Ritmo do aperto monetário deve ser foco da reunião do Fed

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Analistas de Wall Street vão focar nesta quarta-feira (02) no que dirá o presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, sobre uma possível desaceleração dos reajustes das taxas de juros para a próxima reunião de política monetária, em dezembro.

Dirigentes do Fed já indicaram que eles provavelmente vão subir a taxa referencial dos Fed-funds em 0,75 ponto percentual hoje, para uma faixa entre 3,75% e 4%. A decisão confirmaria o quarto aumento consecutivo de mesma magnitude, à medida que o BC americano busca reduzir a inflação desacelerando a economia. 

Algumas autoridades do BC americano recentemente começaram a sinalizar a intenção de reduzir o tamanho dos reajustes após esta semana e potencialmente parar de subir as taxas no início do ano que vem, tão logo vejam os efeitos de suas medidas. 

Estes diretores e muitos economistas do setor privado alertaram sobre os riscos crescentes de o Fed subir muito os juros e causar forte esfriamento da economia. Até junho, o Fed não havia subido os juros em 0,75 ponto percentual, ou 75 pontos-base, desde 1994.

“Eles têm que pensar sobre calibragem nesta reunião. Você está tentando esfriar a economia, não afundá-la em um congelamento profundo”, disse Diane Swonk, economista-chefe da KPMG.

Autoridades do Fed apoiaram consideravelmente grandes aumentos de juros durante o verão americano porque estavam brincando de pique-pega. A inflação renovou máximas de 40 anos seguidas vezes, mas as taxas de juros estavam fixadas próximas de zero até março. 

O debate sobre a intensidade dos reajustes das taxas poderia se intensificar conforme os juros atinjam níveis mais prováveis de restringir gastos, contratações e investimentos. A taxa dos Fed-funds influenciam em outros custos de empréstimos economia adentro, incluindo taxas de cartão de crédito, hipotecas e financiamentos de carros. 

“Eles precisam desacelerar o ritmo. Tenhamos em mente que 50 pontos-base é rápido; 75 pontos-base é muito rápido”, disse Ellen Meade, economista da Duke University e ex-conselheira sênior do Fed.

Até junho de 2022, a última vez que o Fed subiu juros em 0,75 p.p. havia sido em 1994. [Foto: Pixabay]

 

Dezembro seria um momento natural para desacelerar o ritmo, porque os dirigentes poderiam usar as novas projeções na reunião para apresentar expectativas sobre atingir um patamar mais alto ou a taxa de juros terminal diferente do previsto antes, disse ela. “Ir mais rápido agora é quase atingir a taxa terminal”, afirmou Meade. 

Mas alguns analistas dizem que será difícil para o Fed retroceder o ritmo em dezembro, por conta de expectativas de que a inflação continue a subir acima das previsões. 

Autoridades do Fed esperavam que a inflação declinasse este ano, mas a estimativa de longe foi em vão. Os diretores reagiram definindo uma meta para a taxa dos Fed-funds maior que o projetado um ano antes, resultando nos reajustes acima do previsto de 0,75 pontos. 

Na reunião de setembro, os dirigentes projetaram que precisariam subir a taxa para pelo menos 4,6% no início do ano que vem. “Se você tem ampla concordância sobre isso, e a inflação continua subindo além do esperado, faz sentido chegar à taxa final mais cedo”, disse Matthew Luzzetti, economista-chefe sobre os EUA no Deutsche Bank. 

Analistas do Deutsche Bank, UBS, Credit Suisse e Nomura esperam que o Fed suceda o aumento de 0,75 p.p. desta semana com um reajuste de mesma magnitude em dezembro.

Em contrapartida, analistas do Bank of America, Goldman Sachs, Morgan Stanley e Evercore esperam ver o Fed retrocedendo o ritmo dos aumentos de taxas em dezembro com um aumento de 0,5 p.p. 

Dados econômicos publicados desde a reunião de setembro do Fed foram mistos. Enquanto a demanda doméstica retraiu e o mercado imobiliário está entrando em forte desaceleração, o mercado de trabalho permaneceu forte e as pressões inflacionárias continuaram elevadas. Recentes balanços corporativos exibiram forte demanda de consumo e aumentos de preços. 

Autoridades vão ver mais dois meses de relatórios econômicos antes da reunião em meados de dezembro, incluindo de contratação e inflação. “Mesmo se Powell revelar projeções na coletiva de imprensa, isso não envolve compromisso”, escreveu o ex-diretor do Fed Laurence Meyer, que dirige a empresa de pesquisa econômica LH Meyer, em relatório recente. 

Alguns economistas dizem que o Fed terá que subir a taxa dos Fed-funds acima de 4,6% no próximo ano, por conta da resiliência dos gastos com consumo e demanda doméstica para taxas mais altas até agora. 

Estrategistas do FHN Financial esperam que o Fed suba a taxa para cerca de 6% até junho que vem. Após o aumento desta semana, o Fed poderia atingir essa marca sem outro aumento de 0,75 ponto percentual. 

“O dilema óbvio para os mercados financeiros é que muitas coisas podem ser verdade simultaneamente, e muitas delas apontam diferentes direções. O Fed poderia desacelerar em dezembro, mas então ainda atingir os 6%, na nossa projeção”, disse Jim Vogel da FHN Financial, em nota a clientes na segunda-feira (31). 

O Fed combate a inflação ao desacelerar a economia através de condições financeiras mais apertadas – como custos de empréstimo mais altos, preços de ações mais baixos e dólar mais forte – que reprimem a demanda. Mudanças na trajetória esperada das taxas, e não apenas o que o Fed faz em cada reunião, podem influenciar condições financeiras mais amplas. 

Muitos investidores este ano ficaram ansiosos por interpretar sinais de um ritmo menos agressivo de reajustes como sinal de que uma pausa nos aumentos de taxas não vai demorar, mas um rali persistente do mercado arrisca desfazer o trabalho do Fed para desacelerar a economia.

Qualquer comentário de Powell sobre como as autoridades veem o potencial para uma trajetória de juros mais alta pode moderar qualquer exuberância do mercado sobre um ritmo mais lento de aumentos, disseram economistas. “Agora é sobre o destino, não a jornada”, disse Michael Gapen, economista-chefe dos EUA no Bank of America, em relatório na segunda-feira.

(Com Wall Street Journal)

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