Tesouro Direto: juros de títulos prefixados caem abaixo de 11% ao ano, apesar de expectativa de elevação da Selic nesta 4ª

Tesouro Direto: juros de títulos prefixados caem abaixo de 11% ao ano, apesar de expectativa de elevação da Selic nesta 4ª


As atenções na cena local estão voltadas para a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central que anuncia nesta quarta-feira (8) o novo patamar para a Selic no fim do dia. A expectativa, segundo o consenso de mercado, está em uma alta de 1,5 ponto percentual, o que elevaria a taxa básica de juros para 9,25% ao ano.

Por ser a última reunião deste ano, os agentes financeiros estão atentos aos próximos passos do Banco Central, que deve trazer no comunicado mais sinalizações sobre as expectativas para a inflação, avançando o horizonte até 2023.

Embora praticamente todo o mercado espere que a Selic avance hoje, os títulos públicos negociados no Tesouro Direto apresentam queda nas taxas na manhã desta quarta-feira. Após muito tempo, os retornos de todos os prefixados estão abaixo de 11% ao ano, na primeira atualização do dia.

O fenômeno está ligado à leitura do mercado de que o BC deve manter o plano de voo nesta reunião – no lugar de impor um ritmo de elevações ainda maior na Selic. Ainda que a inflação siga pressionada, os agentes financeiros passaram a ponderar que uma postura mais dura sobre os juros nas próximas reuniões poderia enfraquecer ainda mais a atividade econômica no ano que vem. Por isso, a autoridade monetária talvez opte por “afrouxar um pouco” a política monetária em 2022 para conter essa desaceleração. O que levaria o BC a um dilema, que só deve ser resolvido no ano que vem.

Pesam também na conta as falas dos integrantes do Federal Reserve, o banco central americano, de que deve acelerar a redução do programa de compra de ativos e passar a aumentar os juros americanos antes do previsto.

O recuo maior nas taxas é visto no Tesouro Prefixado 2024 que chega a cair 13 pontos-base (0,13 ponto percentual) em relação ao valor registrado ontem. Hoje, na abertura dos negócios, o juro oferecido por esse título era de 10,92% ao ano. Nesse mesmo horário, o papel com vencimento em 2031 pagava juros de 10,90% ao ano, contra 10,94%, vistos um dia antes.

Mais uma vez, a diferença de retorno entre o papel mais curto (2024) e o mais longo (2031) é de apenas 2 pontos-base. No ápice das discussões em torno do drible ao teto de gastos pelo governo federal, essa distância chegou a ser de 51 pontos-base, refletindo o maior pessimismo com o curto prazo.

Entre os papéis atrelados à inflação, os juros reais do Tesouro IPCA+ 2026 recuavam de 4,96% ao ano, na sessão anterior, para 4,92% ao ano. O papel atrelado à inflação com vencimento em 2040 e pagamento de juros semestrais, por sua vez, oferecia retorno real de 5,13% ao ano, frente aos 5,17% de ontem (7).

Confira os preços e as taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto que eram oferecidos na manhã desta quarta-feira (8): 

Fonte: Tesouro Direto

Copom e varejo

O destaque da agenda econômica está na reunião do Copom. O aumento de 1,5 ponto percentual da Selic é razoável, na visão de Ilan Goldfajn, ex-presidente do Banco Central e nomeado diretor para o Departamento do Hemisfério Ocidental do Fundo Monetário Internacional (FMI).

“Um aperto de 1,5 ponto percentual é grande em qualquer lugar do mundo, menos nos mercados brasileiros, onde estão todos muito ansiosos para a inflação ser controlada”, afirmou.

Para Goldfajn, os bancos centrais devem sempre ser mais serenos do que o mercado financeiro. “O mercado financeiro quer sempre um crescimento muito rápido, mas a economia real não está mudando tão rápido, é preciso ter cuidado”, disse.

Na visão de analistas, o problema maior está na postura que o BC deve adotar no ano que vem. Isso porque se o Banco Central optar por ter uma postura mais contracionista, o PIB de 2022 tende a se consolidar no campo negativo – ou seja, haveria forte impacto na atividade. Já se preferir manter o tom, as expectativas podem desancorar ainda mais, corroendo a autonomia da autoridade monetária.

Também na agenda econômica, as vendas do comércio varejista tiveram leve variação negativa de 0,1% em outubro ante setembro. Os dados foram informados nesta quarta-feira (8) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Já na comparação anual, a queda foi de 7,1%.

Os números vieram abaixo do esperado. Segundo consenso Refinitiv, a expectativa era de alta de 0,8% das vendas na base mensal e de baixa de 5,60% frente outubro de 2020.

Com esse resultado, o varejo encontra-se 6,4% abaixo do patamar recorde, alcançado em outubro de 2020. Tanto no ano quanto em 12 meses, o setor acumula ganho de 2,6%.

PEC dos Precatórios e MP do Auxílio Brasil

Após uma série de impasses, Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Pacheco (PSD-MG), presidentes da Câmara e do Senado, respectivamente, costuraram um acordo para a promulgação de parte da PEC dos Precatórios. 

O movimento abre caminho para parte do espaço fiscal previsto com a proposta, de R$ 106,1 bilhões no Orçamento de 2022, segundo cálculos do Ministério da Economia. A medida é considerada peça-chave para o pagamento do Auxílio Brasil em parcelas de R$ 400 já neste mês para as mais de 17 milhões de famílias.

Pelo acordo estabelecido entre Lira e Pacheco, o Congresso Nacional promulgará os pontos em comum aprovados pelas duas casas legislativas para o texto, fazendo com que esses dispositivos já passem a valer.

Por outro lado, as modificações promovidas pelo Senado Federal, que aprovou a PEC na semana passada, deverão ser apreciados pelo plenário da Câmara dos Deputados na próxima terça-feira (14).

Para garantir pagamentos a partir deste mês para milhares de famílias, o governo federal publicou ontem à noite (7), em edição extra do Diário Oficial da União, medida provisória que institui o chamado Benefício Extraordinário, garantindo os R$ 400 às famílias contempladas pelo programa Auxílio Brasil. A medida provisória entra em vigor imediatamente. O benefício não terá caráter continuado.

Cena internacional

Os mercados mundiais operam em alta na manhã desta quarta-feira (8), com exceção da Europa que apresenta movimento misto, em meio à redução das preocupações entre os investidores sobre a gravidade da variante ômicron.

Nos EUA, atenção para as disputas geopolíticas. Ontem (7), Joe Biden, presidente dos Estados Unidos, conversou com Vladimir Putin, presidente russo, em meio aos temores ocidentais de que a Rússia esteja prestes a invadir sua vizinha do sul.

Já na China, as medidas das autoridades chinesas para limitar as repercussões dos problemas do mercado imobiliário fizeram alguns ativos de risco na Ásia subirem, mesmo com os principais prazos de dívida do China Evergrande Group e da Kaisa Group Holdings vencidos sem qualquer sinal de pagamento até o momento.

Enquanto isso, na Alemanha, Olaf Scholz foi eleito o novo chanceler alemão pelos legisladores, marcando o fim de um período de 16 anos de Angela Merkel no poder. Scholz, membro do partido socialista SPD, vai liderar uma coalizão de três partidos.

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