Arábia Saudita e Rússia saem vitoriosas em aposta nos cortes de petróleo

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O petróleo Brent está subindo em direção a US$ 100 por barril depois que as duas nações da Opep fizeram uma escolha arriscada de reduzir a produção

A Arábia Saudita e a Rússia lucraram bilhões de dólares em receitas adicionais de petróleo nos últimos meses, mesmo bombeando menos barris, depois que seus cortes de produção fizeram os preços do petróleo dispararem. 

Os cortes foram uma estratégia arriscada, tanto financeira quanto politicamente, mas parece que estão dando certo para os dois membros mais importantes da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados liderados pela Rússia, ou o cartel Opep. 

Aumentos de preços estão compensando a redução no volume de vendas, de acordo com cálculos da empresa de consultoria Energy Aspects.

Os influxos estão ajudando a Arábia Saudita, sob o reinado do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, a financiar projetos domésticos caros e continuar uma campanha de influência no exterior impulsionada por investimentos. 

Os fundos extras também estão garantindo que o presidente russo, Vladimir Putin, possa sustentar sua guerra na Ucrânia. 

A receita do petróleo na Arábia Saudita neste trimestre provavelmente está aumentando em quase US$ 30 milhões por dia em comparação com o período de abril a junho, com um aumento de cerca de 5,7%, mostra a análise da Energy Aspects.

Para todo o período de três meses, isso equivaleria a cerca de US$ 2,6 bilhões. 

Futuros do petróleo bruto Brent, contrato mais ativo. [Fonte: FactSet/The Wall Street Journal]
As receitas do petróleo russo provavelmente aumentaram cerca de US$ 2,8 bilhões, segundo os dados. Esses sucessos poderiam levar o cartel a considerar ainda mais restrições ao fornecimento global, dizem alguns observadores do mercado.

“A Opep está no controle. É possível dizer que ainda há mais por vir”, disse Saad Rahim, economista-chefe da Trafigura.

O cartel vem aumentando a pressão nos mercados de petróleo há meses, mas, até recentemente, suas ações foram compensadas pelas preocupações com uma recessão global e o crescimento lento da China, o que manteve os preços do petróleo negociados em uma faixa bastante estreita. 

Em outubro passado, os membros divulgaram que reduziriam a produção em 2 milhões de barris por dia, o maior corte desde o início da pandemia. Em maio, um grupo menor liderado pela Arábia Saudita introduziu um segundo corte de mais de 1 milhão de barris por dia. 

O reino adicionou um corte adicional de 1 milhão de barris por dia em julho. Então, a Arábia Saudita e a Rússia afirmaram em 5 de setembro que planejam estender seus cortes até o final do ano.

O Brent crude, referência global, subiu 25% neste trimestre e chegou ao pico de US$ 95 por barril nos últimos dias, embora tenha recuado recentemente. O contrato mais negociado fechou em US$ 94,36, na quarta-feira (27). 

A Opep prevê um déficit global de 3,3 milhões de barris por dia no quarto trimestre e muitos analistas do mercado de petróleo agora esperam que o Brent benchmark ultrapasse em breve US$ 100 o barril.

“Não é mais uma previsão tão ousada”, afirmou Livia Gallarati, analista de mercados de petróleo da Energy Aspects. “Os preços vão subir gradualmente. O fornecimento está fundamentalmente apertado”. 

Uma estratégia de redução de produção é arriscada porque um grande produtor de petróleo pode perder participação de mercado para nações rivais e, se a escassez não aumentar os preços, pode sofrer uma grande queda na receita. 

Os altos custos de energia também não são populares em Washington, já que podem introduzir novas pressões inflacionárias na economia dos EUA.

Os custos de produção são baixos na Arábia Saudita e na Rússia, com médias de US$ 9,30 e US$ 12,80 o barril, respectivamente, segundo estimativas da Rystad Energy. Esses custos baixos significam que a maior parte da receita das exportações de petróleo pode ser convertida em lucro.

Os preços mais altos são bem-vindos para a Arábia Saudita, que tem um histórico de altos e baixos ligados às oscilações do mercado de petróleo e um registro misto com grandes projetos de desenvolvimento em parte como resultado disso. 

O país aumentou os gastos de capital, gastando 37% a mais no primeiro semestre de 2023 em despesas de capital do que no mesmo período do ano passado, segundo a Capital Economics. 

O trabalho começou em um megaprojeto de US$ 500 bilhões para 2030, a nova cidade-estado de Neom, que está planejada para ser do tamanho do estado de Massachusetts.

Saldo trimestral de orçamental do Estado. Em azul, Rússica; Em verde, Arábia Saudita. [Fonte: Oxford Economics/Capital Economics/The Wall Street Journal]
O Fundo Monetário Internacional estimou no início deste ano que o preço do petróleo necessário para equilibrar o orçamento de Riade é de cerca de US$ 81 o barril. Se a Arábia Saudita continuar lutando para atrair investimentos estrangeiros para projetos como Neom, o ponto de equilíbrio poderá subir para perto de US$ 100, dizem analistas.

Enquanto isso, a Rússia está gastando pesado para lutar na guerra na Ucrânia. No primeiro trimestre deste ano, os gastos cresceram 35%, aumentando em quase dois trilhões de rublos, ou cerca de US$ 20,7 bilhões, em comparação com um ano antes, segundo a Oxford Economics. 

O governo tem um déficit orçamentário desde o meio do ano passado.

A variedade de petróleo mais popular da Rússia, conhecida como Urals, tem sido negociada acima de US$ 75 o barril nos últimos dias. Isso é mais do que a média do segundo trimestre de US$ 56 relatada pelo banco central da Rússia e acima do limite de US$ 60 imposto pelo G7 para conter as receitas do petróleo russo.

Na semana passada, o Kremlin proibiu as exportações de diesel e gasolina, adicionando uma restrição ao suprimento de energia mundial. Os preços globais do diesel aumentaram, preocupados com os volumes escassos em um mercado já apertado.

 “Isso é a Rússia usando a energia como arma novamente”, explicou Helima Croft, chefe de estratégia de commodities do RBC Capital Markets. Com os mercados de produtos petrolíferos “incrivelmente apertados, isso é realmente algo a se preocupar”, disse ela. 

Uma luta entre o Kremlin e empresas de petróleo, incluindo a Rosneft, por causa da escassez de combustível foi outro fator na proibição, informou o The Wall Street Journal.

Alguns economistas ainda preveem que o crescimento diminuirá na Arábia Saudita e na Rússia por causa dos cortes na produção, mas isso reflete em grande parte uma peculiaridade na forma como o produto interno bruto real, ou ajustado pela inflação, é calculado, argumentou James Swanston, economista da Capital Economics. 

Essa medida da produção econômica é calculada usando volumes em vez de preços, falou ele. “Se olharmos apenas para os preços do petróleo, o futuro deles parece mais brilhante. Pode não ser uma mudança econômica radical, mas permite que eles continuem gastando”, concluiu Swanston.

(Com The Wall Street Journal)

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