Vender ou manter? Especialistas analisam a hora de se desfazer de uma ação

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Comprar, manter e vender. As três etapas de um trade completo. Enquanto a primeira pode ser fruto de extensas e consistentes análises e o segundo não precisa de nada mais que paciência (ou conformidade), a venda de um ativo é a parte do processo que mais lida diretamente com a teimosia contra perder e o medo de deixar de ganhar.

O momento certo para desfazer uma posição geralmente tem bem menos cobertura da imprensa e das casas de research, explica Beto Saadia, planejador financeiro e especialista em alocação e fundos de investimentos BRA BS/. Todavia, “geralmente onde fica o maior peso psicológico do investidor é na hora de vender, não era na hora de comprar”, explica.

“No final do dia, você só deveria vender uma ação se estiver considerando que, de fato, o equilíbrio intrínseco daquela empresa como geração de valor se alterou no tempo”, pondera Rodrigo Correa, estrategista de investimentos da BS/ BRA. Apesar de não recomendar a saída total de posições em boas empresas, o especialista menciona a possibilidade de aproveitar oscilações atípicas.

“Conforme você tem flutuações no preço, sem que haja uma mudança no case ou nos números da empresa”, Rodrigo sugere vender parte das ações nas altas bruscas e comprar fatia adicional em movimentações inversas.

Realizações parciais são uma forma de aproveitar oscilações pontuais sem se desfazer da posição, sugere estrategista. [Foto; Austin Distel/Unsplash]
Ao decidir se é hora de vender uma ação, Beto Saadia sugere relembrar as intenções do momento da compra. “Se você não tivesse essa ação, você a compraria hoje, agora, nesse momento? Se a resposta for não, não tem por que você continuar mantendo a ação”, ilustra.

Ele alerta sobre o viés de aversão a perda como obstáculo para vendas que deveriam ser feitas. “Não importa se está no prejuízo ou no lucro, você tem que sempre olhar para frente.” Psicologicamente falando, prossegue, manter um ativo em carteira é semelhante a comprá-lo todos os dias. “Análise de venda tem que ser do presente para o futuro. O passado não afeta em absolutamente nada”, concluiu Beto.

Niels Tahara, head de análise fundamentalista da Benndorf Research, também menciona os vieses comportamentais como ponto de atenção. “O mercado está constantemente testando as teses de investimentos, e por isso é essencial entender o que é ruído e o que é informação, principalmente num contexto de fluxo de notícias cada vez mais abundante.”

O analista reconhece a dificuldade humana em assumir prejuízos – “ninguém gosta de ver a cotação de uma ação caindo” – e cita estudos de finanças comportamentais, segundo os quais “a dor da perda é, em média, cerca de duas vezes maior que o prazer do ganho”.

É costume no mercado rebalancear portfólios a cada seis meses, destaca Rodrigo Correa. Alguns investidores revisam as posições até mesmo a cada trimestre, mas, na visão do especialista, não é o mais recomendado, posto que leva certo tempo até as mudanças macroeconômicas reverberarem de forma consistente nos mercados.

“Quando você tem uma boa alocação inicial, não é todo dia que os mercados mudam, não é todo dia que a pessoa tem alguma mudança no padrão de vida dela, nas necessidades dela ou, ainda, nos objetivos dela de longo prazo”, diz.

Separar ruído de informação é essencial em um fluxo de notícias cada vez mais abundante, diz analista. [Foto: Austin Distel/Unsplash]
A falta de pressa de Rodrigo para se vender ações leva em conta a organicidade intrínseca às corporações – nenhuma tem prazo definido para crescer. Pelo contrário, “a empresa está lá, algo que existe esse ano, vai existir no próximo, vai existir na próxima década e, se ela continuar competitiva, vai ser uma empresa de longuíssimo prazo”.

Dessa forma, “não tem porque você ter pressa em desinvestir de uma empresa que você vê esse potencial de geração de valor” e que tenha vantagens competitivas sobre os principais concorrentes.

O som do silêncio

A lacuna de recomendações de venda pelas casas de research tem explicação. “Entender as mudanças de fundamentos não é uma tarefa simples”, alega Niels Tahara.

Observados aspectos como estratégia, gestão e vantagens competitivas de uma empresa, os analistas acompanham tais fatores – os fundamentos – ao longo do tempo. “Avaliamos que o fundamento de uma empresa mudou quando se alteram as perspectivas acerca do seu desempenho no longo prazo, as quais podem impactar a sua capacidade de crescimento”, explica Gabriel Passaroff, advisor investment da Eleven Financial.

“O grande desafio é definir o que são fatores transitórios e o que é de longo prazo”, ressalta Niels, tendo em vista os resultados ruins apresentados até mesmo por boas companhias em momentos difíceis. O analista da Benndorf ressalta que o acompanhamento constante e questionamento de cada aspecto das companhias permitem a identificação de alterações estruturais.

Ainda assim, “procurar investimentos que possuam significativa margem de relevância para erros ou mudanças nos cenários” é um caminho mais seguro para investir sem medo da pressão de correr para vender.

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