Tesouro Direto: com ata do Copom e retração no setor de serviços, juros dos títulos públicos recuam

Tesouro Direto: com ata do Copom e retração no setor de serviços, juros dos títulos públicos recuam


Após um comunicado considerado duro na última quarta-feira (8), a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) – em que a Selic foi elevada para 9,25% ao ano – mostrou que a autoridade monetária chegou a avaliar realizar um ajuste ainda mais agressivo. O documento foi divulgado nesta terça-feira (14)

Na ata, os dirigentes do Banco Central pontuaram que o Comitê comparou cenários envolvendo ritmos de ajustes maiores do que o 1,50 ponto percentual em períodos em que a taxa de juros permanece elevada por mais tempo. Após esses estudos, no entanto, o colegiado entendeu que o ritmo de 1,50 ponto era adequado para garantir a convergência da inflação e a ancoragem das expectativas ao longo do ciclo.

Ainda assim, o documento trouxe que “o ciclo de aperto monetário deverá ser mais contracionista do que o utilizado no cenário básico por todo o horizonte relevante”, o que sugere que a política monetária será mais apertada por mais tempo para ancorar as expectativas.

Destaque também para os números de serviços que vieram abaixo do esperado pelo mercado. Investidores ainda monitoram hoje o início da análise pela Câmara dos Deputados do texto da PEC dos Precatórios.

Nesse contexto, os títulos públicos negociados no Tesouro Direto apresentam queda nas taxas na manhã desta terça-feira (14). O recuo é maior entre os papéis prefixados.

No caso do Tesouro Prefixado 2024, os juros recuavam de 10,71% ao ano, na sessão anterior, para 10,64%, na primeira atualização do dia. No mesmo horário, o Tesouro Prefixado 2031 com juros semestrais oferecia retorno de 10,35% ao ano, contra 10,43% ao ano, vistos um dia antes.

Com isso, a diferença de retorno entre o papel mais curto (2024) e o mais longo (2031) avançava para 29 pontos-base (0,29 ponto percentual), na primeira atualização da manhã. A distância entre ambos voltou a aumentar, depois de ter atingido cerca de 2 pontos-base no começo deste mês, com a resolução parcial da PEC dos Precatórios e a visão de que o Banco Central não deveria subir tanto os juros no ano que vem, leitura que era feita antes do Copom da última quarta-feira (8).

Já entre os papéis atrelados à inflação, na abertura dos negócios, os retornos reais oferecidos pelo Tesouro IPCA+ 2026 eram de 4,84% ao ano, abaixo dos 4,87% registrados ontem (13). Da mesma forma, os papéis com vencimento em 2055 e com pagamento de juros semestrais ofereciam remunerações reais de 4,99% ao ano, frente aos 5,05% ao ano vistos um dia antes.

Confira os preços e as taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto que eram oferecidos na manhã desta terça-feira (14): 

Fonte: Tesouro Direto

Ata do Copom e serviços

Um dos destaques da agenda econômica está na divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom). No documento, o Comitê manteve o tom duro da última reunião do dia 8 deste mês e disse que comparou cenários envolvendo ritmos de ajuste acima de 1,5 ponto percentual com cenários em que a taxa de juros permanece elevada por período mais longo.

Na ocasião, o colegiado também ponderou sobre o impacto que o ciclo de aperto monetário mais agressivo pode gerar nos números de atividade do ano que vem.

“Se por um lado a elevação dos prêmios de risco e o aperto mais intenso das condições financeiras atuam desestimulando a atividade econômica, por outro, o Copom avalia que o crescimento tende a ser beneficiado pelo desempenho da agropecuária e pelo processo remanescente de normalização da economia – particularmente no setor de serviços e no mercado de trabalho – conforme a crise sanitária arrefece”, destacaram os dirigentes.

Na avaliação de Caio Megale, economista-chefe da XP, o Copom está “ganhando tempo” para avaliar melhor o estado da economia global e doméstica no primeiro trimestre de 2022. “Enquanto isso, ele manterá o tom duro e aumentará outros 1,50 pp em sua reunião de fevereiro para manter as expectativas ancorada”, observou o executivo.

“Considerando que a atividade já está perdendo fôlego e que boa parte do aperto monetário ainda não atingiu a economia, ainda acreditamos que, até março, o Copom se sentirá confortável em reduzir o ritmo para 0.75 pp e, a partir daí, entrará em modo de esperar para ver com a taxa Selic em 11,50%”, disse. “Mas reconhecemos que o risco está integralmente inclinado para cima”, completou Megale.

Também na agenda econômica, investidores monitoram dados de serviços, que recuaram 1,2% em outubro na comparação com setembro, segundo a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgada nesta terça-feira (14).

É a segunda taxa negativa consecutiva, acumulando uma retração de 1,9%. Com o resultado de outubro, o setor ainda ficou 2,1% acima do patamar pré-pandemia, registrado em fevereiro do ano passado, mas está 9,3% abaixo do recorde alcançado em novembro de 2014.

Na comparação com outubro de 2020, houve uma alta de 7,5%.

O resultado veio abaixo do esperado. A projeção do consenso Refinitiv era de alta de 0,1% na base mensal e de 9,5% na comparação anual.

PEC dos Precatórios

Na agenda política, o destaque está na análise pela Câmara do texto da PEC dos Precatórios nesta terça-feira, após modificações feitas no texto pelos senadores.

Pela regra, Câmara e Senado precisam aprovar a mesma versão de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para que ela possa passar a valer. Por isso, apenas entraram em vigor as regras em comum aprovadas pelas duas casas legislativas.

A análise dos novos dispositivos introduzidos pelos senadores é fundamental para que seja aberto espaço fiscal defendido pelo governo com a proposta, que será usada em parte para financiar o Auxílio Brasil “turbinado”, com parcelas mensais de pelo menos R$ 400.

Pelos cálculos feitos pelo Ministério da Economia, a versão que havia sido aprovada pelos deputados liberava R$ 106,1 bilhões no Orçamento de 2022. E pode ser ainda mais. A Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão ligado ao Senado Federal, está revisando suas estimativas para a casa de R$ 116 bilhões.

Cenário internacional

Enquanto isso, na cena externa, o foco dos mercados globais está na reunião de amanhã (15) do Comitê de Mercado Aberto do Banco Central dos Estados Unidos (Fomc, na sigla em inglês). Não há previsão de alta de juros no encontro desta semana, porém os investidores aguardam o comunicado da autoridade monetária, que pode sinalizar uma retirada de estímulos mais rápida da economia americana. O Federal Reserve, que é o banco central americano, já diminuiu a compra mensal de títulos públicos, prática que adotou ao longo da pandemia da Covid-19.

Nesta manhã, índices futuros nos EUA e os mercados europeus abandonaram os ganhos registrados mais cedo em sua maioria, enquanto a Ásia registrou perdas generalizadas, em meio à cautela frente aos possíveis impactos econômicos da nova variante ômicron e aos esforços dos bancos centrais ao redor do mundo para conter a elevação da inflação.

As ações de empresas asiáticas sofreram com as preocupações envolvendo a repressão de Pequim ao endividado setor imobiliário da China ganhando força novamente. A desaceleração imobiliária do país provavelmente minou a atividade econômica em novembro.

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