Desde 2022, a Gafisa [GFSA3] vem testemunhando um conflito interno entre dois acionistas: Nelson Tanure e a Esh Capital. O bilionário controla 19,46% da companhia por meio da MAM Asset, enquanto a gestora possui fatia de 9,49%.
No entanto, para a asset, Tanure é dono de mais ações do que declara, reunindo participações indiretas na Gafisa por meio de fundos administrados e/ou geridos pela Planner, Trustee, Banco Master, além dos que já possui pela MAM Asset.
Em meio a fatos e boatos, a certeza de Pedro Menin, COO da Quantzed, é que a situação renderia um trade certeiro.
A Gafisa e a Visão
A empresa vem enfrentando dificuldades em reverter os prejuízos líquidos sequenciais que coleciona desde o segundo trimestre de 2022. No último resultado financeiro que publicou, referente ao terceiro trimestre de 2023, a companhia apresentou prejuízo líquido de R$ 88,7 milhões – uma alta de quase 80% na comparação anual.
Menin avalia que a incorporadora passa por dificuldades há anos, possui dívida alta e prejuízos acumulados, o que entende como algo complicado para o setor de construção civil.
“Mas um dos seus acionistas, a Esh Capital, começou a chamar a atenção do mercado para ações da gestão [da Gafisa] que poderiam estar contribuindo para esses resultados negativos”, explicou.
“Analisando a fundo, você vê que muitas alegações fazem algum sentido.”
Para o diretor de operações da Quantzed, investir na Gafisa hoje é “apostar numa eventual troca da gestão e em uma potencial indenização aos minoritários”.
De acordo com Menin, sua operação é de médio prazo, considerando que disputas societárias costumam levar tempo. Além disso, ele declarou que desde que começou a chamar atenção para a disputa entre Esh e Tanure em seu perfil na rede social X – antigo Twitter –, a ação subiu cerca de 60% a 70%, em poucas semanas.
Ao ser questionado sobre quando deu início a sua operação no ativo, o trader preferiu não dizer, citando que o assunto está “em arbitragem”. Menin já havia mencionado a Esh Capital em seu X em janeiro do ano passado, mas passou a falar mais detalhadamente do caso que usa como justificativa de seu interesse em GFSA3 em 26 e 28 de dezembro.
Gafisa com cara de engatar aqueles rallies de novo…
Não duvido passar de R$ 20 em janeiro
E aí? O que acham?
— Pedro Menin (@MeninRibeiro) December 26, 2023
Porque Gafisa está subindo?
– A Esh Capital, uma das acionistas mais relevantes da cia, está numa briga societária com o controlador, Tanure, há uns 2 anos;
– A Esh tomou uns tombos no meio do caminho, mas conseguiu reunir votos suficientes para convocar uma AGE (no final de… pic.twitter.com/JNuDjcNTR4
— Pedro Menin (@MeninRibeiro) December 28, 2023
Do dia 26 até hoje, a Gafisa saltou de R$ 8,40 para R$ 13,27.
A disputa
A guerra interna na Gafisa já se estende por anos e pode chegar a um clímax em 7 de fevereiro, data marcada para a Assembleia Geral Extraordinária (AGE) convocada pela Esh, a fim de suspender os direitos políticos de todos os acionistas supostamente ligados a Nelson Tanure.
Em adição, a gestora também exige a destituição do Conselho de Administração atual da companhia e a convocação de novas eleições para as funções do órgão. A Esh Capital indicou cinco candidatos para os cargos: Geraldo Affonso Ferreira Filho, Manuel Jeremias Leite Caldas, Daniel Alves Ferreira, Ivanyra Maura de Medeiros Correia e Renata Manzatto Baldin Pinheiro Alves.
Todos que possuírem ao menos uma ação da Gafisa também têm direito de votar.
No entendimento da gestora, o controle de Tanure sobre a companhia passa dos 40%, o que violaria a poison pill do estatuto da Gafisa, que estabelece que qualquer participação maior do que 30% deve ser acompanhada da realização de uma oferta pública de aquisição de ações (OPA).
Questionado sobre sua posição dentro dessa disputa, Menin é claro: “Estou do lado da Esh Capital”.
O investidor cita o “amplo histórico de defesa dos minoritários” por parte da gestora e diz torcer para que a disputa tenha um final positivo.
“Torço para que a disputa tenha um desfecho positivo para a companhia e para os acionistas, com a destituição do conselho atual e eleição dos novos profissionais, de alto gabarito, indicados pela Esh.”