Fevereiro foi um mês bem desafiador, admite Carlos Simonetti, diretor de Relações com Investidores da gestora Capitânia Investimentos. O mês passado começou com a crise da Light [LIGT3], incluindo a desvalorização das debêntures da companhia, e seguiu-se com uma “reprecificação geral nos ativos de crédito”, comentou o executivo em vídeo direcionado a investidores.

O ocorrido com a Light não chegou a afetar bruscamente os fundos da Capitânia, os quais tinham meros 0,4% a 0,5% de exposição à companhia elétrica. No entanto, a consequente abertura generalizada do spread de crédito – leia-se redução da liquidez dos títulos de dívida – levou a asset a trabalhar redobrado, nas palavras de Simonetti.
“Nenhuma crise é igual a outra, as crises são diferentes”, afirma o executivo. Como ninguém sabe quando passou o pior momento, acrescenta, os analistas da casa estão acompanhando mais de perto os casos dos ativos investidos.
A filosofia de investimento da Capitânia, de acordo com o diretor de RI, envolve humildade para tratar crises de forma séria. Apesar do risco maior de momentos como o atual, é normalmente em tal complexidade de cenários que “os spreads estão mais gordos, os fundos estão com carrego melhor, e você tem bastante coisa boa pra fazer relativamente defensivo”.

A título de exemplo, Simonetti descreve o portfólio do fundo mais líquido da gestora. O Capitânia Top, com resgate D+1, desde a pandemia possui 50% do patrimônio alocado em Letras Financeiras do Tesouro (LFT), o Tesouro Selic.
Da mesma forma, os fundos de previdência aberta para investidor geral da asset têm estratégia de alocação muito similar. Mesmo se tratando de fundos de renda fixa, os portfólios não incluem CDBs de bancos médios ou Letras Financeiras com liquidez.
“Obviamente sub-rende, mas a gente prefere trabalhar dessa forma e ter bastante confiança nos momentos que está tendo um pouco mais de resgate, como agora”, explica Simonetti, ressaltando que a onda de resgate durante a pandemia foi superior à atual.
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