Os balanços trimestrais dos bancos brasileiros começam a ser divulgados em 30 de abril, com os números do Santander [SANB11]. De acordo com a equipe de research do Safra, os bancos com classificação de desempenho superior — a saber, Itaú Unibanco, Bradesco e BTG Pactual — têm boas perspectivas para a temporada do primeiro trimestre de 2024, conforme consta em relatório divulgado na segunda-feira (16).
Itaú Unibanco [ITUB3; ITUB4]
A consistência deve prevalecer, projetaram os analistas Daniel Vaz, Silvio Doria e Gabriel Pucci. “Esperamos que o banco continue mostrando seu momentum positivo de lucros, sem alterações nas tendências recentes.”
O total de empréstimos deve aumentar sequencialmente, enquanto o rendimento líquido de investimento (NII) deve declinar ligeiramente devido à sazonalidade desfavorável do primeiro trimestre, “apesar de um desempenho ainda bom em base anual”.
O custo de risco também deve ser positivo no trimestre, o que, juntamente com uma despesa operacional (Opex) controlada, deve levar o lucro líquido para R$ 9,71 bilhões no 1T24. Se confirmada, a cifra representaria crescimento de 3,3% no comparativo trimestral e de 15% no anual.
Bradesco [BBDC3; BBDC4]
O indicador de preço e lucro (P&L) deve vir ainda sob pressão, e a qualidade dos ativos deve ser o foco do trimestre. Como a linha de base de lucros de 2024 deve ficar próxima de R$ 18,5 bilhões, o primeiro trimestre “não deve trazer surpresas”, diz o relatório do Safra. O lucro líquido deve aproximar-se de R$ 4 bilhões, 8% de queda ante o primeiro trimestre de 2023, mas alta de 37% na comparação trimestral.
As receitas provavelmente serão pressionadas devido a spreads mais baixos, uma base de comparação ainda difícil e um crescimento de empréstimos de 2% negativos na comparação ano a ano, enquanto os custos devem atingir um nível mais alto após a implementação do novo plano estratégico.
“Ainda assim, a qualidade dos ativos poderia desencadear reações positivas ou negativas para o Bradesco”, disseram os analistas, pois poderia apontar para pressão menor ou maior nas provisões no futuro. “Nossa opinião é que há uma boa assimetria para cima, considerando a redução de riscos observada nos últimos trimestres.”
BTG Pactual [BPAC11]
O Safra vê Base mais sólida em condições de mercado perturbadas. Após um forte quarto trimestre, “esperamos uma leve queda nos lucros neste trimestre, mas uma contribuição positiva da maioria das linhas”, incluindo banco de investimento, que, apesar das comparações difíceis trimestre a trimestre, mostrou novamente boa atividade no período.
Apesar do aumento sequencial na receita, o maior Opex no período deve levar a uma leve queda no lucro líquido ajustado, totalizando R$ 2,83 bilhões, queda trimestral de 0,6% T/T e crescimento anual de 25%, com fortes números de ROE ajustados em 22,5%.
Banco do Brasil [BBAS3]
“Números positivos, mas variáveis em movimento poderiam novamente tomar o centro do palco.” Os analistas do Safra esperam outra impressão positiva no lucro líquido, embora novamente com alguns impactos na formação de capital no trimestre.
A expectativa é de que o BB registre lucros estáveis na comparação trimestral, em R$ 9,44 bilhões, com o Banco Patagonia representando novamente 6% do NII ou 11% do lucro líquido, o que deve impactar diretamente o crescimento do valor contábil devido a impactos cambiais. “Ainda assim, o banco está conseguindo entregar resultados sólidos e mira no ponto médio da orientação.”
Santander Brasil [SANB11]
Os analistas projetam boa recuperação, mas longe do potencial total. “O banco está passando por um processo de normalização no NII de mercado, sem mencionar o custo de risco”, o que deve persistir no 1T24. O NII de mercado deve vir no azul após dois anos e menor pressão das provisões.
Ainda assim, o lucro recorrente é esperado em R$ 2,7 bilhões, 23% superior ante do 4T23 e 27% face o 1T23 — entregando um ROE de 12,6%, que não só está longe do potencial total do banco, mas também ainda carece de visibilidade sobre o momento e a magnitude do que seria o nível recorrente.