Inteligência Artificial e nosso futuro

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DISCLAIMER: o texto a seguir trata apenas da opinião do autor e não necessariamente reflete a opinião institucional da Nomos Investimentos ou do TradeNews.

Nenhuma tecnologia terá tanto impacto em nossas vidas e no futuro do trabalho quanto a inteligência artificial (IA). Estou tão convencido disso que começarei a escrever nesta coluna no TradeNews sobre as expectativas, novidades e os impactos que a IA deverá ter em nossas vidas, e em especial, na economia e investimentos.

Até muito pouco tempo atrás eu acreditava que a primeira habilidade que todo brasileiro deveria desenvolver, independentemente de qual carreira decidisse ter, era ter um inglês (língua) mais próxima da fluência possível. O inglês é a língua internacional em um mundo cada vez mais plano e curto.

Serve para tudo e qualquer tipo de atuação / mercado que se queira ter. Acho, por exemplo, muito mais importante um jovem brasileiro aprender e consolidar seu inglês que fazer uma faculdade ou mestrado.

Agora, com o advento e crescimento da IA, talvez a fluência no inglês perca um pouco a relevância, não porque o inglês perderá sua relevância, mas porque tradutores linguísticos automatizados serão cada vez mais presentes, precisos, e farão a ponte sobre a falta do inglês para aqueles que precisarem.

O exemplo do inglês acima é apenas uma de inúmeras habilidades que temos e desenvolvemos ao longo da vida. A IA veio para fazer e automatizar tarefas cognitivas que humanos desempenham e, provavelmente, fará com muito mais excelência as tarefas com natureza repetitivas e/ou padrões repetitivos.

Inúmeros especialistas têm apontado carreiras que serão séria e negativamente impactadas e outras que estão sendo criadas com essa revolução tecnológica.

Carreiras como profissionais que trabalham com informação serão provavelmente os mais afetados. Tecnologia da informação (TI), finanças e bancos, serviços jurídicos, mídia e marketing estão entre os setores que devem ser mais afetados.

Na área de TI, os profissionais lidam diretamente com informação, linguagens computadorizadas e humanas, coisas essas que os modelos como o ChatGPT já demonstram uma capacidade assustadoramente boa para escrever sobre. Programadores, analistas de TI entre outros deverão aprender a trabalhar junto e a alavancar sua produtividade para não serem simplesmente trocados.

Em finanças e bancos, as IAs provavelmente atuarão em 3 frentes: cortes de empregos (custos), criação de novas profissões e aumento de eficiência. Um estudo do Centro de Finanças Alternativas de Cambridge com o FEM (Fórum Econômico Mundial) declara que 56% dos bancos já implementaram IA em suas áreas corporativas, e 52% já usaram a tecnologia para gerar receita. Especificamente, tarefas como a de contadores (que não estão restritas ao setor bancário, mas é uma função financeira de qualquer empresa) também estão entre aquelas que sofrerão forte automatização de funções repetitivas.

Em serviços jurídicos, a pesquisa jurisprudencial e busca pelos melhores casos que possam servir de insumo para defesa de interesses jurídicos devem ser fortemente automatizadas e prover ganho de qualidade e rapidez nas carreiras jurídicas. O papel mais braçal desses trabalhos certamente está entre aqueles que serão os primeiros a deixar de existir. Questões jurídicas simples também tenderão a ser automatizadas, abrindo espaço para que apoio preventivo, consultivo e litigante fique centrado em questões mais complexas nas quais o ser humano ainda não é substituível.

Nessa área especificamente, no Brasil teremos um problema duplo:

1- Primeiro – os efeitos globais que sobrevirão sobre a carreira jurídica em todos os lugares do planeta, pela competição de modelos de IA (problema padrão causado pela IA, citado no parágrafo anterior);

2 – Segundo – os efeitos locais de uma indústria educacional completamente ineficiente serão provavelmente exacerbados e tal ineficiência poderá atingir níveis substancialmente piores do que são hoje. Segundo a 7ª Edição do OAB Recomenda, foram selecionadas 192 faculdades com a insígnia de excelência “Selo OAB Recomenda”, de um total de 1896 faculdades de direito no Brasil. É notório que hoje, antes da IA aparecer, já havia um problema estrutural de venda de cursos, muitos deles inúteis, que geram bacharéis de direito, sem a menor capacidade de atuar porque não passam no crivo básico do exame da OAB (aprovação total em apenas 15%).

Por fim, em mídia e marketing, muitas aplicações da IA terão efeitos disruptivos nas carreiras típicas do setor. Automação de escrita de artigos jornalísticos em grupos jornalisticos, IA para desenvolver “copies” mais criativas em grupos de marketing, entre outros, são exemplos de atividades que terão profundo impactos via IA para aumento de produtividade e corte de custos.

Hoje assistimos a uma greve dos escritores de Hollywood, não diretamente criada pela IA, mas por mudanças no modelo de negócio, que tem sofrido muitas revoluções desde que os streamers tomaram o mercado. Com a IA criando conteúdo, como sabemos que o ChatGPT pode fazer, teremos uma intensificação desses conflitos entre produtores de conteúdo e as empresas de mídia.

Por outro lado, para sermos justos, muitas carreiras estão nascendo na esteira das IAs. Engenheiro de prompt, engenheiro de aprendizado de máquina, engenheiros e analistas de data, analistas de segurança da informação, analistas de inteligência de negócios são alguns dos exemplos de carreiras que crescem aceleradamente. Segundo o Fórum Economico Mundial, a IA liderará a criação de vagas de trabalho e oportunidades que mais crescem nos próximos 5 anos.

As estimativas sobre o poder destrutivo de vagas são maiores que as de criação de novas vagas. Uma das grandes dificuldades é o retreinamento e aproveitamento de mão-de-obra em outras frentes. Esse é um problema tanto social/político, quanto individual.

A destruição anunciada de vagas é um problema social / político porque tais forças econômicas da tecnologia criarão desemprego em massa, segundo inúmeros futurologistas. Políticas públicas deverão ser postas em prática o quanto antes para requalificar pessoas, de preferência para as novas áreas tecnológicas onde haverá o crescimento do número de oportunidades. Essa é uma preocupação que governos, sindicatos e organizações do trabalho deveriam o mais rápida e ativamente estar tratando e gerando projetos e políticas para se responder a esse problema.

Particularmente, eu também acho que seja um problema individual de cada um de nós. Cabe a nós nos autoavaliarmos e avaliarmos nossas carreiras e as indústria/setor na qual se insere. De acordo com o resultado dessa avaliação, precisamos procurar alternativas a nossa carreira. Seja aprendendo a trabalhar junto com as IAs, seja mudando de carreira para outras com menor impacto.

Talvez, os funcionários públicos sejam os únicos insulados de desemprego no curto prazo. Não que o setor público não use ou utilizará tais tecnologias – exemplos não faltam de que as IAs ajudarão o setor público também. Mas, por desenho, não há o risco do desemprego.

Certamente, há outras carreiras também pouco afetadas pela IA. Muitas são carreiras na área de saúde ou que interagem diretamente / emocionalmente com o cliente final. Uma lista dessas carreiras com baixo risco de impacto pelas IAs foi feita pelo Instituto de Carreiras dos EUA.

É fundamental nos prepararmos para essa realidade que já bate à porta, principalmente se você trabalha em um setor dos que serão mais atingidos. Aqueles que aguardarem pelo governo / sindicato ou outra organização que venha em seu salvamento, potencialmente acordarão tarde e demorarão mais a se adaptar as novas realidades.

Como diz uma canção antiga, campeã em festivais de outrora: “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer…” – isso, atitude, a IA está longe de afetar!

E você, como enxerga sua carreira e o setor no qual trabalha nessa revolução tecnológica que vivemos?

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