Panorama do UBS antevê destaque ainda maior para a IA e um “novo normal” de crescimento mais lento para a economia da China
Inteligência artificial e o crescimento econômico da China estão entre as quatro diretrizes para a economia global de 2024 na visão do UBS. Fundado há mais de 160 anos e um dos maiores bancos de investimento do mundo, o suíço designou estratégias de preservação de capital, fundos de hedge macro, petróleo e ouro como proteções para se ter em foco durante o ano.
“Conforme analisamos a década que se inicia, esperamos que os efeitos da IA, a maturação da economia da China, a transição energética e os níveis elevados da dívida global cresçam ainda mais”, justificou Mark Haefele, diretor de investimentos da gestão de patrimônio global do UBS, em relatório com o panorama da instituição para este ano.
O futuro é tech
As big techs, apelidadas de “Magnificent Seven”, impulsionaram o S&P 500 no ano passado com o apelo da inteligência artificial, mas é só o começo. Para o UBS, a IA generativa estimulará criação de valor significativa em uma gama de setores, apesar de tal tecnologia não ser exatamente uma novidade.
O conceito geral de IA generativa existe desde a década de 1960, enquanto a arquitetura do transformador que a torna mais eficaz foi detalhada em 2017. No entanto, foi o lançamento do ChatGPT que verdadeiramente mostrou o impacto potencial dessa tecnologia, ao combiná-la a uma plataforma com forte adoção pelo consumidor.
Para os investimentos, atualmente o UBS aponta oportunidades relacionadas à IA em uma variedade de ações de software, internet e semicondutores.
Como em todo advento tecnológico, alguns empregos podem se tornar obsoletos, o que não significa necessariamente aumento do desemprego. Assim como hoje não há mais a profissão de datilógrafo, entretanto escritórios demandam continuamente por técnicos de informática, a IA deve criar alguns novos empregos inexistentes até então.
“Historicamente, cerca de 10% dos papéis de trabalho que existiam no final de qualquer década não existiam no início dela”, aponta o UBS. Exemplo gritante são as profissões ligadas ao entretenimento, como influencer, youtuber e streamer.
A longo prazo, a IA tende a surtir efeito desinflacionário, mas a extensão do impacto na economia em geral dependerá fortemente da magnitude, localização e timing do uso da tecnologia. “Já está se tornando mais claro como a geração de texto, imagem e vídeo por meio da IA poderia exercer pressão para baixo sobre os preços em setores incluindo serviços ao cliente, programação de computadores, jurídico e entretenimento.”
Tudo passa, os juros ficam
Seria uma gafe considerável falar de macroeconomia em 2024 sem analisar o comportamento dos bancos centrais. O UBS projeta um início de corte de taxas global este ano.
“Em nossa opinião, os mercados de títulos públicos estão precificando excessivamente o risco de que taxas de juros mais altas representarão o novo normal”, diz o banco, acrescentando expectativa de queda nos retornos dos Treasuries. A projeção é de continuidade da convergência dos índices de inflação para as metas dos bancos centrais.
Nos EUA, a força da economia em 2023 vai abrir caminho para um crescimento mais lento, embora ainda positivo, à medida que o consumo se deparar com fortes ventos contrários. Na Europa, o prognóstico é de crescimento ainda moderado. O destaque do panorama do UBS é a China, a qual deve entrar em um “novo normal” de crescimento mais baixo, “mas possivelmente de qualidade mais elevada”.
Don’t panic
“Conforme entramos em um novo mundo, seria fácil ter uma sensação de trepidação”, compreende o CIO do UBS.
Todavia, ele recorda que de 1900 para cá o mundo passou por duas guerras mundiais, nove pandemias, centenas de guerras civis ou regionais, mais de duas mil detonações nucleares, revoluções nos maiores e mais populosos países do mundo, pelo menos uma dezena de hiperinflações, mais de 15 mercados de tendência baixista, mais de 20 recessões e quase 200 moratórias soberanas ou crises de dívidas.
Desde 1971, houve oito ciclos de altas de juros do Federal Reserve, antes do atual. Uma recessão ocorreu nos EUA em cinco dessas ocasiões. Em duas, de 1983-84 e 1994-95, o Fed alcançou um pouso suave. “As condições que permitiram isso incluíram futuras expectativas de inflação bem ancoradas, um mercado de trabalho apertado e economias familiares consideráveis, três características que estão presentes no ambiente atual”, pontua.
Haja vista que a recessão em 2020 foi desencadeada pela pandemia do coronavírus, a hipótese básica do UBS continua sendo de que os EUA alcançarão um pouso suave em 2024, graças à robusta demanda por mão de obra, gastos sólidos com investimento e fortes balanços patrimoniais dos consumidores e das empresas.
No que diz respeito a investir, completa Mark Haefele, “todos esses anos de adversidade nos ensinaram três coisas: o valor da diversificação global, a virtude da paciência e, mais importante, a resiliência e a ingenuidade da humanidade”.
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