Tesouro Direto: com Copom no radar, juros de títulos públicos avançam

Tesouro Direto: com Copom no radar, juros de títulos públicos avançam


A sessão desta terça-feira (7) marca o início da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que termina na quarta-feira (8) com o anúncio do novo patamar da taxa básica de juros, a Selic.

Segundo o último Relatório Focus, do Banco Central, a projeção é de que a taxa básica de juros seja elevada para 9,25% ao ano, chegue a 11,25% em 2022 e recue para 8% em 2023.

Na cena política, investidores monitoram ainda os desdobramentos em torno da PEC dos Precatórios. Após modificação do texto no Senado, a proposta precisa ser submetida a nova análise da Câmara. Com isso, o governo corre contra o tempo para que a questão seja resolvida com o objetivo de garantir espaço fiscal para o Auxílio Brasil no valor de R$ 400.

Nesse contexto, os títulos públicos negociados no Tesouro Direto apresentam alta nas taxas na abertura dos negócios nesta manhã. O Tesouro Prefixado com vencimento em 2024, por exemplo, oferecia retorno de 11,04% ao ano, contra 11,00% ao ano na sessão anterior.

Enquanto isso, o papel prefixado com vencimento em 2031 pagava juros de 11,02% ao ano, frente aos 10,95% ao ano, vistos um dia antes.

Após a diferença entre o retorno do papel de curto prazo (2024) e o de longo prazo (2031) ter alcançado 51 pontos-base (0,51 ponto percentual) no auge das discussões em torno do drible ao teto de gastos, a distância entre a remuneração oferecida por ambos os papéis recuou para apenas 2 pontos-base (0,02 ponto percentual) na abertura dos negócios desta terça-feira.

Da mesma forma, entre os papéis atrelados à inflação, os juros reais do Tesouro IPCA+ 2035 e 2045 avançavam de 5,10% ao ano na sessão de ontem para 5,18% ao ano hoje. Nesse mesmo horário, o Tesouro IPCA+ 2055, com pagamento semestral de juros, oferecia rentabilidade real de 5,21% ao ano, acima dos 5,18% ao ano registrados na tarde de segunda-feira (6).

Confira os preços e as taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto que eram oferecidos na manhã desta terça-feira (7): 

Fonte: Tesouro Direto

PEC dos Precatórios e MP do Auxílio Brasil

Uma das preocupações centrais do governo está agora na PEC dos Precatórios, que vai ajudar a abrir espaço fiscal no Orçamento de 2022 para garantir o pagamento do Auxílio Brasil de R$ 400.

O texto-base aprovado pelo Senado na semana passada promoveu alterações ao texto da Câmara. Logo, por ser uma Proposta de Emenda à Constituição, ela precisa retornar à primeira Casa para só então ser promulgada.

Diante do impasse sobre a questão, Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara, tem defendido a possibilidade de fatiamento da proposta por meio de uma “PEC Paralela”, o que viabilizaria a promulgação dos pontos em comum aprovados por ambas as casas e o envio de modificações feitas pelos senadores para a análise dos deputados.

A proposta também é defendida pelo Palácio do Planalto, que corre para garantir o Auxílio Brasil às vésperas do ano de eleições. Não é à toa que o governo vai editar uma medida provisória para conseguir bancar o benefício de R$ 400 em dezembro.

Segundo apuração do jornal O Estado de S.Paulo, o valor do crédito deverá ficar em torno de R$ 2,7 bilhões. A ideia de correr com a medida provisória é porque apenas assim será possível garantir o pagamento em dezembro, de acordo com fontes ouvidas pelo jornal.

Os recursos virão das sobras de recursos obtidos com o auxílio emergencial, que terminou em outubro e que foi concedido durante a pandemia.

Casa do moeda e combustíveis

Após muita polêmica, o presidente Bolsonaro editou ontem (6) decreto que exclui a Casa da Moeda do Programa Nacional de Desestatização (PND) e revoga a qualificação da estatal no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI).

Em novembro de 2019, Bolsonaro chegou a editar uma medida provisória que colocava fim ao monopólio da Casa da Moeda na confecção de dinheiro e passaporte. No entanto, a MP caducou.

Outro tema que volta à cena política é o preço dos combustíveis. Depois de dizer que a Petrobras anunciaria uma redução no valor dos combustíveis nesta semana – e levar a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a abrir processo administrativo contra a estatal –, o presidente Bolsonaro declarou ontem que o preço da gasolina “tem que cair” com as baixas nas cotações do petróleo Brent, que é usado como referência pela Petrobras.

Ontem, o contrato futuro do petróleo tipo Brent negociado em Londres fechou a US$ 73,08 o barril. Um mês atrás, o contrato futuro mais líquido desse ativo terminou a sessão cotado em US$ 82,74. Em um mês, portanto, houve queda de US$ 9,66.

Após a declaração do presidente, a Petrobras (PETR3;PETR4) informou em comunicado ao mercado ontem que não antecipa decisões de reajuste e reforçou que não há nenhuma decisão tomada por seu Grupo Executivo de Mercado e Preços (GEMP) que ainda não tenha sido anunciada.

Cenário internacional

Enquanto isso na cena externa, investidores acompanham a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro. Segundo a Eurostat, agência de estatística da União Europeia, a atividade econômica na região cresceu 2,2% entre julho e setembro na comparação com os trimestre anterior.

Essa foi a leitura final do indicador, que confirmou a segunda estimativa divulgada em 16 de novembro.

Já nos Estados Unidos, os índices futuros avançam nesta manhã. A aceleração do ritmo do tapering (programa de redução de compra de ativos) pelo Fed, o banco central americano, deve abrir caminho para o aumento das taxas no ano que vem, como principal ferramenta de combate às pressões inflacionárias.

Segundo analistas de Wall Street, o fim das compras de títulos pelo banco central americano, no entanto, vai piorar a situação das Bolsas. Isso porque quando os mercados pararam no ano passado, a liquidez na maioria dos instrumentos do Tesouro americano desapareceu, forçando o Fed a anunciar compras gigantescas de ativos e outras medidas para evitar um colapso.

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