As vendas no varejo brasileiro recuaram 0,3% em outubro, contrariando expectativas de crescimento e registrando o recuo mais expressivo em 5 meses. Na comparação anual, as vendas avançaram 0,2%, bem menos do que o projetado de 1,8%. No comércio varejista ampliado, o volume de vendas caiu 0,4% entre meses e cresceu 2,5% entre anos.
No ano, o varejo acumula alta de 1,6% em relação ao mesmo período de 2022. O acumulado dos últimos doze meses foi de 1,5%.
Em outubro, cinco das oito atividades pesquisadas apresentaram contração, com destaque para: Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-5,7%), Tecidos, vestuário e calçados (-1,9%) e hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-0,8%).
Os três grupos que cresceram no período foram os Livros, jornais, revistas e papelaria (2,8%), Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (1,4%) e Outros artigos de uso pessoal e doméstico (0,2%). Já o comércio varejista ampliado contou com altas de 0,3% nas vendas de veículos e motos, partes e peças, e 2,8% nas vendas de material de construção.
Frente a outubro de 2022, seis das oito atividades tiveram queda e as variações mais expressivas vieram de combustíveis e lubrificantes (-9,5%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-8,4%) e equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-6,8%). As duas atividades que expandiram foram os artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (9,2%) e hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (1,9%).
A queda nas vendas no varejo mostram que o segmento continua em oscilação à medida que os consumidores seguem pressionados pela taxa de juros alta e inflação, bem como pela inadimplência e endividamento.
No mais, a atividade de equipamentos e material para escritório, informática e comunicação também sofreu com a alta do dólar nos meses de setembro e outubro, enquanto os hiper e supermercados provavelmente caíram em função da base de comparação, visto que acumulavam quatro meses seguidos de alta.
Por fim, como os dados da Black Friday foram ruins, esperamos um resultado fraco para o mês de novembro, mas entendemos que no médio prazo o setor terá uma retomada, beneficiado pelo ciclo de corte de juros, queda do desemprego e programas de renegociação de dívidas do governo.
