Tesouro Direto: juros aprofundam quedas; retornos dos títulos de inflação recuam até abaixo de 5% ao ano

Tesouro Direto: juros aprofundam quedas; retornos dos títulos de inflação recuam até abaixo de 5% ao ano


Os olhares dos investidores nesta sexta-feira (3) estão atentos aos dados da produção industrial em outubro, que vieram bem abaixo do que era esperado pelo mercado.

Os números reforçam a ideia de que a atividade econômica deve seguir enfraquecida – impactada por problemas nas cadeias produtivas, além do avanço da inflação, juros mais altos e desemprego elevado.

Com dados que apontam que a economia brasileira está estagnada e a percepção de que há menos riscos fiscais sobre a mesa, com a aprovação da PEC dos Precatórios em dois turnos no Senado, o mercado de títulos públicos negociados no Tesouro Direto opera com queda nas taxas na manhã desta sexta-feira (3).

No Tesouro Direto, o papel prefixado com vencimento em 2024 oferecia retorno de 11,25% ao ano, contra 11,42% ao ano, na tarde de quinta-feira (2). Nesse mesmo horário, o Tesouro Prefixado 2031 oferecia juros de 11,20% ao ano, frente aos 11,30% ao ano, da sessão anterior.

Após alcançar uma diferença de 51 pontos-base no ápice do estresse com o drible ao teto de gastos, a distância entre o retorno oferecido pelo Prefixado 2024 e o 2031 caiu para apenas 5 pontos-base (0,05 ponto percentual), na primeira atualização de hoje.

Também houve recuo nos juros pagos pelos papéis atrelados à inflação. O Tesouro IPCA + 2026, por exemplo, caía de 5,05% na sessão de ontem para 4,97% ao ano na abertura dos negócios hoje.

Da mesma forma, o Tesouro IPCA+ 2055, com pagamento semestral de juros, oferecia retorno real de 5,23%, abaixo dos 5,29% do dia anterior.

Confira os preços e as taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto que eram oferecidos na manhã desta sexta-feira (3): 

Fonte: Tesouro Direto

Produção industrial

Dentro da agenda econômica, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou hoje que a produção industrial em outubro recuou 0,6% na comparação com o mês anterior.

Esse foi o quinto resultado negativo consecutivo, acumulando nesse período perda de 3,7%.

Na comparação com outubro de 2020, na série sem ajuste sazonal, a queda foi de 7,8%. Em setembro, o indicador apresentou queda de 0,4% ante agosto.

O dado veio pior do que o esperado pelo mercado financeiro. A expectativa de analistas ouvidos pela Refinitiv era de leve alta 0,6% na comparação mensal, e de queda de 5% na comparação anual.

No acumulado do ano, a indústria tem alta de 5,7% e, em 12 meses, igualmente de 5,7%.

PEC dos Precatórios, Auxílio Brasil e Moro

Na cena política, o Senado aprovou ontem (2) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios em dois turnos. A medida abre um espaço fiscal de R$ 106,1 bilhões em 2022 e permite a implantação do Auxílio Brasil no valor de R$ 400, a partir deste mês.

A PEC ainda terá que passar por uma nova votação em dois turnos na Câmara, que deverá se posicionar sobre as alterações feitas no Senado.

Anteriormente, havia uma articulação para fatiar a proposta na promulgação. As mudanças feitas no Senado, porém, blindaram esse risco em função da redação feita.

Para implementar o Auxílio Brasil, o Senado aprovou ontem (2) também a medida provisória necessária para criar o novo programa de transferência de renda do governo.

A MP, que segue à sanção presidencial, precisava ter sua tramitação concluída pelo Congresso Nacional até o dia 7, ou perderia a validade.

O relator da MP, Roberto Rocha (PSDB-MA), inseriu, a pedido de João Roma, ministro da Cidadania, uma emenda que condiciona o programa e a inclusão automática dos beneficiários elegíveis à disponibilidade fiscal e orçamentária.

Outro tema que ganha ainda mais peso dentro da cena política envolve as discussões em torno da terceira via. Analistas políticos veem hoje o ex-juiz Sérgio Moro (Podemos) como o nome com maior potencial para liderar um movimento alternativo à disputa travada entre o presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A 30ª edição do Barômetro do Poder, iniciativa do InfoMoney que compila mensalmente as avaliações e expectativas de consultorias de análise de risco político e analistas independentes sobre assuntos em destaque na política nacional, mostra que tal percepção é compartilhada por 7 de 13 especialistas (54%) que se manifestaram sobre o assunto.

Outros 38% acreditam que nenhuma das opções até o momento terá condições de ocupar o espaço de líder da “terceira via” e de tirar Lula ou Bolsonaro do segundo turno da corrida ao Palácio do Planalto. Para 8%, os ventos podem soprar a favor de Rodrigo Pacheco (PSD-MG), presidente do Senado Federal.

Payroll

Na cena externa, investidores aguardam a divulgação do relatório de emprego dos Estados Unidos (Payroll) referente a novembro, às 10h30 (horário de Brasília). A expectativa de analistas ouvidos pela Dow Jones é de que 581 mil vagas sejam adicionadas.

Mais tarde, também nos Estados Unidos, serão divulgados os Índices de Preços ao Consumidor (PMI) composto e do setor de serviços Markit relativos a novembro. Às 12h serão divulgadas encomendas à indústria em outubro e a PMI ISM não-manufatura de novembro.

Atenção também para os preços do petróleo que avançam após a Organização dos Países Produtores de Petróleo e seus aliados (Opep+) decidir manter os planos de elevar a produção em janeiro, apesar do impacto da variante ômicron e planos de bancos centrais de reduzir o ritmo de suas políticas expansionistas.

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