Tesouro Direto: retornos de títulos públicos sobem e prefixados retomam patamar de juros de até 11% ao ano

Tesouro Direto: retornos de títulos públicos sobem e prefixados retomam patamar de juros de até 11% ao ano


O mercado de títulos públicos negociados no Tesouro Direto opera com alta nas taxas na manhã desta segunda-feira (20). Na agenda local, o destaque está na revisão para baixo – pela décima semana consecutiva – nas projeções para o crescimento da atividade econômica neste ano, conforme o Relatório Focus, do Banco Central, divulgado hoje.

Agora, economistas consultados pela autoridade monetária esperam uma expansão de 4,58% para o Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, ante 4,65% no levantamento anterior. Para 2022, as expectativas foram mantidas em crescimento de 0,50% do PIB.

Nesta semana, o Focus trouxe leves revisões nas estimativas para a inflação em 2021 e em 2022. Por outro lado, não houve alterações nas projeções para a Selic em 2022 e em 2023.

Na cena política local, atenção também para a votação do Orçamento de 2022, a partir das 10h, pela Comissão Mista do Orçamento (CMO).

Dentro do Tesouro Direto, na primeira atualização da manhã, os juros oferecidos pelo Tesouro Prefixado 2024 subiam de 10,98%, na sessão anterior, para 11% ao ano. Esse patamar de retorno não era visto desde o dia 7 deste mês.

No mesmo horário, a remuneração do papel com vencimento em 2031 e juros semestrais era de 10,86% ao ano, contra 10,77%, na tarde de sexta-feira (17).

Entre os papéis atrelados à inflação, a remuneração real do Tesouro IPCA com vencimento em 2055 e juros semestrais era de 5,36% ao ano, frente aos 5,28% registrados na sexta passada.

Confira os preços e as taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto que eram oferecidos na manhã desta segunda-feira (20): 

Fonte: Tesouro Direto

Relatório Focus

Na agenda econômica, o destaque está no Relatório Focus divulgado hoje. Para 2021, a mediana das projeções dos economistas apontam para um avanço de 10,04% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), ligeiro recuo em relação aos 10,05% estimados anteriormente.

Para o próximo ano, a projeção é de alta de 5,03% da inflação, leve subida na comparação com os 5,02% projetados no último levantamento.

Por outro lado, houve recuo nas estimativas para o avanço da inflação em 2023 e 2024, que agora estão 3,40% e 3,00%, respectivamente, ante 3,46% e 3,09%.

Diante da forte pressão inflacionária com a inflação oficial chegando a 10,74% nos últimos 12 meses encerrados em novembro, o mercado financeiro estima uma taxa Selic acima dos patamares registrados nos últimos anos. Segundo o Focus, a taxa básica de juros deve encerrar 2022 a 11,50% e 2023, a 8,00% ao ano – sem alterações em relação à semana passada.

Em 2021, a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) elevou os juros a 9,25%, no maior patamar desde 2017.

Jantar de Lula e Alckmin e Auxílio Brasil mais “robusto”

Na agenda política, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin, ex-governador de São Paulo se encontraram publicamente na noite ontem (19), pela primeira vez desde que começaram a negociar uma aliança para disputar a eleição de 2022.

Organizado pelo Prerrogativas, grupo de advogados “antilavajatistas”, o batizado “Jantar pela Democracia” reuniu em São Paulo cerca de 500 convidados, incluindo governadores e outras lideranças. Apesar de o encontro, ainda não houve o anúncio formal de uma possível chapa entre os dois.

Outro tema que volta a preocupar apoiadores do mandatário do país é a queda de popularidade do presidente Jair Bolsonaro (PL) nas pesquisas eleitorais.

Segundo o blog do jornalista Lauro Jardim (O Globo), Valdemar Costa Neto, presidente do partido de Bolsonaro, passou a defender a elevação do Auxílio Brasil dos consensuais R$ 400 para R$ 600. A medida é trabalhada pelos aliados como a única saída para fazer Bolsonaro voltar a se colocar no páreo de forma competitiva.

Também na agenda política, o jornal Valor Econômico traz que a Advocacia-Geral da União (AGU) trabalha com o cenário de que as despesas do governo federal com precatório devem atingir o pico de R$ 89,1 bilhões em 2022 para, em seguida, ter uma ligeira desaceleração e chegar em 2024 no patamar de 2020, em valores corrigidos. Em 2020, o gasto foi de aproximadamente R$ 50 bilhões.

De acordo com a publicação, na avaliação de técnicos da AGU, a “esperança” da equipe econômica é que a curva de precatórios caia com o tempo para que se tenha espaço no teto de gasto para aumentar o volume de pagamentos e, com isso evitar, uma tendência perigosa do estoque a pagar.

Cenário internacional

Enquanto isso, na China, os bancos anunciaram um corte em sua taxa básica de juros para empréstimos de um ano de 3,85% para 3,8% – o primeiro movimento desde abril de 2020. A maioria dos comerciantes e economistas em uma pesquisa da Reuters esperava cortes na taxa básica de juros. Os pedidos de flexibilização cresceram em meio a uma repressão do setor imobiliário que está pesando sobre a expansão econômica.

Já na Europa, novos bloqueios para conter a rápida disseminação da ômicron pesam no mercado e a cautela predomina nos negócios. A elevação de casos levou a Holanda a voltar aos bloqueios, enquanto o secretário de Saúde do Reino Unido, Sajid Javid, se recusou a descartar medidas mais fortes antes do Natal.

Já nos Estados Unidos, na véspera, o senador Joe Manchin disse que não poderia apoiar o pacote de gastos de US$ 2,2 trilhões em educação, saúde e contra mudanças climáticas do presidente Joe Biden, denominado “Build Back Better Act”. “Este é um ‘não’ a esta legislação”, disse Manchin na Fox News ontem (19).

O revés para a agenda econômica do presidente Joe Biden e as preocupações em torno de novas restrições impostas pela ômicron estão no radar do mercado e geram temores entre investidores.

“No geral, a notícia não apenas dificulta o panorama legislativo para Biden, mas implica também uma complicação adicional para um já complexo panorama eleitoral para os democratas nas eleições parlamentares de novembro, uma vez que o projeto era considerado a grande aposta eleitoral do partido”, avalia a equipe de análise da XP Investimentos.

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