Tesouro Direto: taxas recuam com expectativa de fim de ciclo de alta da Selic e à espera de discurso de Powell

Tesouro Direto: taxas recuam com expectativa de fim de ciclo de alta da Selic e à espera de discurso de Powell


As taxas dos títulos públicos negociados no Tesouro Direto apresentam um movimento de queda na manhã desta quarta-feira (22). Nos prefixados, as taxas recuam até 10 pontos-base, enquanto nos atrelados à inflação o movimento é misto, com leve baixa nas taxas de alguns e estabilidade em outros.

Segundo Igor Cavaca, gestor da Warren Asset Management, o mercado continua repercutindo a ata do Copom (Comitê de Política Monetária) divulgada na terça-feira (21), que aumentou a expectativa pelo encerramento do ciclo de aperto monetário na reunião de agosto da autoridade monetária. Entretanto, ele cita que o Banco Central sinalizou que a taxa Selic deve permanecer em níveis elevados por mais tempo.

“Esse comunicado acabou movimentando as taxas, especialmente dos papéis atrelados ao IPCA. Vimos uma leve abertura, tornando os juros reais mais atrativos em face de uma inflação prospectiva menor”, destaca.

Na primeira atualização desta quarta-feira (22), Cavaca destaca uma continuidade deste movimento, com títulos prefixados recuando. O mercado espera também, para hoje, o discurso de Jerome Powell, presidente do Fed (Federal Reserve, banco central americano), no Senado e na Câmara dos Estados Unidos, o que pode trazer volatilidade para a curva de juros brasileira.

Os investidores estarão atentos a mais pistas sobre a trajetória dos aumentos das taxas de juros depois que o Fed elevou as taxas em 0,75 ponto percentual na semana passada – o maior aumento de juros do Fed desde 1994.

“Uma sinalização de uma política mais agressiva lá fora pode inverter o movimento que estamos observando. Em compensação, uma sinalização mais branda pode levar as taxas prefixadas a cair e os títulos atrelados ao IPCA a subir”, afirma Cavaca.

No Tesouro Direto, a maior queda era das taxas do título prefixado de curto prazo.  O Tesouro Prefixado 2025 oferecia, às 9h20, um retorno anual de 12,45%, inferior aos 12,55% vistos ontem.

Já o Tesouro Prefixado 2029 e o Tesouro Prefixado 2033, com juros semestrais, entregavam na primeira atualização um retorno anual de 12,61% e 12,77%, respectivamente, abaixo dos 12,69% e 12,79% registrados na sessão anterior.

Nos títulos atrelados à inflação, o movimento era misto. A maioria das taxas permanecia estável. Apenas os títulos com vencimento em 2026 e 2040 apresentavam queda nas taxas, de 2 pontos-base.

Fonte: Tesouro Direto

BCE e inflação

O vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), Luis de Guindos, previu nesta quarta-feira (22) que a inflação na zona do euro deverá se manter perto do atual nível recorde nos próximos meses e começar a desacelerar após o verão europeu.

Guindos, que falou em evento virtual organizado pela Universidade Internacional Menéndez Pelayo em parceria com a Associação de Jornalistas de Informação Econômica, disse também que o tamanho do aumento de juros a ser implementado pelo BCE em setembro dependerá das expectativas de inflação.

Na reunião de política monetária deste mês, o BCE adiantou que planeja elevar juros em 25 pontos-base em julho e sinalizou um aumento de 50 pontos-base para setembro.

Guindos comentou também que o BCE está acelerando o processo para estabelecer um instrumento contra a fragmentação, como é conhecida a divergência nos custos de empréstimos de países da zona do euro. Segundo ele, a fragmentação é uma preocupação significativa para o BCE.

O dirigente disse que o conselho diretor do BCE ainda não discutiu detalhes do novo instrumento, mas ressaltou que a ferramenta será diferente dos programas de compras de ativos, como PEPP ou APP, ou do chamado programa de Operações Monetárias Completas (OMT, pela sigla em inglês).

Reajuste da Aneel

A diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou, nesta terça-feira (21), os novos valores de bandeira tarifária, montante que é cobrado de forma adicional na conta de luz de acordo com as dificuldades de geração de energia.

A proposta aprovada traz aumentos da ordem de 60% nos valores das bandeiras tarifárias amarela e vermelha 1. O valor da bandeira amarela terá aumento de 59,5%, de R$ 1,874 a cada 100 quilowatts (kWh) consumidos para R$ 2,989.

Já a bandeira vermelha 1 vai de R$ 3,971 para R$ 6,500 a cada 100 kWh, alta de 63,7%. O patamar mais caro da bandeira, a vermelha 2, passou de R$ 9,492 a cada 100 kWh para 9,795, aumento de 3,2%.

A diretora-geral interina Camila Bonfim ressaltou que, apesar dos aumentos, os patamares seguem abaixo da chamada bandeira “Escassez Hídrica”, que foi adotada entre agosto de 2021 e abril deste ano para bancar os altos custos de geração diante da escassez hídrica vivenciada no período. O patamar extraordinário resultou em cobrança extra de R$ 14,20 a cada 100 kWh consumidos.

Ela ressaltou ainda que a definição dos valores não significa sua aplicação imediata uma vez que a bandeira tarifária é definida mensalmente pela agência reguladora. Apesar da vigência dos novos patamares a partir de julho, a expectativa, por conta das condições hidrológicas, é que seja mantida verde nos próximos meses, ou seja, sem cobrança adicional.

Apesar da sugestão feita por distribuidoras de energia de criação de maneira permanente de uma bandeira tarifária para situações extremas, a agência decidiu, neste momento, apenas revisar os valores de cada uma das bandeiras.

PEC dos combustíveis

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), afirmou nesta terça-feira (21) que o governo quer incluir um “voucher” a caminhoneiros e o aumento do vale-gás a famílias pobres na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos combustíveis, que tramita na Casa. O senador, contudo, alertou para possível vedação da Lei Eleitoral e disse que as medidas dependem de análise criteriosa da consultoria legislativa e da Advocacia-Geral da União (AGU).

“Há essa intenção por parte do governo, além da excepcionalização do teto para atingir o ICMS desses combustíveis, se ter algum tipo de política direcionada a esses setores”, disse Pacheco a jornalistas, ao ser questionado sobre o “voucher” a caminhoneiros e o aumento do vale-gás. “Seria nessa linha de, na PEC 16, se ter esse alcance em relação a essas políticas sociais”, emendou.

Na visão de Pacheco, as medidas precisam ser sustentáveis do ponto de vista legal. “Essa é uma avaliação que tem ser muito criteriosamente feita pelo relator da PEC no Senado Federal, juntamente com os outros senadores, até pela avaliação sobre o momento eleitoral, se há algum tipo de vedação para implementação disso”, alertou o presidente do Senado.

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