Projeções para os balanços do 3T23 têm mais ceticismo que ânimo; confira

3t23

A temporada brasileira de balanços corporativos do terceiro trimestre começou nesta quarta-feira (25). Movido por eventos como o primeiro corte da Selic em mais de dois anos e novas políticas federais, o período, entretanto, instiga pouca expectativa. 

A começar pelo início da redução dos juros, que não deve ter feito muita diferença para a maioria das empresas, concordaram os analistas consultados pelo TradeNews. Afinal, a taxa básica segue em dois dígitos, portanto o custo de crédito continua elevado. 

Cenário macro

Leonardo Piovesan, analista CNPI e fundamentalista na Quantzed, aponta os indicadores macroeconômicos como mau sinal sobre a temporada de balanços. “Tem saído dados negativos de consumo, dados negativos de varejo e de atividade da indústria, de atividade econômica em geral, então o endividamento das famílias continua elevado.”

Entre julho e setembro, a produção industrial seguiu estagnada, “e muito disso pode ser justificado pelo alto custo de crédito das empresas”, diz André Fernandes, especialista em renda variável. 

Já a inflação medida pelo IPCA voltou a acelerar – algo já esperado, principalmente por conta do reajuste dos combustíveis. Todavia, “o indicador nesse último trimestre veio melhor do que o mercado esperava, e apresentando desaceleração no segmento de serviços”, lembra o especialista. 

Quanto ao início do corte da Selic, se alguma melhora já for perceptível nos balanços, será nas empresas mais alavancadas. Isto é, a redução das despesas financeiras causada pelos juros menores pode resultar em lucro maior no terceiro trimestre comparado ao período imediatamente anterior. 

Ainda assim, o impacto seria mais um efeito de redução de despesa financeira do que melhora no ambiente de vendas, receita e margens, destaca o estrategista de investimentos da Nomos, Max Bohm.

Alívio para as varejistas?

Quem começou a apresentar sinais de melhora foram as vendas no varejo. Assim, retoma André, o mercado deve ficar atento ao segmento de melhor performance no trimestre, em busca da justificativa para a melhora do indicador. 

Em termos relativos, Max Bohm espera surpresas positivas entre os balanços das varejistas – muito por conta da base fraca de comparação. O terceiro trimestre de 2022 antecedeu as eleições presidenciais, portanto foi marcado por refreio do consumo, recorda Max. 

Por conta disso, as varejistas devem reportar crescimento no 3T23 ante o 3T22, mas não significa que as operações estão indo bem. “O cenário é muito difícil ainda para o varejo, com estoques elevados, margens comprimidas, same store sales baixo.” Qualquer melhora entre os balanços do varejo “é simplesmente um efeito de base fraca”. 

O varejo alimentar é o que melhor promete dados positivos, defende Leonardo Piovesan. Apesar da inflação de alimentos ter caído – algo ruim para o faturamento, em termos nominais –, o volume de vendas pode surpreender para cima e “mais do que compensar essa queda nos preços unitários dos alimentos”. 

Olhares favoráveis

É unanimidade a projeção positiva para os números das petrolíferas. Petrobras [PETR3; PETR4] e Prio [PRIO3] são as principais promessas do 3T23, ressalta Piovesan. 

Enquanto a estatal divulgou recentemente o relatório de vendas do terceiro trimestre com recorde de venda de petróleo e derivados, a segunda “segurou bastante um volume grande de petróleo para ser vendido no terceiro trimestre”. Ambas se beneficiaram da retomada do viés altista do petróleo, iniciada no fim de junho. 

Também os bancos devem reportar números positivos. “Os grandes bancos que fizeram a lição de casa de manter a inadimplência em níveis baixos devem voltar a entregar uma boa rentabilidade”, comentou André Fernandes. 

O Itaú [ITUB3; ITUB4] tem mantido margens, com bom retorno sobre capital investido (ROE), citou Max Bohm. “Acho que pode ter uma surpresa vindo de Inter [INBR32], mostrando evolução na rentabilidade”, completa. 

As construtoras de baixa renda, como MRV [MRVE3], Cury [CURY3] e Direcional [DIRR3] podem já colher efeitos positivos da maior concessão de crédito do governo federal para o Minha Casa, Minha Vida. Por outro lado, o Desenrola ainda não deve ter nenhum peso suficiente para influenciar nos balanços, assim como as discussões do arcabouço fiscal e reforma tributária, visto que “muito pouco foi definido de fato.”

Um impacto mais expressivo da política nos números do 3T23 estaria longe de ser positivo, aliás. A curva de juros do Brasil voltou a subir “por conta principalmente do arcabouço fiscal”, falou Piovesan. Ainda há incerteza quanto à capacidade do governo de fechar das contas públicas sem déficit. 

Patinhos feios

Max e André esperam resultados ruins das mineradoras e siderúrgicas. Isso porque a economia da China continuou em desaceleração, e somente nas últimas semanas começou a anunciar estímulos para retomar o ritmo de crescimento na parte de infraestrutura. 

Leonardo, em contrapartida, espera bons números do setor de metais. O minério de ferro “é uma commodity que tem surpreendido positivamente”, justifica, e a Vale [VALE3], apesar do relatório de vendas não tão positivo, “ainda assim tem expectativa de soltar um resultado bom no relativo com o resto da bolsa”.

Por fim, André prevê resultados ruins do setor de saúde, principalmente das companhias de planos de saúde. A sinistralidade no segmento segue alta, o trimestre viu discussão sobre o piso dos enfermeiros, “e há muitos processos de pacientes por procedimentos que antes os planos liberavam e hoje estão mais criteriosos”. 

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