Riscos de interferência é baixo e vale a pena investir em Banco do Brasil [BBAS3], diz Benndorf

Edifício sede do Banco do Brasil (BBAS3), em Brasília. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Desde o início de 2022, a Benndorf tem as ações do Banco do Brasil como top pick. Apesar das inseguranças dos investidores devido às eleições e o temor de possíveis ingerências políticas, a casa de análise acredita, há cerca de um ano, que vale a pena investir em BBAS3, “dado o desconto de valuation”, segundo declaração de Niels Tahara, head de análise fundamentalista da Benndorf em evento online organizado pela casa de research na última quinta-feira (16).

“É uma ação que performou muito bem no ano passado, e também vem performando bem e entregando ótimos dividendos esse ano”, afirmou o analista.

Com a nova gestão de Tarciana Medeiros, anunciada por Fernando Haddad no final de janeiro para presidir a estatal, parte do mercado questionou se haveria continuidade no projeto de governança anterior, que, segundo Tahara, entregou “ótimos resultados”.

O Banco do Brasil reportou o melhor resultado entre os bancos do quarto trimestre de 2022. “Nos últimos anos o banco subiu despesas abaixo da inflação. Eles foram muito eficientes nisso. Não à toa ele [o Banco do Brasil] reportou o menor índice de eficiência na história, que é basicamente as despesas [divididas] pela receita, então quanto menor, melhor”, apontou o especialista.

Destaque também para a inadimplência de BB, que é a menor entre os grandes bancos, principalmente por causa do crédito agro, “que foi um grande impulsionador dos resultados esse ano e deve continuar sendo em 2023”, de acordo com Niels.

Imagem de divulgação do Plano Safra 2022/2023 [Foto: Governo Federal]
Ainda sobre o balanço da estatal, o que mais chamou a atenção do analista foi o Índice de Basileia, que cresceu, apesar do aumento das previsões de inadimplência. O Índice de Basileia tem como função analisar e medir a saúde financeira de uma instituição bancária ou financeira. “Quer dizer que o balanço está melhor”, afirma Niels.

Ele explica que a alta da inadimplência por si só não é um grande problema, desde que “esse risco esteja sendo remunerado, e é o que está acontecendo.”

Nova gestão

Antes do anúncio de Haddad, o principal temor era de que a pessoa indicada para presidir o BB tivesse muita proximidade com a política e distanciamento do teor técnico, de acordo com Tahara, o que não se concretizou. 

A nova presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, durante solenidade de posse [Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil]
“Acabou que a CEO e os outros diretores são todos funcionários de carreira, o que é muito positivo da visão de governança, quer dizer que eles estão mantendo as decisões. Nos últimos anos, o principal foco de crescimento do Banco do Brasil foi a parte da transformação digital. Eles criaram modelos com foco em dados, e a própria Tarciana participou desse processo como gestora, o que é muito importante como sinalização”, disse ele.

O analista acredita que a nova presidente deve seguir a atual tendência de investimento em dados e inteligência artificial, um modelo que “vem performando muito bem.”

“Virada de chave”

A receita para que o BB saísse de um retorno sobre patrimônio (ROE) bem abaixo dos pares privados para um banco que, hoje em dia, tem o maior ROE só precisou de três ingredientes.

De acordo com Niels, a melhora da governança junto com o processo de digitalização do banco e o crescimento da carteira agro foram os responsáveis pelo salto do ROE do Banco do Brasil.

Segundo ele, o modelo de governança atual teve melhores resultados principalmente por conta da lei das estatais, que dificultou a utilização do banco como ferramenta política. “No último governo, por exemplo, a gente teve três trocas de CEOs, uma clara intenção de interferência”, disse.

Fausto de Andrade Ribeiro, terceiro nome a ocupar presidência do Banco do Brasil no governo Jair Bolsonaro. [Foto: Divulgação/Banco do Brasil]
Niels Tahara diz que recebe muitas perguntas de como ele sabe que não haverá novas interferências na instituição durante o atual governo. “Eu não sei. E na verdade ninguém sabe. A gente pega sinalizações, vê o que o banco está indicando em termos de execução, olha o que vem sendo feito… Mas, na prática, ninguém sabe com toda certeza se vai ter uma grande interferência ou não. O grande ponto é que o valuation do BB tem uma margem de segurança gigantesca” 

Por exemplo, em 2015, o banco negociava 0,5x preço/valor patrimonial, ou seja, negociava metade do que tinha em patrimônio, em uma época em que a instituição possuía estrutura de governança “muito pior”, segundo o analista, e quando a instituição não entregava o retorno atual. 

“Isso tudo só para dizer que hoje o que está precificado na ação do Banco do Brasil é quase a mesma coisa que estava precificado em 2015, só que em um banco que tem um ponto de partida muito melhor”, resume Tahara.

Ele acredita que, apesar de existir, o risco de governança “é muito menor do que era em 2015”. “Mesmo que haja interferência, ela provavelmente não vai conseguir destruir toda a rentabilidade que o banco vem apresentando”, afirmou Tahara.

Além disso, o balanço do 4T22 ainda refletiu o crescimento da carteira agro, setor que tem tido bons resultados. “O último Plano Safra foi o maior da história, e o banco está na vanguarda para conceder esses créditos. A expectativa é que o próximo Plano Safra seja tão bom quanto ou até melhor. As perspectivas para o agro são muito boas. É um setor que se beneficia muito em um cenário de dólar alto e oferta baixa”, explica Niels.

Destaque ainda para a capacidade do Banco do Brasil de se transformar em virtual, reduzindo a quantidade de agências físicas e pontos de atendimento e alcançando uma das melhores avaliações do aplicativo entre os grandes bancos.

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