Tesouro Direto: retornos dos títulos públicos sobem; prefixados voltam a pagar até 10,70% ao ano

Tesouro Direto: retornos dos títulos públicos sobem; prefixados voltam a pagar até 10,70% ao ano


O destaque desta quarta-feira (15) está na divulgação do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que recuou 0,40% em outubro na comparação com o mês anterior. O valor veio abaixo das projeções de analistas do mercado e se o movimento continuar assim, há grandes chances de que os números do quarto trimestre voltem a apontar para uma outra queda do Produto Interno Bruto (PIB), de acordo com agentes financeiros.

Enquanto isso, na agenda política, as atenções estão voltadas para a Câmara. Deputados analisam hoje os destaques apresentados pelas bancadas ao texto da PEC dos Precatórios, que veio do Senado.

Foco também na decisão do Comitê de Mercado Aberto dos Estados Unidos (Fomc, na sigla em inglês), que será anunciada hoje, às 16h (horário de Brasília). Investidores aguardam ansiosos por uma definição sobre uma eventual aceleração da retirada de estímulos pelo banco central americano.

Mesmo em meio a dados mais fracos de atividade, o tom mais duro da ata divulgada ontem pelo Comitê de Política Monetária (Copom), juntamente com a espera pela decisão do Fomc parecem seguir repercutindo no mercado. Com isso, os títulos públicos apresentam alta leve nas taxas no início desta quarta-feira.

No caso do Tesouro Prefixado 2024, os juros avançavam de 10,67%, na sessão anterior, para 10,71%, na primeira atualização do dia.

No mesmo horário, o Tesouro Prefixado 2031 com juros semestrais oferecia retorno de 10,50% ao ano, acima dos 10,47% ao ano, registrados um dia antes.

Com isso, a diferença de retorno entre o papel mais curto (2024) e o mais longo (2031) avançava para 21 pontos-base (0,21 ponto percentual), na abertura das negociações. A distância entre ambos voltou a aumentar, depois de ter atingido cerca de 2 pontos-base no começo deste mês, com a resolução parcial da PEC dos Precatórios e a visão de que o Banco Central não deveria subir tanto os juros no ano que vem, leitura que era feita antes do Copom da última quarta-feira (8).

Já entre os papéis atrelados à inflação, na primeira atualização do dia, os retornos reais oferecidos pelo Tesouro IPCA+ 2035 e 2045 eram de 5,06% ao ano, frente aos 5,00% da sessão anterior. Da mesma forma, os papéis com vencimento em 2055 e com pagamento de juros semestrais ofereciam remunerações reais de 5,11%, ou seja, 3 pontos-base (0,03 ponto percentual) acima do percentual visto um dia antes.

Confira os preços e as taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto que eram oferecidos na manhã desta quarta-feira (15): 

Fonte: Tesouro Direto

IBC-Br e IGP-10

O foco do mercado hoje está na apresentação do IBC-Br. Segundo o Banco Central, o indicador teve queda de 0,40% em outubro frente a setembro, de acordo com dado dessazonalizado.

A projeção, segundo pesquisa Refinitiv, era de queda de 0,20% na comparação mensal, enquanto o consenso Bloomberg apontava para uma baixa mais expressiva, de 0,40% frente setembro e de 0,7% na comparação anual.

O dado efetivo, por sua vez, mostrou queda de 1,48% na base anual. Já no acumulado dos últimos 12 meses, o índice sobe 4,19%.

Também na agenda econômica, os investidores monitoram os números do Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10), que caiu 0,14% em dezembro na comparação com o mês anterior. A expectativa, segundo projeção de analistas da Refinitiv, era de queda de 0,5% na base mensal.

Os dados foram apresentados hoje pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e apontaram também que o índice subiu 17,30% ao longo de 2021. Um ano antes, o indicador tinha avançado 24,16% em 12 meses.

Esse é o primeiro índice geral a apresentar os dados de todo o ano de 2021.

PEC dos Precatórios, aumento do funcionalismo público e censo 2022

Na agenda política, o foco do mercado está na PEC dos Precatórios. Deputados agora analisam os destaques apresentados pelas bancadas ao texto – ou seja, sugestões de modificação à versão aprovada. Depois disso, a PEC ainda precisa ser votada em segundo turno para seguir para promulgação.

Ontem à noite (14), o plenário da Câmara dos Deputados aprovou, em primeiro turno, por 327 votos a 147 e uma abstenção, o texto-base da PEC dos Precatórios no mesmo teor que veio do Senado Federal.

A proposta abre espaço fiscal superior a R$ 100 bilhões no Orçamento de 2022, a partir da limitação do pagamento de precatórios – que são dívidas da União reconhecidas pelo Poder Judiciário e sem possibilidade de recurso – e de uma mudança na metodologia de cálculo da regra do teto de gastos.

Também na agenda política, os reajustes para o funcionalismo públicos voltaram a gerar preocupação entre investidores. Segundo apuração do jornal Valor Econômico, com a pressão do Palácio do Planalto, a equipe econômica negociou ontem (14), em reunião da Junta de Execução Orçamentária (JEO), um limite máximo a ser destinado aos aumentos salariais.

A pasta da Economia, de acordo com o jornal, acredita que é menos danosa a ideia de concentrar os aumentos em alguns grupos, como as forças de segurança. Conforme apontaram fontes ouvidas pelo periódico, ontem o Ministério da Justiça apresentou uma proposta que trazia que um realinhamento de carreiras teria um custo de R$ 2,8 bilhões no ano que vem e de R$ 11 bilhões até 2024.

Também na seara política, o Ministério da Economia garantiu ao IBGE que não faltarão recursos para o Censo em 2022. A verba necessária, de R$ 2,3 bilhões, foi parcialmente cortada em relatório recente da Câmara, o que colocou em xeque a pesquisa pelo terceiro ano seguido.

O Censo deveria ter sido realizado em 2020, mas deixou de ser feito por causa da pandemia.

Cenário internacional

Enquanto isso na cena externa, o destaque está nas declarações do Federal Reserve. Termina hoje a reunião do Comitê de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) da autoridade monetária e, ainda que os juros americanos sejam mantidos em níveis historicamente baixos, o mercado acredita que o Fed vai acelerar a retirada de estímulos (tapering).

Dados de inflação também estão no foco da agenda. Os preços ao consumidor no Reino Unido subiram 5,1% no acumulado de 12 meses até novembro, a alta mais acentuada da década, acima da meta do Banco Central Inglês. A autoridade monetária britânica também se reúne nesta semana para discutir estímulos à economia.

Na China, o destaque está na produção industrial, que avançou 3,8% em novembro na comparação anual, superando expectativas. Porém o dado de varejo veio bem abaixo do esperado, refletindo restrições com o aumento no número de casos de Covid-19.

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