Após ‘anos de ouro’, big techs americanas sofrem fortes golpes e começam a cortar gastos

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Meta, Amazon, Netflix e Snap. Além da atuação no setor de tecnologia, o que todas essas empresas têm em comum são os recentes cortes massivos de funcionários. Após os anos de ouro durante a pandemia, as big techs americanas agora lutam para reduzir gastos.

Durante o período pandêmico, as techs deram de cara com o pote de ouro no fim do arco-íris: a centralização das interações e das compras no mundo virtual, devido ao isolamento para conter a transmissão da Covid-19. 

Os impactos dessa mudança foram notáveis nos resultados dessas empresas. A força de trabalho na Snap, por exemplo, cresceu 65% desde o final de 2020 até maio de 2022. A rede social do fantasminha ainda lançou novos produtos, como a “Pixy”, uma câmera drone, e novas iniciativas com grandes celebridades, como a cantora Megan Thee Stallion e a ginasta Simone Biles.

A Meta também investiu pesado em contratações, neste caso, de funcionários qualificados, chegando a oferecer o dobro do salário para empregados da Microsoft, no que ficou conhecido como “Guerra de Talentos”.

A Netflix se dedicou a novas produções audiovisuais próprias enquanto a Amazon reduziu o tempo de entrega dos produtos para dois dias – o que impulsionou não apenas o aprimoramento da rede de transportes e logística, mas também das ferramentas digitais, como softwares. 

Mas, em abril de 2021, veio o primeiro golpe. A Apple anunciou mudanças na sua política de privacidade, que passou a obrigar todos os aplicativos a perguntarem aos usuários se eles aceitavam ter seus dados monitorados.

Pop-up que questiona sobre permissão para monitoramento. Tradução: “Permitir que o ‘app’ rastreie sua atividade em aplicativos e sites de outras empresas? Seus dados serão usando para medir a eficiência de anúncios”

De acordo com o Flurry, um provedor de serviço de análise de aplicativos, o monitoramento só foi aceito 16% das vezes pelos norte-americanos. E sem dados, sem vendas.

A mudança dificultou a venda de anúncios, visto que tornou-se mais difícil entregá-los à audiência correta, além de ser também mais complicado saber como eles performaram. 

Os efeitos da mudança da política da Apple foram sentidos em todas essas big techs, em especial na Meta e na Snap – mas principalmente na última, que tem receita cerca de 10 vezes menor que a primeira.

Na dona do Snapchat, os impactos foram percebidos seis meses depois, quando a empresa reportou crescimento menor que o esperado pelo mercado. Neste dia, o preço da ação despencou cerca de 20% no pós-mercado.

E os reveses não pararam por aí. Em 2022, com a flexibilização das medidas anti-Covid, os hábitos de consumo mudaram agressivamente. A Netflix viu os números de inscrições caírem pela primeira vez em uma década, em um momento em que as pessoas não passavam mais tanto tempo dentro de casa. 

Em meio ao boom financeiro, as big techs acreditavam que, mesmo após o fim da pandemia, conseguiriam manter o mesmo ritmo acelerado. Mas, quando o “fim” realmente chegou, ficou claro que os CEOs estavam enganados – e aí os cortes começaram.

Já em agosto, a Snap reportou planos para cortar 20% da equipe. “Devemos reduzir nossa estrutura de custos para evitar incorrer em perdas contínuas significativas”, disse o presidente-executivo da Snap, Evan Spiegel, em um memorando para a equipe.

Só neste mês, a Amazon anunciou que planeja demitir cerca de 10 mil funcionários, a Netflix irá reduzir sua equipe em 3%, e a Meta mandará embora 11 mil empregados. 

“Este é um momento triste, e não há como contornar isso,” escreveu Mark Zuckerberg em um memorando para a equipe, acrescentando que estava errado ao supor que um aumento na atividade online continuaria. “Eu entendi errado e assumo a responsabilidade por isso.”

A inversão de sinais das ações

A flexibilização das medidas anti-Covid levou os consumidores a retornarem, ao menos em parte, aos hábitos anteriores. A maior parte dos gastos passou a ir para serviços, não mais para produtos, e a receita das big techs começou a estabilizar, ou até mesmo cair, pela primeira vez. 

Tal situação, somada à mudança na política de privacidade da Apple e aos fortes efeitos da inflação – além da ameaça do TikTok, que roubou a cena nos últimos meses – levaram as companhias ao limite.

Os papéis da Amazon recuaram mais de 48% do seu pico no terceiro trimestre de 2021 até hoje. As ações da Netflix também foram derrubadas em meio ao momento conturbado, e caíram 57,37% no mesmo período.

Em setembro de 2021, o preço das ações da Snap disparou mais de 700% em relação ao seu ponto mais baixo em 2020. Mas, em outubro de 2021, os papéis da empresa começaram a cair, e, desde então, o preço já despencou mais de 80%.

A Meta registrou receita trimestral de US$ 27,7 bilhões, queda de mais de 4% em relação ao ano anterior, após registrar redução de 1% no último trimestre. As ações da dona do Facebook recuaram 23%, para US$ 100,45, nas negociações de pré-mercado em Nova York na manhã da divulgação. A queda colocou o valor de mercado da empresa abaixo de US$ 300 bilhões pela primeira vez desde o início de 2016.

Em relação ao terceiro trimestre de 2021, os papéis da Meta já despencaram 70%.

Radar de recomendação de ações das big techs americanas

A indústria de tecnologia americana teve a experiência excepcional de crescer durante a pandemia, enquanto o resto do mercado sofria com o isolamento. Agora que o resto do mercado está crescendo, esta indústria mais uma vez tem a experiência de ser um ponto fora da curva.

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