.
Diante da arrecadação federal crescente – os últimos dados, referentes a março, apontam alta real de 8,65% ante fevereiro –, o Governo Federal começou abril com a alíquota do IPI reduzida em 25% e fechou o mês aumentando o corte para 35%. Mas o cenário fiscal do país voltou a preocupar diante da greve dos servidores federais. A fim de encerrar a paralisação, o governo prometeu reajuste de 5% para a categoria, o que custaria R$ 6,3 bilhões aos cofres públicos, acima dos R$ 2,7 previstos no Orçamento de 2022.

mercado internacional 

Não foi de agora que autoridades do Fed subiram o tom para falar sobre um aperto monetário mais agressivo, mas a gota d’água foi o presidente da autoridade monetária endossar o discurso. No evento de primavera do FMI, Jerome Powell afirmou que seria apropriado agir “um pouco mais rápido” para conter a inflação e que o BC americano pode subir a taxa de juros em 0,5 p.p. na reunião de maio. 
Estava feito. Se por um lado concretizou-se a cautela diante de um iminente aumento dos juros dos EUA, por outro a inflação americana inspirou um pouco de alívio ao vir dentro do esperado, sugerindo um possível pico. O cenário foi distinto na Zona do Euro, onde a taxa inflacionária renovou a máxima histórica mais uma vez, a 7,5%. Perspectivas de estagflação ganharam força ao longo de abril, diante da contração do PIB americano em 1% e da indústria chinesa, em meio a novas restrições para conter surtos locais de Covid-19. 

O gigante asiático vivencia seu segundo pior quadro pandêmico desde 2020, levando a bolsa de Xangai ao pior tombo desde junho do referido ano. Para inspirar alívio no mercado local, o governo chinês anunciou novos investimentos em infraestrutura e prometeu aumentar esforços para estimular a economia do país.
Apesar das incontáveis perdas humanas, a guerra no Leste Europeu fez pouco preço nos mercados durante abril, à exceção de seu último dia útil, quando o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse que são altas as chances de encerrar de vez as negociações com o país invasor. A situação começou a ficar mais tensa no início do mês, quando foram apontados indícios de crimes de guerra na cidade de Bucha. Diante de um movimento de retirada das tropas russas do norte ucraniano, soldados do país invadido descobriram o que seria um massacre de civis. 
Em resposta, 93 países dos 193 membros do Conselho de Segurança da ONU votaram pela suspensão da Rússia, o que as Relações Exteriores de Moscou classificaram como “histeria”. O tom foi ainda mais grave nas reações contra o envio de apoio militar do Ocidente para a Ucrânia. Não faltaram ameaças russas de guerra nuclear e, até mesmo, Terceira Guerra Mundial. 
Em face deste cenário nada ameno, investidores também olharam para fenômenos corporativos dos EUA, como o prejuízo de US$ 3,8 bilhões da Amazon no primeiro trimestre. No mesmo período, a Netflix reportou perda de assinantes pela primeira vez em 11 anos. Como nem tudo são trevas, também houve um rali com as ações do Twitter diante da proposta de Elon Musk para comprar a companhia – que se concretizou em um negócio de US$ 44 bilhões.

commodities

Na tentativa de frear a alta do petróleo, que já se arrastava por quatro meses, o presidente americano, Joe Biden, confirmou que dezenas de milhões de barris do óleo seriam liberados pela Agência Internacional de Energia (AIE). Junto a outros países-membros, a instituição concordou em liberar 120 milhões de barris (metade por conta dos EUA). Junto à alta do dólar, a liberação gerou o efeito momentâneo de desvalorização do petróleo, contraposto pela preocupação com a oferta diante do conflito com a Rússia. 
Quando a Alemanha retirou a oposição ao embargo do petróleo russo, os preços do barril subiram de vez. Moscou suspendeu o fornecimento de gás para a Bulgária e a Polônia, em meio à recusa dos países em efetuar o pagamento em rublos. 
A situação sanitária da China não só fez preço no mercado de petróleo, como também no de minério de ferro, uma vez que as perspectivas de produção ficam comprometidas em tal panorama. Por conta disso, a commodity negociada em Dalian teve em abril a primeira queda semanal em dois meses. Entretanto, a injeção de ânimo do governo chinês impulsionou os preços rumo à recuperação.

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Por Isabela Jordão

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