Vale [VALE3]: preços do minério de ferro são mais preocupantes que ingerência política

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As ações da Vale [VALE3] operam de forma instável no pregão desta quarta-feira (13), após a companhia divulgar comunicado sobre a carta de José Luciano Penido, que renunciou ao cargo no conselho administrativo na véspera, afirmando que o processo de sucessão do CEO da Vale tem sido conduzido de forma manipulada, que não atende aos melhores interesses da empresa e “sofre evidente e nefasta influência política”.

No comunicado, a mineradora afirmou que a atuação do conselho “está rigorosamente em conformidade com o estatuto social” no processo de definição do presidente da companhia e também com o “regimento interno e políticas corporativas”. 

As palavras de Penido surgem depois do conselho manter Eduardo Bartolomeo no cargo de CEO da Vale até o final de dezembro deste ano. Ficou decidido também que o executivo vai apoiar a transição para a nova liderança no início do ano que vem e atuará como advisor até 31 de dezembro de 2025.

A notícia é marginalmente positiva porque o conselho ganha tempo para achar um nome bem preparado para assumir o cargo de CEO, o que tira o risco dessa decisão ser tomada com urgência e escolherem um nome ligado ao governo, mais político e menos técnico, de acordo com o analista fundamentalista da Quantzed Leonardo Piovesan.

Ele argumenta que também há possibilidade de eleger um nome mais bem preparado previamente sondado, como Walter Schalka, CEO da Suzano até pouco tempo atrás.

“Essa notícia é um sinal de que a governança da Vale ainda está presente e não sucumbiu a essa intenção do governo de colocar um nome de interesse dele como CEO”, argumentou.

O analista da Capitalizo Sérgio Neto também gostou do movimento da Vale, considerando a experiência de quase cinco anos de Bartolomeo, além de acreditar que o atual CEO possa contribuir bastante no processo de escolha.

“Ele deve ter influência dentro desse processo, então acredito que deve escolher alguém bem capacitado para continuar tocando o projeto da Vale”, afirmou.

Quanto à saída de Penido do conselho e a carta, Neto classifica como negativo e que pode gerar incerteza sobre a governança da companhia, criando questionamentos sobre VALE3 estar ou não exposta à ingerência política.

“Mas, até o momento, nada disso pode ser observado nos balanços ou no operacional da empresa, então o movimento de queda nas ações pode ser mais exagerado que os fatos em si”, pontua.

É ingerência política ou não?

Através do Previfundo de pensão dos Funcionários do Banco do Brasil –, o governo tenta colocar um nome de confiança no cargo, segundo Piovesan.

Esse movimento, ele prossegue, pode interferir nos negócios futuros e na estratégia da empresa, ou que ela passe a tomar decisões que não tenham racional tão econômico, que possam beneficiar mais o governo que a própria companhia. “Então, sim, estamos vendo um caso de ingerência política”, acrescentou.

Por outro lado, a partir do momento que o Previ, uma instituição federal, está como acionista relevante, é esperado, de certa forma, que haja influência política. De acordo com Max Bohm, estrategista de ações da Nomos. 

Ele não vê a situação como grave. Na verdade, Bohm ressalta que isso já acontece na Vale há muito tempo. 

“Não vejo isso como uma ferida na governança corporativa”, interpreta. “Acho que o papel está caindo muito mais pela queda do preço do minério que por esses rumores de ingerência política.”

Vale investir em Vale?

Ao nível de R$ 60, Max ainda acha VALE3 um bom investimento, com grande margem de segurança. A maior questão do ativo é o preço do minério de ferro, que pode mudar o valuation da mineradora, então é preciso acompanhar as notícias sobre a China e seus estímulos fiscais e monetários.

“Mas, perto [da cotação] de R$ 60, há uma alta  margem de segurança em VALE3, que negocia bem abaixo de seus pares internacionais.”

Já Piovesan não recomenda o ativo, justamente por possíveis riscos da empresa sofrer ingerência política. Ele afirma ainda que o governo pode atacar a companhia por outras frentes, “como vimos recentemente ameaças do governo quanto a tirar licenças ambientais que permitem que a Vale opere em certas regiões do país”, exemplificou. 

Para swing trade, o analista técnico Filipe Borges aponta que a companhia segue tendência de baixa no gráfico diário, após rompimento da região de R$ 62,50, com gap a ser fechado em R$ 58,60.

Desempenho diário de VALE3 em 13 de março de 2024. [Fonte: Filipe Borges/TradingView]
Borges pontua que o ativo segue com fluxo vendedor mais forte, o que aumenta a probabilidade de buscar esses níveis de suporte nos próximos dias.

Para compra do papel, ele sugere somente a região de R$ 58,50, com stop em torno de 5% a 6% para proteção do capital, pois há espaço para mais quedas.

“O que me chama a atenção é que no gráfico semanal, ao analisar os principais topos, o último topo foi bem mais baixo que o topo triplo anteriormente visto”, afirmou.

Ele conclui explicando que o atual registro aumenta a probabilidade de VALE3 romper este suporte e continuar o movimento de queda nas próximas semanas. 

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