Tesouro Direto: taxas de títulos públicos têm leve alta com INCC e de olho na PEC dos combustíveis

Tesouro Direto: taxas de títulos públicos têm leve alta com INCC e de olho na PEC dos combustíveis


As taxas dos títulos públicos operam em movimento de leve alta na manhã desta segunda-feira (27), após uma sessão de baixa na sexta-feira.

Nos prefixados, as taxas dos títulos avançam até 2 pontos-base. Já nos títulos atrelados à inflação, o movimento oscila entre queda, estabilidade e leve alta.

Segundo Nicolas Borsoi, economista-chefe da Nova Futura, as taxas apresentam este movimento de correção apesar dos riscos altistas da abertura, entre eles o cenário dos juros internacionais e alta das commodities.

“O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M) abaixo das expectativas vem apoiando essa correção nas taxas locais e em meio aos temores da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) dos combustíveis que deve ser apresentada ao Senado hoje”, afirma Borsoi.

Ele destaca as expectativas com os gastos da PEC dos combustíveis – que giram em torno de R$ 50 bilhões – e o efeito fiscal que devem calibrar a sessão na curva de juros ao longo do dia. “Os investidores vão avaliar o impacto da proposta no curto prazo”, afirma.

No radar do mercado, Borsoi cita a divulgação do IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado) de junho na quarta-feira (29), que deve balizar as apostas de fim de ciclo de aperto monetário e afetar a curva de juros nesta semana, segundo o economista. Na quinta-feira (30), o governo também divulga nota do setor público, com dados de superávit ou déficit.

Já no cenário externo, Borsoi afirma que a semana será marcada por discursos de membros do Federal Reserve e Banco Central Europeu, com evento de política monetária em Sintra, em Portugal.

Atenção também para as divulgações do PCE (Índice de Preços para Gastos de Consumo Pessoal) nos Estados Unidos e taxa anual de inflação ao consumidor (CPI, pela sigla em inglês) da Zona do Euro. “Estes indicadores devem balizar as apostas de alta de juros dos principais bancos centrais do mundo”, comenta Borsoi.

Dentro do Tesouro Direto, as taxas dos prefixados apresentavam leve alta na primeira atualização desta segunda-feira (27).

O Tesouro Prefixado 2025 e o Tesouro Prefixado 2029 ofereciam uma rentabilidade anual de 12,57% e 12,68%, respectivamente, acima dos 12,55% e 12,66% vistos na sexta-feira (24).

O Tesouro Prefixado 2033 se encontrava com negociações suspensas na manhã desta segunda-feira (27), devido ao pagamento do cupom semestral, previsto para o dia 1º de julho. A razão é que o Tesouro Direto costuma proibir a compra do título quadro dias úteis antes do pagamento de cupom de juros.

Nos títulos atrelados à inflação, o movimento era misto. O Tesouro IPCA + 2026 apresentava leve queda nas taxas. O título público oferecia um ganho real de 5,49% às 9h29, abaixo dos 5,51% da sessão anterior. As outras taxas avançavam 2 pontos-base. Apenas o Tesouro IPCA + 2055, com juros semestrais, apresentava estabilidade nas taxas.

Fonte: Tesouro Direto

INCC

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M) acelerou a 2,81% em junho, após alta de 1,49% em maio, informou nesta segunda-feira (27) a Fundação Getulio Vargas (FGV). Com o aumento na margem, a taxa acumulada em 12 meses pelo índice avançou de 11,20% para 11,75% no período.

A aceleração do INCC-M foi puxada por Mão de Obra, que subiu de 1,43% para 4,37% em junho. O índice de Materiais, Equipamentos e Serviços, por sua vez, arrefeceu de 1,55% para 1,40%, com alívio disseminado entre Materiais e Equipamentos (1,67% para 1,58%) e Serviços (0,92% para 0,50%).

Nas aberturas, todos os componentes da Mão de Obra registraram avanço expressivo: auxiliar (1,50% para 4,40%), técnico (1,39% para 4,60%) e especializado (1,29% para 3,41%).

Já em Materiais e Equipamentos, houve decréscimo da taxa em materiais para instalação (0,11% para -0,01%) e equipamentos para transporte de pessoas (2,37% para 0,33%), enquanto materiais para estrutura (2,39% para 2,62%) e materiais para acabamento (1,04% para 1,05%) aceleraram. Todos os componentes do índice de Serviços arrefeceram: aluguéis e taxas (1,35% para 0,58%), serviços pessoais (0,78% para 0,53%) e serviços técnicos (0,49% para 0,37%).

SP anuncia redução do ICMS

O governador de São Paulo, Rodrigo Garcia (PSDB), anunciou nesta segunda-feira (27) que o estado está aplicando imediatamente a redução da alíquota de ICMS da gasolina de 25% para 18%, e disse que a expectativa é de uma queda de R$ 0,48 no preço do litro nos postos, para abaixo dos R$ 6,50.

O anúncio é feito dias após o presidente Jair Bolsonaro (PL) sancionar a lei que impõe um teto de 17% a 18% na alíquota do imposto estadual sobre combustíveis, energia elétrica, telecomunicações e transporte coletivo. São Paulo é o primeiro estado do País a se adaptar à nova lei.

Ao sancioná-la, Bolsonaro vetou a compensação aos estados pela queda na arredacação, apesar de governadores dizerem que podem perder até R$ 100 bilhões por ano com a desoneração (e que isso pode afetar investimentos e gastos em saúde, educação e segurança), pois o imposto estadual é a principal fonte de arrecadação dos estados.

Garcia criticou o veto presidencial à compensação financeira para os estados e disse que o teto do ICMS na gasolina vai diminuir a arrecadação de São Paulo em R$ 4,4 bilhões por ano, o que vai comprometer investimentos do estado em áreas estratégicas, incluindo saúde e educação.

Campos Neto

Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, destacou que o Brasil é um dos únicos países com revisão positiva de PIB em 2022.

Segundo ele, o PIB do segundo trimestre deve ser forte, mas ponderou, em linha com a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) de junho, que a expectativa é de desaceleração no segundo semestre devido ao aperto monetário.

Campos Neto também comentou sobre o desempenho melhor do que o esperado do mercado de trabalho no Brasil. “Desemprego está muito abaixo de antes da pandemia. Brasil está gerando mais vagas”, disse.

Ele disse que ainda que a renda está menor do que no período pré-pandêmico e que a inflação alta tem corroído o poder de compra da população.

Recessão nos EUA

As chances de um “pouso suave” nos Estados Unidos, em meio à subida de juros para controlar a maior inflação em quatro décadas no país, diminuem a cada dia, ao passo que o risco de um “pouso forçado” cresce, disse o chefe de Economia do Citi para a América Latina, Ernesto Ravilla. “É uma má notícia para os EUA e para a América Latina”, resumiu ele.

De acordo com Ravilla, uma recessão nos EUA amplia os impactos em países da América Latina, o que inclui o Brasil. Dentre os possíveis efeitos, disse ele, estão menor crescimento e maior depreciação das moedas da região.

“A América Latina não será tão dinâmica quanto nos últimos 20 anos.”

O economista ponderou, porém, que o Citi ainda não trabalha com o cenário de recessão nos EUA, bem como o Federal Reserve (Fed, o banco central americano).

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